
É necessário “que toda a sociedade portuguesa se movimente” no sentido de prevenir e combater novos casos de abusos, apelou o bispo José Ornelas, em Roma. Foto © Agência Ecclesia
No que diz respeito aos abusos, a Igreja em Portugal “está a fazer e a tentar fazer aquilo que toda a sociedade devia fazer”: “um esforço para conhecer a realidade, apoiar as vítimas e criar perspetivas para um futuro melhor”. Quem o garante é o presidente da Conferência Episcopal, José Ornelas, que sublinhou isso mesmo nos encontros com “alguns dicastérios” esta terça-feira, 21 de maio, segundo dia da visita ad limina apostolorum dos bispos portugueses ao Vaticano.
O bispo destacou em particular que, na reunião desta terça-feira com o Dicastério para a Doutrina da Fé, o Vaticano “reconheceu a coragem da Conferência Episcopal Portuguesa” no combate aos abusos sexuais de menores na Igreja e na “procura de soluções que vão de acordo com aquilo que a Igreja está a propor para as igrejas dos diferentes países”.
“Estamos a fazer um grande trabalho de prevenção e de formação dos agentes pastorais para que estejam atentos a esta realidade”, destacou. E deixou o alerta: é necessário “que toda a sociedade portuguesa se movimente” no sentido de prevenir e combater novos casos de abusos.
Recordando os seis mil casos registados em Portugal, no ano de 2023, o bispo de Leiria-Fátima pediu que “todos os que têm a responsabilidade a usem, e os meios que têm à disposição, para que isto possa mudar”. “É uma cultura que se tem de mudar nos vizinhos, é uma cultura que se tem de mudar nas instituições, na escola, estar alerta para os sinais que podem denunciar”, assinalou.
Comissão de avaliação de compensações financeiras no fim do ano

Encontro do episcopado português no Dicastério para a Doutrina da Fé, no segundo dia da visita ad limina. Foto © Agência Ecclesia
Questionado pelos jornalistas portugueses em Roma sobre o aumento do número de pedidos de compensação à Igreja, e o eventual aparecimento de casos falsos – na segunda-feira, dia 20, o grupo Vita anunciou que há 32 pedidos de compensação financeira por parte das vítimas – José Ornelas respondeu que esse aumento não é motivo de preocupação. “Não me preocupa quantos vão ser, interessa é que as pessoas possam encontrar o caminho da justiça e da dignidade que lhes foi retirada”, afirmou.
O bispo de Leiria-Fátima adiantou que a comissão de avaliação que irá definir os valores das compensações a pagar às vítimas de abusos na Igreja Católica só será criada no fim do ano, sendo que as vítimas deverão formalizar os pedidos entre junho e dezembro de 2024.
A comissão será constituída por especialistas nos âmbitos jurídico, psicológico ou psiquiátrico, para melhor lidar com “a diferenciação, a diversidade em casos destes”, procurando “ir ao encontro de cada pessoa, da realidade dramática que viveu e também das perspetivas que têm de como isto pode contribuir para a sua reparação mais profunda”, explicou ainda o presidente da CEP.
A visita ad limina dos bispos de Portugal decorre no Vaticano até sexta-feira, 24 de maio, dia em que serão recebidos pelo Papa Francisco.









