O tribunal de Málaga aceitou julgar os padres Custodio Ballester e Jesús Calvo para os quais a acusação pede três anos de prisão por crimes de ódio contra migrantes, contra a comunidade muçulmana e o islamismo cometidos em publicações e gravações feitas em 2017. O procurador pede também quatro anos de prisão para o responsável pelo sítio onde essas opiniões foram publicadas. O processo tem suscitado um intenso debate público em Espanha sobre os limites da liberdade de Imprensa e de opinião.
O jornal Vida Nueva relata que na audiência de dia 1 de outubro a acusação manteve a sua interpretação de que “longe de serem um exercício de liberdade de imprensa, [os escritos de ambos os padres] enquadram-se na categoria de crimes de ódio”, dando, assim, razão à queixa formulada contra os arguidos pela Associação de Muçulmanos Contra a Islamofobia.
Numa das opiniões publicadas no sítio Alerta Digital o padre Ballester definiu, segundo a Europa Press, o islamismo como “mancha predatória”, “térmitas”, sublinhando que “o diálogo com o islamismo é impossível”. Por seu turno, o padre Calvo teria definido os muçulmanos como “refugiados invasores”, pessoas “sem cultura” que vão “complicar a convivência” e que querem “exterminar a raça branca enfiando-nos todo o seu lixo pela goela abaixo”.
Os arguidos defenderam que tais declarações se limitavam a qualificar “grupos radicais” islâmicos e não toda a comunidade islâmica em Espanha. Ao deixar o tribunal, o Padre Ballester declarou, de acordo com a Vida Nueva de 2 de outubro, que “no Afeganistão ou no Paquistão, o Ministério Público teria pedido a pena de morte; aqui na Espanha, graças a Deus, pediram três anos de prisão”, acrescentando, com ironia: “estou verdadeiramente grato”. A defesa do padre Calvo apresentou nesta audiência preliminar vários relatórios médicos que atestavam o desequilíbrio emocional e mental do arguido. Os argumentos da defesa não convenceram o tribunal que aceitou julgar o caso.
Entre os que defendem os padres na base de que mais não fizeram do que utilizar a liberdade de Imprensa e de opinião consagrada na lei constitucional espanhola estão, entre outros organismos, a Christian Lawyers, uma associação internacional de advogados cristãos disponíveis para defender cristãos perseguidos em justiça por causa da expressão da sua fé, o Observatório para a Liberdade Religiosa, o Instituto de Política Social e um grupo de cerca de 100 juristas que reuniram mais de 27.000 assinaturas em apoio ao padre Custódio Ballester.
Ballester, em declarações à EsRadio, apontou o cardeal de Barcelona, Juan José Omella, como o culpado escondido que terá motivado todo o processo. Em 2017, o cardeal de Barcelona teve de afastar o padre da sua paróquia, após ter sido acusado de apologia ao franquismo, marchar com bandeiras franquistas e paramilitares e disseminar a homofobia.










