Com a imagem de um grupo de crianças a jogar alegremente futebol usando uma bola feita de trapos e sacos plásticos no bairro de Goma, em Kivu do Norte, República Democrática do Congo, Isaac Burjiwa é o vencedor do concurso fotográfico “Sport in Motion – The essential is invisible to the eye” (“Desporto em movimento – O essencial é invisível ao olho”, promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, por ocasião do Jubileu do Desporto.
Burjiwa, jovem artista plástico nascido naquela região, tirou a foto a 17 de janeiro deste ano, intitulando-a “Bloom– Where the War Fails” (“Florescer – Onde a guerra falha”). E explica assim o título escolhido: “A alegria destas crianças transforma-se em esperança. Através dos seus gestos simples, estas crianças lembram-nos que, no meio do caos, ainda cresce algo: uma luz invisível, mas muito real. Onde a guerra falha, a infância floresce em paz, unidade e humanidade”.
O percurso de Isaac Burjiwa no mundo da arte começou na infância, quando também ele jogava na rua com bolas de trapos, tendo encontrado muito cedo a sua paixão pela reciclagem e pelo desenho. Através do seu envolvimento com a Life Through Arts, uma ONG local, Isaac teve oportunidade de desenvolver as suas competências e aprofundou a fusão entre a arte e a tecnologia para impulsionar mudanças positivas.
Nos últimos três anos, desenvolveu uma prática artística única que mistura a fotografia e o desenho, e pretende que as suas obras, inspiradas pelos acontecimentos atuais na sua região assolada por conflitos, sirvam como veículos para mensagens de esperança e consciencialização. Foca-se particularmente em lançar luz sobre a vulnerabilidade das crianças e a difícil situação das crianças-soldado.

O jovem artista plástico congolês Isaac Burjiwa Burjiwa. Imagem reproduzida a partir da conta de Instagram @isaac.bujirwa
Para Isaac, a arte não é apenas um meio de expressão pessoal e de terapia, mas também uma poderosa ferramenta de impacto social. Além de expor o seu trabalho localmente, o artista tem estado envolvido ativamente com jovens deslocados pela guerra nos campos em redor de Goma, utilizando a arte como forma de terapia e apoio.
O concurso que agora venceu, lançado em novembro do ano passado, contou com a participação de 49 jovens – e 81 fotos – com menos de 25 anos. Com o objetivo de unir três palavras nem sempre próximas – “juventude”, “arte” e “desporto” – o concurso quis reler os desafios do desporto atual através dos jovens que têm um “olhar de esperança” mais límpido.
O nome do vencedor foi anunciado no sábado, 14 de junho, durante a conferência internacional “O impulso da esperança”, que decorreu no Vaticano na presença do cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, e do presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach.
Havia cinco temas propostos, retirados do Pacto Educativo Global e do tema do Jubileu: desporto e deficiência, desporto e família, desporto e ecologia, desporto e política, desporto e esperança. Para cada uma das cinco categorias, o júri escolheu três fotos. E entre as 15 fotos vencedoras foi escolhida a imagem de Burjiwa.
O júri foi composto pelo fotógrafo desportivo Giovanni Zenoni; pelo ex-jogador paralímpico e orador motivacional Arturo Mariani; pelo jornalista do jornal vaticano L’Osservatore Romano, Gabriele Nicolò; pelo secretário-geral da Athletica Vaticana, Marco Alpigiani; pelo jornalista Sebastiano Caputo; pelo padre Ezio Lorenzo Buono do Pacto Educativo Global; e pelo padre Davide Milani da Fundação Pontifícia Gravissimum Educationis.
É possível conhecer as 15 imagens finalistas do concurso no sítio oficial do Dicastério para a Cultura e a Educação.










