Alfredo Teixeira e João Andrade Nunes em entrevista: a música como arte de dizer Deus

| 26 Dez 20

Há um movimento de renovação na música litúrgica, que oscila entre a recriação de uma herança musical litúrgica e uma “via culturalizante, abrindo a liturgia aos diferentes idiomas musicais disponíveis”. A propósito do disco Vimos do Mar e da Montanha, apresentado há um mês em Lisboa, o 7MARGENS entrevistou os dois compositores autores das peças que o compõem. Alfredo Teixeira e João Andrade Nunes falam dos movimentos de renovação da música litúrgica, dos limites e potencialidades que encontramos na criação contemporânea, das linguagens que os têm inspirado e das potencialidades da música como experiência comunitária a merecer hospitalidade. A música pode ser uma arte de dizer Deus, afirmam.

João Andrade Nunes, Alfredo Teixeira, música litúrgica, São Tomás de Aquino

João Andrade Nunes e Alfredo Teixeira, num dos momentos do ensaio e gravação do disco: uma obra rara no panorama litúrgico português. Foto: Direitos reservados.

 

7MARGENS – Esta é uma obra rara no panorama litúrgico e musical português; querem apontar duas razões – históricas, eclesiais, culturais – para o facto?

ALFREDO TEIXEIRA (A.T.) – Nos nossos dias, a gravação de um disco é, por si só, um acontecimento de alguma raridade, tendo em conta a desmaterialização dos suportes de transmissão. Tanto em Portugal como no mundo católico em geral, tornou-se difícil juntar os meios necessários para a realização de gravações de música litúrgica contemporânea com um elevado padrão artístico e técnico. Em muitos casos, as gravações têm objetivos puramente pragmáticos, para ajudar a divulgação de reportório. Nesses contextos, a gravação não é pensada como um objeto artístico.

Há gravações excelentes, autónomas em relação ao campo eclesial, dos arquivos da chamada música sacra. Ou o trabalho continuado de criação de reportório contemporâneo para a liturgia anglicana, num contexto em que os recursos de uma religião de Estado permitem a subsistência de escolas musicais ligadas às catedrais e às capelas das universidades, no Reino Unido, com uma prática continuada de registos fonográficos.

 

7M – Este é um caso diferente…

A.T. – Julgo que este disco se aproxima mais da memória de um conjunto de gravações realizadas no espaço francófono, no período de receção do Concílio Vaticano II, que marcaram, claramente, uma forma de canto litúrgico nas línguas modernas europeias. Recorde-se que os beneditinos francófonos foram protagonistas, nesse período, de uma imediata contestação da permanência do uso do latim nos ofícios litúrgicos, solicitação que se lamentava na carta Sacrificium laudis, assinada por Paulo VI em 1966.

No ano seguinte, Paulo VI autorizou os monges a usarem as línguas vernáculas. Nesse mesmo ano, foi criada a Comission Francophone Cistercienne, órgão decisivo no apoio à criação litúrgica em língua francesa, mobilizando todos os compositores mais reconhecidos, nas décadas de 1960 e 70. Mas também os poetas e casas de edição discográfica. O Studio SM desenvolveu, até ao final dos anos 1970, diversos projetos de referência. Basta pensar, a título de exemplo, na obra de Lucien Deiss.

 

7M – Muito traduzido e cantado também fora de França… 

A.T. – O registo em vinil de boa parte da sua obra permitiu uma fácil penetração fora de fronteiras: gravou perto de uma centena de discos em França e noutros países. As gravações com a Schola du Grand Scolasticat de Pères du Siant-Esprit-de-Chevilly – com a participação feminina do Chorale Elisabeth Brasseur e a colaboração da organista Marie-Claire Alain – são uma referência histórica.

Esta primeira geração de gravações Studio SM apresentava esta dupla caraterística: tratava-se da gravação de “música viva”, ou seja, em uso nas comunidades, mas realizada com a participação de intérpretes preparados tecnicamente para inscrever as realizações discográficas no terreno mais amplo das artes musicais. Creio que este CD reinventa, em Portugal, esse mundo (talvez perdido), em novas condições de futuro, com a generosidade e sensibilidade de jovens músicos.

