
Partindo da premissa de que “não há conversa genuína sem perguntas verdadeiras”, a obra é, ela própria, um conjunto de conversas que os dois frades estabelecem entre si sobre 18 perguntas que surgem na Bíblia. Foto: Direitos reservados.
Foi lançado ainda no verão nos Estados Unidos da América, mas em Portugal só será editado em março do próximo ano. Em Itália, chega às livrarias esta terça-feira, 31 de outubro, e conta com um prefácio assinado pelo Papa Francisco. Falamos de “Perguntas de Deus, perguntas a Deus”, o mais recente livro dos dominicanos Timothy Radcliffe e Łukasz Popko, que mostra como a nossa relação com Deus se constrói com base num questionamento mútuo.
Partindo da premissa de que “não há conversa genuína sem perguntas verdadeiras”, a obra é, ela própria, um conjunto de conversas que os dois frades estabelecem entre si sobre 18 perguntas que surgem na Bíblia, desde a que Deus coloca a Adão (“Onde estás?”) até à que Jesus ressuscitado faz a Pedro (“Amas-me mais do que estes?”).
Os dois autores conheceram-se em Jerusalém e descobriram que partilhavam o gosto de falar sobre a Bíblia. “Em parte isso deve-se às nossas diferenças”, assinala Radcliffe, citado no site oficial dos frades dominicanos. “Ele é mais de trinta anos mais novo, polaco e não inglês, e um estudioso de hebraico muito profissional. Eu sou mais um amador apaixonado!”
O responsável pelas meditações do retiro para os participantes do Sínodo partilha ainda que o livro começou a ser escrito quando descobriu, pela segunda vez, que estava com cancro. “Este projeto, com a amizade de Łukasz, ajudou-me a viver um momento difícil. Pode trazer alguns sinais de dor, mas acima de tudo da alegria que tivemos juntos e que esperamos que os leitores também experimentem”, afirma.
Uma obra bem humorada
“Deus, na Bíblia, não fala e não se comunica somente com os homens e às mulheres da época em que foi escrita, mas fala a todos, até mesmo a nós. Fala ao nosso coração inquieto, se soubermos ouvi-lo”, assinala por seu lado o Papa no prefácio da edição italiana, defendendo que “as questões que os autores analisam e discutem ainda hoje são atuais, abalam-nos profundamente mesmo na nossa sociedade digitalizada, porque são as palavras que cada coração não anestesiado pode compreender como decisivas para a sua própria vida”.
Agradecendo a Radcliffe e a Popko por terem escrito este livro, Francisco expressa a sua gratidão, em particular, pelo “bom humor” com que o escreveram, e explica: “O bom humor, quando experimentado pelo fiel, mostra como a fé cristã não é algo sombrio ou pedante, não é retro, nem degradante. A fé faz brilhar o rosto de quem adere a ela. O Evangelho dá alegria, a alegria verdadeira, não a efémera, claro, mas a verdadeira alegria: quem crê é feliz, não tem cara de funeral. É uma pessoa feliz, é possível ler isso no seu rosto!”.
Para o Papa, há, assim, três apelos que ressaltam desta obra: “que nós, fiéis, permaneçamos inquietos, sempre capazes de nos fazer perguntas e também um pouco especialistas em humorismo”.
As versões em inglês e em italiano do livro já podem ser adquiridas online.









