“Terrorismo doméstico” é como a Igreja Unida de Cristo (IUC) classifica o modo de atuar dos agentes do Departamento de Imigração e Fronteiras (ICE, da sigla em inglês), dos Estados Unidos da América, relativamente aos imigrantes. O seu Sínodo Geral, que esteve reunido esta semana, em Kansas City, aprovou uma resolução na qual acusa também o Governo Trump de usar a Constituição como arma.
Aquela denominação cristã denuncia os raides do ICE como “batidas” realizadas por grupos de agentes que se deslocam em carros não sinalizados, “sem uniforme, usando máscara e recusando a identificar-se”.
Uma maioria esmagadora (627 votos a favor, oito contra e uma abstenção) aprovou a resolução sinodal, que pede oficialmente que os responsáveis da IUC desinvistam em empresas privadas com fins lucrativos que estão envolvidas na detenção de migrantes e refugiados.
Segundo a agência Religion News Service, a medida foi apresentada como “uma moção de emergência devido à atual repressão à imigração pelo governo Trump”.
“A nossa fé sempre nos chamou para espaços de risco em nome dos vulneráveis, especialmente quando as pessoas são vulnerabilizadas por sistemas de poder de facto corruptos”, afirmou Clara Sims, jovem ministra de Albuquerque, no Novo México, em comunidades que assumiram transformar-se em acolhedoras dos imigrantes e que foi a principal apresentadora do texto submetido a votação.
“Havia uma preocupação bastante forte em torno das violações de direitos humanos que estavam a acontecer nos centros de detenção”, disse, por sua vez, Abigail Cipparone, responsável pelo setor de Políticas Públicas da Igreja Unida de Cristo. Deste ponto de vista, observou, a resolução do Sínodo foi particularmente importante “para as congregações em todo o país que já estão a fazer esse trabalho – que estão a receber imigrantes nos seus cultos, num momento em que a orientação sobre locais sensíveis foi suspensa, passando as igrejas a ser um lugar onde as batidas do ICE podem ocorrer”.










