AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

desfile dos caretos em Arcas, concelho de Macedo de Cavaleiros. Foto DR

Festa da Galhofa

Caretos, máscaras e o charolo enchem as ruas de Arcas

| 30/12/2023

desfile dos caretos em Arcas, concelho de Macedo de Cavaleiros. Foto DR

As máscaras usadas pelos caretos de Arcas são inspiradas numa quase centenária descoberta na região. Foto: Direitos reservados

 

O desfile dos caretos, o ritual das galhofas e a procissão do charolo da igreja até à fogueira acesa no centro da aldeia marcaram, em Arcas, concelho de Macedo de Cavaleiros, o fim das festividades de Santo Estêvão. As máscaras usadas pelos caretos de Arcas são inspiradas numa quase centenária descoberta na região com a ajuda da Academia Ibérica da Máscara.

Já os trajes dos caretos, explica António Tiza, presidente daquela academia, são semelhantes aos de Podence, mas com “algumas alterações, basicamente, nas franjas”, para que não se confundissem com aqueles. “As franjas daqui são vermelhas e cor-de-vinho. Há uma parte nas pernas, por baixo do joelho, que está sem franjas. A parte de trás do carapuço também é diferente. Sendo certo que estas coisas, que são parte da tradição e da cultura popular, não são rigorosas. Foram evoluindo ao longo do tempo”, sublinha Tiza.

Nas festividades deste ano os caretos eram uma dúzia. “Temos a intenção de recriar esta tradição todos os anos” confessa o presidente do Núcleo de Costumes e Tradições de Arcas, Nélson Peixeiro, para quem “quantas mais vezes se repetirem estas tradições e quanto mais pessoas a elas assistirem, maior será o número dos que quererão participar como caretos”. Isso já é visível “nos que vêm repetidamente viver esta tradição connosco e que já se querem vestir de caretos”.

O desenho e toda a aparência das máscaras são inspirados numa máscara com mais de 80 anos, encontrada um pouco danificada depois de longa procura e investigação. “Conseguimos que um artesão nos fizesse uma réplica perfeita. É perfeita, mas é nova. É a que está a ser usada pelos caretos”, conta António Tiza com pena de não ter encontrado máscaras antigas em perfeito estado de conservação.

A Festa da Galhofa trouxe, este ano, o bispo de Bragança-Miranda, Nuno Almeida, a Arcas para presidir à missa de dia 26 de dezembro, marcando, assim, o caráter misto – sagrado e profano – que define estas festas relacionadas com a passagem dos jovens à fase adulta e com a sua correspondente emancipação. A “galhofa” é uma luta “entre caretos e ‘agarrantes’ que são pessoas da aldeia, que, por orgulho, querem desafiar e ‘tombar o careto’. Essas galhofas eram feitas no meio da rua, na lama, e foram pela primeira vez recriadas este ano”, explica Nélson Peixeiro.

Bispo da Diocese de Bragança-Miranda, Nuno Almeida, reunido com os caretos. Foto @Filipe Ribeiro

O bispo da diocese de Bragança-Miranda, Nuno Almeida, com os caretos. Foto © Filipe Ribeiro

 

Outra função dos caretos é transportar o charolo da igreja até perto da fogueira acesa numa das ruas da aldeia. O charolo é um andor em forma de pirâmide, coberto com roscas doces, que está relacionado com o culto do pão. É feito no dia 24 à noite e logo depois, à meia-noite, tem de estar pronto na igreja para a missa do Galo. “É uma mistura do sagrado e do profano. Permanece na igreja até à manhã de Santo Estêvão e depois segue em procissão, transportado num carro de bois e puxado pelos caretos, até ao largo da aldeia. Da parte da tarde, dá origem a um leilão, em que as rocas são arrematadas, uma a uma, pelos participantes”, explica Peixeiro que recorda ainda outra tradição da festa: “Os caretos recolhem o mel e o vinho da aldeia, depois fervem-nos num pote, com o brasume da fogueira, e distribuem a bebida a todas as pessoas que se encontrem no local.”

O ritual do transporte do charolo, até ao centro da aldeia de Arcas. Foto DR

O ritual do transporte do charolo, até ao centro da aldeia de Arcas. Foto: Direitos reservados

 

pe de pagina Journalismfund Europe 7MONTES (1)

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This