Porque cuidar da casa comum não é “só” cuidar do ambiente – é também cuidar das relações que temos uns com os outros – o grupo Cuidar da Casa Comum em Santa Isabel tem uma proposta para a tarde do próximo sábado, 8 de fevereiro: trata-se do primeiro Encontro da Fraternidade, que terá lugar no CUPAV, em Lisboa, e onde será possível escutar os testemunhos de quatro imigrantes a viver em Portugal, conhecer as suas histórias, e refletir em conjunto sobre o que é preciso fazer para que outros, como eles, se sintam bem acolhidos e integrados no nosso país.
“Vão estar presentes quatro imigrantes com histórias muito diferentes, oriundos de Angola, do Brasil, da Eritreia e do Paquistão, e o que propomos a quem vier é, em primeiro lugar, escutá-los, perceber porque vieram e o que encontraram quando cá chegaram”, explica Catarina Dias, do grupo Cuidar da Casa Comum em Santa Isabel, em declarações ao 7MARGENS.
Conscientes de que “hoje, cada vez mais, há um discurso bastante agressivo em relação ao que é diferente” e de que “alguns políticos veiculam muito o medo do outro, do que é diferente, do que não tem a mesma cor da pele, os mesmos hábitos de vida, a mesma religião, ou pensa de outra maneira”, os membros deste grupo nascido na Paróquia de Santa Isabel, no bairro de Campo de Ourique, acharam que “seria importante criar um espaço em que fosse possível escutar estas pessoas, porque só conhecendo o outro é que podemos ir ao encontro desse outro, criar relações, criar pontes e perder o medo… que é muito alimentado pela ignorância”, acrescenta Catarina Dias, 44 anos, que integrou o grupo no ano passado.
A grande inspiração para organizar o encontro veio do gesto do Papa Francisco e do Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, que a 4 de fevereiro de 2019 assinaram o Documento sobre a Fraternidade humana. “No ano seguinte, essa data foi instituída como Dia Internacional da Fraternidade Humana pela ONU e no grupo achámos que era importante celebrarmos este dia, visto que o que nos move é a ecologia integral, que envolve não apenas o cuidado do ambiente, mas também das relações humanas, das desigualdades, das injustiças sociais”, explica Catarina, que trabalha numa consultora como avaliadora de projetos sociais. “O que queremos, no fundo, é que este encontro sirva para criar fraternidade verdadeira”, sublinha.

O cartaz da iniciativa.
Depois dos testemunhos, que começam às 14h45, “haverá um momento em grupos para que possamos partilhar aquilo que mais nos chamou a atenção, aquilo que nos ficou desse momento”, e em seguida todos serão convidados a registar, num painel pintado pela artista plástica Ana Cordovil “uma atitude, um compromisso individual que cada um gostaria de fazer nos próximos tempos no sentido de se abrir mais ao outro, de ir ao encontro do outro, de acolher o outro”.
A participação neste primeiro Encontro da Fraternidade – que decorrerá numa sala do CUPAV (Estr. da Torre 26, 1750-296 Lisboa) é gratuita e não está sujeita a inscrição. A iniciativa terminará “com um convívio muito simples, para podermos continuar a conversar e a conviver”, adianta ainda Catarina Dias, antevendo já que “a este encontro, seguramente se seguirão outros”.
(Imagem de destaque: Pormenor do painel pintado pela artista plástica Ana Cordovil para o Encontro da Fraternidade. Direitos reservados)
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