
Padre Fernando Mota. Foto: Direitos reservados.
Eram 11 da manhã desta quarta-feira, 4 de Setembro. Frei Fernando Valente Mota, provincial da Ordem dos Frades Menores (OFM, franciscanos) em Portugal, dedicava-se ao que mais gostava de fazer: cuidar das plantas do jardim do Seminário da Luz, em Lisboa. Outros funcionários trabalhavam perto e viram-no ao longe sentar-se num pequeno murete. Pouco depois, quando olharam de novo, Fernando Mota estava caído no chão. A reanimação tentada já não deu resultado.
“É significativo que a irmã morte o tenha chamado no momento em que fazia o que mais gostava”, diz uma nota dos Franciscanos enviada ao 7MARGENS, lamentando a morte do provincial, que tinha sido eleito há pouco mais de dois anos, em Abril de 2022.
“Terá sido um ataque cardíaco fulminante”, disse ao 7MARGENS o actual vigário e ecónomo provincial, frei José Silvestre Silva, que ressalva no entanto que a causa exacta da morte só poderá ser averiguada pelo Instituto de Medicina Legal, para onde o corpo foi levado.
A jardinagem e o cuidado com flores e plantas eram o seu passatempo preferido. Em projecto estava o nascente Jardim Laudato Si’, uma ideia do próprio frei Fernando Mota, que foi apresentada em Outubro de 2022 e noticiada pelo 7MARGENS, e que procura implantar e promover num jardim o cuidado da criação advogado na encíclica do Papa com aquele título.
Era uma forma de tratar “da casa comum dos irmãos e de todos os seres entre os quais se sentia um irmão feliz”, diz ainda a nota enviada pelos franciscanos.
Nascido em São João da Madeira, em 1 de Março de 1951, numa família de sapateiros – tendo exercido ele próprio esse ofício na sua adolescência –, Fernando Valente Mota era franciscano há 41 anos e padre há 34. Antes da vocação religiosa que lhe nasceu depois de uma experiência na comunidade monástica ecuménica de Taizé (França), tinha cumprido o serviço militar em Angola, durante a Guerra Colonial, esteve nos Comandos e foi cinturão negro de karaté.
Na Ordem dos Frades Menores desempenhou cargos como o de animador do curso de franciscanismo entre 1991 e 1996, coordenador e membros de estruturas de pastoral vocacional da OFM e da Confederação Nacional dos Institutos Religiosos, responsável de estruturas de formação de novos franciscanos, ecónomo provincial (2004 a 2016) e “guardião” (responsável) das fraternidades de Angra, Açores e Luz, entre 2016 e 2022.










