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autores - Phyllis Zagano (1)

A política de imigração nos EUA tornou-se uma questão de carácter

| 14/07/2025

Os Estados Unidos estão a começar a parecer uma ditadura que procura livrar-se de qualquer pessoa que seja pobre e fale espanhol.

 

A forma como uma pessoa reage ao ver homens armados e mascarados a agredir imigrantes nos Estados Unidos define o carácter dessa pessoa. Cada vez mais, a prioridade dada à detenção de pessoas está a definir o carácter do governo, se não de todo o país. Os Estados Unidos da América (EUA) estão a começar a parecer uma ditadura que procura livrar-se de qualquer pessoa pobre e que fale espanhol.

O racismo nos EUA não é novidade. No século XVII, os europeus do Norte chegaram, reivindicaram as terras dos nativos americanos e importaram africanos negros escravizados. À medida que os Estados Unidos cresciam, os seus líderes insistiam no seu carácter branco, mesmo enquanto engoliam cada vez mais territórios habitados por pessoas de pele morena. Devemos lembrar que a actual metrópole diversificada de Los Angeles foi fundada por colonos mexicanos em 1781.

Ao longo do século XIX, mas especialmente após a Guerra Civil, as cidades ficaram cada vez mais lotadas de pessoas pobres que se distinguiam da aristocracia dominante pela pele mais escura. Os imigrantes enfrentavam cada vez mais o racismo e o nativismo, que defendia os interesses das pessoas nascidas em território americano (excepto os membros das mais de 500 tribos indígenas já residentes). Surgiram leis anti-imigração excluindo asiáticos (1875) e chineses (1882). O conceito era manter o país totalmente branco.

Em 1900, os EUA já tinham acolhido mais de 10 milhões de imigrantes. A Estátua da Liberdade, então com 24 anos, recebia os cansados e pobres que chegavam a Ellis Island, no porto de Nova Iorque. Em breve, lei após lei, procurou-se conter a maré. Houve um requisito de alfabetização (1917) e surgiram cotas por país. Mesmo assim, o sul da Europa forneceu um número crescente de judeus e católicos, a ponto de o catolicismo se tornar a maior denominação num país predominantemente protestante.

A herança judaico-cristã dos Estados Unidos tem feito muito bem nos dias de hoje. Cristão nominal e defensor contra o antissemitismo, o presidente dos EUA superintende o tratamento brutal e o desrespeito pela dignidade pessoal de milhares de indivíduos. Muitos vieram fugindo de cartéis de droga, violência e pobreza. Velhos e jovens, homens e mulheres, podem não falar inglês. A maioria é de pele morena. Em nome da eliminação dos criminosos do país, os agentes do Departamento de Segurança Interna prendem violentamente até mesmo aqueles que aceitaram as restrições do governo anterior e estão em processo de naturalização.

O comportamento que o presidente está a proclamar é moral? É ético? É digno do governo com a maior economia do mundo, que gere milhares de hectares vazios dentro das suas fronteiras, o governo que recentemente contabilizou 7,8 milhões de vagas de emprego? Os imigrantes não estão restritos às cidades, embora ficassem felizes se se estabelecessem em qualquer um dos bairros abandonados de costa a costa. E eles querem trabalhar.

O comportamento do gabinete do presidente e dos seus subordinados demonstra extraordinárias deficiências de carácter. Quer se queira contestá-los por motivos éticos ou morais, é correcto abanar a cabeça e questionar-se como e por que razão os Estados Unidos se tornaram um pária para pessoas de bom carácter.

Os líderes religiosos estão a manifestar-se e começam a surgir livros sobre o assunto. Está interessado em ética? Leia On Character, do general Stanley McChrystal. Está interessado em moralidade? Leia Facing Race, do reverendo Roger Haight, um padre jesuíta. A tarefa de leitura deste Verão é sobre como restaurar o bom carácter do país.

A mãe do presidente dos EUA era imigrante – o inglês era a sua segunda língua – e ele é casado com uma imigrante. Qual é a natureza do seu carácter?

Manifestação a favor da imigração nos EUA. Foto © Nitish Meena | Unsplash

Manifestação a favor da imigração nos EUA em 2022: “Os imigrantes fazem a América grande” e “Não ao ódio, não ao medo; os refugiados são bem-vindos aqui”, lê-se nos cartazes. Foto © Nitish Meena | Unsplash

 

Phyllis Zagano integrou a Comissão para o Estudo do Diaconado das Mulheres (2016-2018). É investigadora na Universidade de Hofstra, Hempstead, Nova Iorque, e o seu livro mais recente é Just Church: Catholic Social Teaching, Synodality, and Women (Paulist, 2023) [Igreja justa: ensino social católico, sinodalidade e mulheres]. Este texto foi inicialmente publicado no Religion News Service e é publicado em Portugal por cedência da autora e daquela publicação ao 7MARGENS.

 

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