
Recebido com cânticos de alegria na instituição Irmãs ALMA, em Díli, o Papa falou de improviso às cerca de 50 crianças e 28 religiosas presentes. Foto © Vatican Media
É difícil dizer quem está mais feliz: se o Papa, se os timorenses que a ele acorrem aos milhares, por onde quer que passe. A manhã desta terça-feira, 10 de setembro, segundo dia da visita ao pequeno país asiático, ficou marcada por rasgados sorrisos e muitas lágrimas de emoção de parte a parte, numa escola para crianças com deficiência, onde Francisco reconheceu que são ensinadas e compreendidas as mais importantes lições: praticar o amor de Jesus e deixar que Deus cuide de nós.
Recebido com cânticos de alegria na instituição Irmãs ALMA (Asosiasi Lembaga Misionari Awam – Associação das Sociedades Missionárias Leigas), em Díli, o Papa falou de improviso às cerca de 50 crianças e 28 religiosas presentes. “Há uma coisa me faz sempre pensar: quando Jesus fala do julgamento final, ele diz a algumas pessoas: ‘Venham comigo’, mas não diz ‘Venham comigo porque foram batizados, porque foram crismados, porque se casaram na Igreja, porque não mentiram, porque não roubaram…’. Jesus diz: “Vem porque cuidaste de mim, quando estava com fome deste-me comida, quando estava com sede deste-me de beber, quando estava doente visitaste-me”, e assim por diante… Eu chamo a isto ‘o sacramento dos pobres’. Um amor que encoraja, que constrói e fortalece”, partilhou Francisco.
E sublinhou que isso mesmo encontrou ali, naquela escola em Timor-Leste. “Sem amor, isto não pode ser entendido”, disse. “E é assim que entendemos o amor de Jesus, que deu a sua vida por nós. Não podemos compreender o amor de Jesus se não começarmos a praticar o amor. Partilhar a vida com os mais necessitados é um programa, é o vosso programa, e de todos os cristãos”. E depois agradeceu-lhes, às religiosas por cuidarem daquelas crianças e às crianças por se deixarem cuidar. “São eles que nos ensinam como devemos deixar-nos cuidar por Deus. Deixar-nos cuidar por Deus e não pelas muitas ideias, projetos ou caprichos. Deixar-nos cuidar por Deus. E eles são os nossos mestres. Obrigado a vocês por isso.”

O Papa abençoa uma criança, à saída da escola. Foto © Vatican Media
À saída, um grupo de pais esperava por Francisco. Os gritos – “Papa! Papa!” – já se escutavam lá dentro. Destacava-se uma mãe visivelmente emocionada, carregando um bebé com hidrocefalia num marsúpio de pano, que se ajoelhou em frente à cadeira de rodas, chorando copiosamente. Ninguém foi afastado. Francisco a todos olhou nos olhos, e a sua mão foi passando de testa em testa, enquanto os abençoava sem pressa, em silêncio, também ele colocando em prática o “sacramento dos pobres”.









