
Um manifestante solitário enfrenta uma coluna de tanques em 5 de junho de 1989, na entrada da Praça Tiananmen, em Pequim. Foto: Direitos reservados
Uma homenagem a todos os que perderam a vida em nome da justiça e da liberdade. É este o mote para uma declaração conjunta lançada pela Rede Internacional de Apoio ao Tibete a propósito dos 35 anos sobre o Massacre de Tiananmen e subscrita por diversas organizações como a Human Rights Watch ou o Grupo de Apoio ao Tibete em Portugal.
A declaração, enviada esta terça-feira, 4 de junho, ao 7MARGENS, começa por relembrar o enquadramento do massacre, no qual se estima terem morrido centenas ou até milhares de pessoas, pois, até hoje, não há dados que sustentem sequer um número aproximado de vítimas.
“Na China, o governo tentou apagar completamente da história a memória desses acontecimentos terríveis. No entanto, todos os anos há quem encontre formas de recordar e comemorar, mesmo sabendo que, por isso, corre o risco de sofrer consequências e até de prisão. Honramos a sua bravura e prestamos homenagem a todas as pessoas que lutaram para manter viva a memória face à censura e à repressão”, refere o texto.
São também lembradas as famílias das vítimas que, ao longo dos anos, têm lutado pela memória dos seus entes queridos falecidos no massacre. Estas permanecem como alvo de repressão por parte do governo, sendo recorrentemente assediadas e vigiadas pela polícia, alerta a declaração. Este ano, foram até impedidas de se reunir para assinalar o aniversário do ataque. “Honramos o seu trabalho e instamos a comunidade internacional a erguer a sua voz e apoiar os seus esforços”, menciona a nota.
De seguida, evoca-se a realidade vivida em Hong Kong, onde durante décadas a população da cidade se reunia todos os anos para assinalar o aniversário do massacre. No entanto, desde 2019 que o governo tem procurado apagar a palavra “Tiananmen” do vocabulário nacional. Aqueles que ainda procuram manter viva a memória enfrentam penas severas, uma vez que Hong Kong reprimiu a liberdade de expressão e de reunião pacífica. “Homenageamos a defensora dos direitos humanos Chow Hang-tung e os organizadores da Vigília de 4 de Junho, que estão agora presos pelas suas crenças. Homenageamos o estudante universitário Zeng Yuxuan, que foi preso apenas por planear exibir uma faixa comemorativa do 4 de Junho, e que agora desapareceu”, acrescenta a declaração.
Os acontecimentos de 1989 foram um ponto crucial para a China, sublinha ainda a nota. Nos últimos 35 anos, o número de presos políticos só aumentou, uma vez que qualquer dissidência ou ação da sociedade civil é vista como uma ameaça ao poder instituído.
“No entanto, após o massacre, os Estados Unidos e outros países democráticos optaram por abraçar o governo do Partido Comunista Chinês em nome do comércio e do investimento, permitindo-lhe sobreviver apesar da sua perda de legitimidade. Este governo, que optou por praticar a violência contra os seus próprios cidadãos, foi ainda encorajado a encarcerar mais de um milhão de uigures, a reprimir os tibetanos até ao ponto da imolação e a privar Hong Kong da sua liberdade. Instamos veementemente a comunidade internacional a dar prioridade ao historial de direitos humanos da China, em vez da autocensura em prol de ganhos económicos a curto prazo”, menciona a declaração. “Hoje, continuamos a lutar em seu nome, acreditando no futuro de uma China democrática e respeitadora dos direitos”, conclui.









