
Refugiados cristãos na Índia. Os cristãos têm sofrido uma perseguição crescente neste país asiático. Foto © EU 2012/EC/ECHO Arjun Claire
Vários líderes católicos indianos encontraram-se com o primeiro-ministro do país, Narendra Modi, com o objetivo de pedir o seu apoio para pôr termo às atrocidades perpetradas contra as minorias e ao crescente assédio aos cristãos por parte das autoridades nacionais. O país tem registado um clima de crescente perseguição aos muçulmanos, cristãos e outras minorias religiosas.
“A reunião de 45 minutos no gabinete do primeiro-ministro foi cordial e ele ouviu-nos bem”, afirmou o arcebispo Andrews Thazhath de Trichur, presidente da Conferência Episcopal [católica] da Índia, citado pela UCA News. Para além dele, estiveram presentes outros três líderes: o bispo Joseph Mar Thomas de Bathery, o arcebispo Anil Couto de Deli, vice-presidente da Conferência Episcopal, e o padre Mathew Koyickal, secretário-geral adjunto da Conferência. A acompanhar Modi, esteve o ministro federal Suresh Gopi, um parlamentar eleito no sul do estado de Kerala e membro do Partido Bhartiya Janata.
“A delegação apresentou um memorando em que exprime a sua preocupação com os crescentes ataques contra os cristãos, as falsas alegações de conversões forçadas e a utilização abusiva das leis anti-conversão”, referiu o arcebispo Thazhath.
O memorando pedia igualmente que os cristãos de origem dalit [os “intocáveis”, membros da casta mais baixa do país] beneficiassem das vantagens especiais destinadas aos dalit socialmente pobres. Estas concessões são-lhes negadas com base no facto de o cristianismo não seguir o sistema de castas, tradicional na Índia. O documento refere que os cristãos dalit enfrentam uma dupla discriminação, uma vez que a sociedade os discrimina como casta inferior e o Governo os exclui das medidas de proteção social.
O memorando destaca, ainda, a ausência de representação cristã nas comissões nacionais para as minorias e nas suas instituições educativas. Por isso, os bispos solicitaram mais uma vez a Modi que considere a possibilidade de nomear cristãos qualificados para vários ministérios e departamentos do Governo.
Os líderes da Igreja Católica na Índia disseram ao primeiro-ministro que várias organizações não-governamentais geridas por cristãos enfrentam desafios quando se aproxima a renovação das suas licenças para receber fundos estrangeiros, apesar do seu profundo envolvimento no serviço social. O documento relembra também os contributos significativos da comunidade cristã, nomeadamente nos domínios da educação, dos cuidados de saúde e da assistência social.
Thazhath não deixou, ainda, de reiterar o pedido da Igreja Católica no país para convidar o Papa Francisco a visitar a Índia, e Modi respondeu que já tinha feito o convite duas vezes. O último Papa a visitar a Índia foi João Paulo II, em 1999.










