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Dia das Comunicações Sociais

A escuta é uma condição para se comunicar bem

| 24/01/2022

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Papa pede uma escuta que permita aos jornalistas contar boas histórias. Foto © Vatican News

 

Escutar é “condição de autêntico diálogo”, mas para isso é necessário “escutar com o ouvido do coração”, afirma o Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada esta segunda-feira, 24, que a Igreja Católica dedica à festa de S. Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

Depois de, em 2021, ter centrado as atenções no “ir e ver”, para “descobrir a realidade e poder narrá-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas”, Francisco convida, este ano, a prestar atenção a tudo o que exige e possibilita a escuta, mas também aquilo que a impede ou dificulta.

Em pleno tempo de desafio à prática da sinodalidade na Igreja Católica, o tema da não podia ser mais oportuno: “uma grande ocasião de escuta recíproca” entre irmãos e irmãs, foi o que indicou o Papa.

A mensagem começa por defender que existe, nos nossos dias, uma perda de capacidade de ouvir a pessoa com quem nos cruzamos no nosso quotidiano. Paradoxalmente, isso acontece quando se verifica também, no plano dos meios de comunicação, um crescente interesse pelo podcast ou pelo chat audio, o que mostra que “a escuta continua essencial para a comunicação humana”.

Não se trata meramente de ouvir, enquanto “perceção acústica”, como se evidencia na própria Bíblia. De facto, como diz S. Paulo, “a fé vem da escuta” do “Deus que nos fala” e que parece privilegiar o ouvido. “Talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando consequentemente mais livre o ser humano”, aventa o Papa.

Resumindo, “só prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos e ao modo como ouvimos é que podemos crescer na arte de comunicar, cujo cerne não é uma teoria nem uma técnica, mas a ‘capacidade do coração que torna possível a proximidade’”, sustenta a mensagem, servindo-se da exortação A Alegria do Evangelho.

Francisco refere as dificuldades da escuta, nomeadamente quando há uma “surdez interior” que impede não apenas a escuta dos outros mas até de si mesmo. Criticou, por outro lado, a “tentação sempre presente, mas que, neste tempo das redes sociais, parece mais assanhada (…) de procurar saber e espiar [os outros], instrumentalizando-os para os nossos interesses”. Aludiu criticamente a práticas da vida pública em que se busca ampliar as audiências dizendo o que elas querem ouvir, muitas vezes através da “piada foleira visando ridicularizar o interlocutor” e dos pseudo-diálogos que, na verdade são monólogos a duas vozes.

Num plano mais vasto, Francisco nota que “a capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia”, em que surgiu uma espécie de “info-demia” que mina as bases da informação verdadeira e de interesse público. “É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas”, alerta.

Ilustração: Direitos reservados.

A parte final da mensagem chama a atenção para a importância de “escutar várias vozes”, inclusive na Igreja, exercitando “a arte do discernimento”. Com base nesta experiência, Francisco vê a Igreja como um coro, onde “a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia: (…) cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto”.

O Dia Mundial das Comunicações Socais será celebrado este ano em 29 de maio. Foi a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto Inter Mirifica, em 1963. Assinala-se, em cada ano, no domingo antes do Pentecostes.

A mensagem foi apresentada nesta segunda-feira pelo bispo de Viana do Castelo e responsável da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, João Lavrador, num encontro que juntou, no Santuário do Cristo-Rei, vários responsáveis da Igreja e jornalistas.

 

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