Acton Institute: fidelidade a um Papa que “não sabe” do que fala

| 28 Jan 20

 

 

Foto da página do Acton Institute na internet

 

O Acton Institute, que organizou o encontro “confidencial” de 110 bispos na Penha Longa (Sintra), é presidido pelo padre Robert Sirico, que critica o Papa por considerar que Francisco olha para os negócios apenas como “algo para retirar benefícios próprios e não tanto cuidar dos pobres”.

Desde 1997, o Acton começou a organizar encontros como os da Penha Longa, destinados apenas a bispos do México, e com o objectivo de ajudar à formação permanente, explica um dos interlocutores do 7MARGENS. Depois, os seminários foram estendidos aos restantes países latino-americanos. Finalmente, foram alargados a todo o mundo e desde há quatro anos que decorrem na Penha Longa – um local ótimo, pois, segundo um dos bispos, “o hotel tem uma capela”.

A organização é normalmente conotada com a designada direita católica liberal. Apresenta-se, em português, como pretendendo promover “uma sociedade virtuosa e livre, caracterizada pela liberdade individual e sustentada por princípios religiosos”. Apesar de a página do Acton na internet ter alguns recursos em português, “para explicar melhor” a missão “e atingir audiências ainda não envolvidas pelos nossos programas”, o Acton diz que os recursos para atingir aquele fim estão disponíveis sobretudo em inglês.

Num dos artigos que se pode ler em português, com o título “Papa Francisco: um homem de esquerda?”, o director de pesquisa do Acton, Samuel Gregg, fala do “limitado comentário económico do Papa Francisco”. Esta mesma fórmula, ou expressões semelhantes, têm sido usadas pelos sectores mais críticos do Papa para desvalorizar as suas intervenções nesse campo.

 

Um Papa “bem-intencionado”, mas “economicamente falhado”

Nas perspectivas enunciadas em vários textos do Acton, criticam-se ainda, de forma mais velada ou mais explícita, as ideias “anti-capitalistas” do Papa ou o seu “peronismo” – uma alusão ao populismo argentino do antigo Presidente Juan Perón.

Ao publicar, em 2015, a encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado da Casa Comum, o Papa também foi criticado ou menosprezado por dirigentes do Acton: “Embora o Papa escreva e fale [sobre o tema], ele não é um especialista em biotecnologia – permitindo diferenças de opinião – [mas,]quando ele fala sobre temas políticos ou económicos, ele fá-lo com convicção e certeza”, escreveu Alex Chafuen, presidente da rede Atlas e administrador do Acton. Mas, apesar de admitir que em muitos temas concretos a hierarquia católica “não tem motivos para propor uma palavra final”, em questões económicas “a Laudato Si’ parece unilateral”, acrescenta Chafuen. O facto de o Papa ser oriundo da Argentina, um país de “capitalismo intervencionista e corrupto” também pode ajudar a uma visão tão “disfuncional” da economia e dos mercados, admitia Chafuen.

Num outro artigo, o já citado Samuel Gregg resume a Laudato Si’ a um texto “bem-intencionado”, mas “economicamente falhado”.

“São conservadores, mas são fiéis ao Papa”, defende um dos bispos que esteve no seminário da semana passada em Sintra. O Acton tem, inclusivamente, um escritório em Roma e outro em Buenos Aires – aponta outro participante, numa informação que pode ser confirmada na página do Acton na internet.

Segundo um dos participantes no encontro da Penha Longa: “Eles organizam conferências nas universidades pontifícias de Roma e tudo o que fazem é para ajudar a Igreja na sua acção evangelizadora. Os meios que usam pretendem responder aos desafios que o mundo vai colocando à Igreja.”

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