O Santuário de Fátima não equaciona a possibilidade de remover o enorme painel em mosaico do ateliê do padre Marko Ivan Rupnik, que se encontra na parede do fundo da Basílica da Santíssima Trindade, mas decidiu suspender a utilização da imagem dessa obra de arte. A revelação foi feita em resposta a um pedido de esclarecimento apresentado pelo 7MARGENS.
Na resposta veiculada pelo Serviço de Comunicação do Santuário, a instituição salienta que “repudia liminarmente os atos cometidos pelo padre M. I. Rupnik” e refere que “já expressou a sua solidariedade para com as vítimas”.
Quanto ao painel, concebido e realizado pelo Centro Aletti, sediado em Roma e no qual pontifica Rupnik – foi seu fundador e diretor até 2020, quando começaram a ser julgadas as primeiras queixas de abusos de religiosas ligadas à Comunidade Loyola – o Santuário esclarece: “Não ponderamos a sua remoção. No entanto, desde que tomámos conhecimento das denúncias contra o padre M.I. Rupnik, suspendemos a utilização da imagem, da totalidade da obra e de pormenores, nos nossos materiais de divulgação”.
O 7MARGENS dirigiu aos responsáveis pelo Santuário de Fátima um pedido de esclarecimento sobre a sua posição, na sequência dos passos que vêm sendo dados no Santuário de Lourdes, em França, relativamente aos painéis do mesmo autor: primeiro a decisão de deixar de iluminar os painéis, durante as procissões marianas noturnas, em julho de 2024, e, a partir desta semana, a decisão de ocultar os painéis laterais das duas portas principais de acesso à basílica.
Este jornal inquiriu se o Santuário de Fátima ponderava a possibilidade de inserir nos locais das obras de Rupnik, e junto delas, algum tipo de informação que exprima o cuidado com o sofrimento de eventuais vítimas quer de Rupnik quer de outros membros da Igreja Católica. Esta questão ficou, no entanto, sem resposta.
Referimos ‘obras’, no plural, porque, depois do grande painel de 500 metros quadrados, que foi instalado na Basílica em 2007, Rupnik produziu, uns anos mais tarde, também por encomenda do Santuário, dois ícones dos pastorinhos Francisco e Jacinta, os quais foram apresentados em fevereiro de 2014 e que se destinavam a ser colocados à devoção dos fieis junto aos túmulos, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Trata-se, segundo informação na altura veiculada pela diocese de Leiria-Fátima, de duas pinturas sobre madeira, cada uma com 90 por 80 centímetros, “inspiradas na tradição oriental do ícone, mas com traços modernos”.










