As denúncias de abusos no seio da Igreja Católica irlandesa aumentaram mais de 50% no último ano, tendo passado de 252 em 2023-24 para 385 em 2024-25, de acordo com o relatório que acaba de ser publicado pelo Conselho Nacional para a Proteção de Crianças na Igreja Católica na Irlanda. O número corresponde ao maior alguma vez registado desde que aquele organismo começou a publicar estes relatórios, em 2009.
A maioria das queixas, 73%, refere-se ao período entre 1960 e 1989, havendo apenas dois casos que dizem ser referentes ao período posterior a 2000. Há, no entanto, 47 denúncias sem data associada.
De acordo com o documento, que abrange denúncias feitas entre os dias 1 de abril de 2024 e 31 de março de 2025, o aumento das mesmas ocorreu predominantemente em setembro de 2024, imediatamente após o governo ter anunciado que iria abrir uma investigação na sequência de um outro inquérito ter revelado que 2.395 queixas de abuso foram feitas em 308 escolas religiosas entre 1927 e 2013.
Esse inquérito foi iniciado, por sua vez, após um documentário da RTE Radio 1, intitulado “Blackrock Boys”, ter revelado em 2022 a prática generalizada de abusos no Blackrock College, uma escola para rapazes gerida pelos Espiritanos.
Do total de denúncias recebidas pelo Conselho Nacional no último ano, 291 foram categorizadas como abuso sexual. O relatório registou ainda 55 alegações adicionais de abuso físico, quatro violações de limites, uma acusação de negligência, uma de abuso emocional, uma de bullying e 32 casos em que o suposto abuso não foi categorizado.
O relatório indica ainda que as 385 acusações foram feitas contra 376 pessoas, incluindo 318 religiosos, 39 padres diocesanos, 16 religiosas e três homens de filiação desconhecida.
Dos 39 padres diocesanos acusados de abuso, 20 (64%) já faleceram, três são laicizados, três encontram-se presos, quatro estão fora do ministério, quatro estão “sob um plano de gestão”, um permanece no ministério ativo e quatro têm “status desconhecido”.
Dos acusados restantes, 221 já faleceram, cinco são laicizados, cinco estão no ministério ativo, 31 estão na prisão, 21 estão “sob um plano de gestão”, 12 deixaram a Igreja, 17 estão fora do ministério e 22 têm “status desconhecido”.










