AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Grupo Vita, Manual prevenção abusos

Prevenção da violência sexual

Reflexão sobre afectos é necessária nos seminários, propõe Manual do Grupo Vita

| 12/12/2023

Grupo Vita, Manual prevenção abusos

 

A inclusão da reflexão sobre a vivência afectiva e sexual nos seminários e casas de formação é uma das sugestões do Grupo Vita no Manual de Prevenção da Violência Sexual contra Crianças e Adultos Vulneráveis no Contexto da Igreja Católica em Portugal, que foi apresentado esta quarta-feira, 12 de Dezembro, no âmbito da divulgação do primeiro relatório daquele organismo criado pela Conferência Episcopal Portuguesa e que começou a trabalhar no final de Maio.

Destinado a religiosos e leigos, trabalhadores e voluntários, famílias e educadores, para ajudar a criar “ambientes seguros” no contexto da Igreja, o Manual propõe também que seja desenvolvidas “estratégias claras de prevenção da violência sexual”.

A publicação deste documento era um dos grandes objectivos do Grupo Vita para 2023 e acaba de ser cumprido: com 120 páginas (incluindo várias de bibliografia e 20 com propostas de recursos que podem ser utilizados por qualquer instituição), o Manual propõe dez novos “mandamentos” de prevenção da violência sexual, entre os quais os dois referidos no início. O documento pode ser descarregado a partir da página do Grupo na internet.

A coordenadora do Vita, a psicóloga Rute Agulhas, tinha já adiantado em entrevista ao programa 7MARGENS que este documento pretende propor um conjunto de práticas que ajudem no conhecimento desta realidade, da sua prevenção e da denúncia e acompanhamento dos casos de abuso.

“É um instrumento que pode ser usado por todas as estruturas”, afirmou a coordenadora do Vita, durante a conferência de imprensa desta tarde. E também permite a utilização, na sua quase totalidade, de outras instâncias fora da Igreja. Ao mesmo tempo, como tinha afirmado na entrevista ao 7MARGENS, pretende ainda dar instrumentos para “conhecer o enquadramento legal, civil e canónico desta problemática”, bem como “as grandes dinâmicas associadas à violência sexual sobre crianças e adultos vulneráveis na perspectiva das vítimas, mas também saber e compreender melhor o funcionamento das pessoas que cometem crimes de natureza sexual”.

No domínio da prevenção, o documento propõe, entre outras coisas, modos de “como elaborar mapas de risco, como estabelecer códigos de conduta e o que fazer junto das crianças e dos jovens na perspectiva de programas mais centrados” nessas faixas etárias.

Nos modos de agir, o manual diz o que se deve fazer “com os canais de denúncia”, os que devem ser concretizados “na perspectiva da detecção e sinalização e dos vários tipos de acompanhamento de que as vítimas podem beneficiar”.

A lista dos dez “mandamentos” referenciados no final do Manual apontam ainda para a quebra do tabu e a consciencialização de “toda a comunidade para a existência de violência sexual contra crianças/adultos vulneráveis em diversos contextos, incluindo o contexto da Igreja Católica”. A criação de ambientes seguros e protectores através de códigos de conduta e de boas práticas conhecidos por todos é outra das sugestões, a par das acções de sensibilização e de formação, de modo a saber, por exemplo, reconhecer sinais de alerta.

Saber escutar as vítimas respeitando a privacidade; definir canais de denúncia internos; “reconhecer o dano nas vítimas” e providenciar o apoio necessário; garantir que os agressores “são responsabilizados legalmente e disciplinarmente” e encaminhados para processos terapêuticos, “de modo a prevenir a reincidência”; e a promoção de estratégias de protecção dos direitos da criança são outras das sugestões.

 

Texto com o contributo de Clara Raimundo

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Perseu declara-se vítima

Testemunho

Perseu declara-se vítima novidade

Escrevo como sobrevivente de abuso sexual na Igreja. Estive calado trinta e seis anos. Sou acompanhado há mais de oito. Não escrevo para defender a instituição, e nada lhe devo. Defendo duas coisas apenas: os sobreviventes e a Graça. [Testemunho de um sobrevivente de abuso sexual na Igreja Católica].

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia

Padre da Obra da Rua morreu

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia novidade

O padre Telmo Ferraz, da Obra da Rua, celebra cem anos de vida e missão. Membro do clero da Diocese de Bragança-Miranda, nasceu no Mogadouro a 25 de novembro de 1925 e começou cedo o seu sacerdócio de rebeldia e compromisso social. Denunciava a tragédia humanitária provocada pelas condições péssimas em que viviam quantos davam a vida na construção de barragens naquele Trás-os-Montes longínquo e abandonado dos anos 1950. [Texto de Tony Neves]

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.