João Andrade Nunes, Alfredo Teixeira, música litúrgica, São Tomás de Aquino

Alfredo Teixeira: depois do Concílio Vaticano II, muitos compostiores tentaram vernaculizar a arte de celebrar. Foto: Direitos reservados. 

 

7M – Há uma aproximação mais consistente a uma linguagem musical e litúrgica contemporânea?

A.T. – Nas décadas que se seguiram ao Vaticano II, em grande parte da geografia do catolicismo, muitos liturgistas compositores ensaiaram um trabalho desafiante: responder à necessidade de vernaculizar uma arte de celebrar que se tinha cristalizado numa língua separada (morta, socialmente) e em formas pouco adequadas ao princípio de participação ativa.

Uns procuraram dialogar de forma direta com a herança musical litúrgica, na sua pluralidade, recriando essa tradição num novo contexto, com uma particular influência de diferentes formas de canto monástico – o padre Manuel Luís foi, em Portugal, um dos principais representantes deste ensaio. Outros assumiram uma via culturalizante, abrindo a liturgia aos diferentes idiomas musicais disponíveis. Num terreno e noutro, temos realizações muito contrastantes.

 

7M – Quer exemplificar?

A.T. – Entre os que tiveram preocupações de inculturação, podemos incluir compositores que recriaram elementos oriundos da música tradicional dos povos – pensemos no padre Manuel Faria, na Nova Revista de Música, que ensaiou um trabalho de criação melódica que reutilizou formas de condução melódica próprios dos cantos comunitários de feição rural. Mas outros procuraram um diálogo explícito com diferentes substratos da canção urbana. Veja-se, por exemplo, a presença de elementos da chanson urbana em algumas realizações musicais francesas – entre outras, as criações de Jo Akepsimas. Mas também o pop evangélico encontrou um amplo campo de penetração, influência que decorre do poder da sua presença na indústria da música de entretenimento.

 

7M – E em Portugal?

A.T. – Curiosamente, ainda não existe nenhum estudo, com uma ampla base empírica, sobre a música nas assembleias litúrgicas católicas – nem as ciências sociais, nem a musicologia, nem a teologia mostraram essa disponibilidade. Devo salientar o trabalho de José Paulo da Costa Antunes (“Soli deo gloria: um contributo interdisciplinar para a fundamentação da dimensão musical da liturgia cristã”, 1996), que não tem, no entanto, a abrangência que aqui sinalizo.

Desde os anos 1960, beneficiámos de diversas gerações de compositores competentes, cuja música foi divulgada em publicações periódicas e nos encontros nacionais de pastoral litúrgica. Mas não basta ter compositores. O desenvolvimento de uma cultura de música litúrgica exige um conjunto mais amplo de agentes.

 

7M – Como descreve a situação atual?

A.T. – Hoje, o terreno apresenta-se plural, mas no quadro de um pluralismo desregulado. Por regulação, não entendo o exercício de práticas de autorização eclesiástica, mas a existência de contextos de discernimento que permitam acompanhar as práticas e a sua análise crítica, mobilizando os meios de disseminação daquilo que revela uma particular eficácia na construção de uma cultura de canto litúrgico.

O pluralismo a que me refiro inclui dinamismos muito diferentes: entre outros, a música criada por compositores reconhecidos nos círculos eclesiásticos; a música praticada em determinados movimentos eclesiais; a música, frequentemente anónima, que circula no tecido das culturas juvenis católicas, etc.

João Andrade Nunes, Alfredo Teixeira, música litúrgica, São Tomás de Aquino

Um dos momentos de ensaio e gravação do disco, com o Ensemble São Tomás de Aquino: com o Concílio Vaticano II, houve “um movimento de regresso às fontes, que redescobriu a assembleia como sujeito e protagonista da liturgia”, diz Alfredo Teixeira. Foto: Direitos reservados.

 

7M – Na apresentação do disco, escreve que esta música “transporta uma experiência comunitária” e um lugar de hospitalidade. É essa experiência que tem faltado em coros e assembleias litúrgicas?

A.T. – Nas relações entre a criação musical profissionalizada e as práticas musicais litúrgicas encontramos o rasto de uma importante transformação história. É bem conhecida a tese de Norbert Elias (1993) sobre Mozart. Elias vê no percurso de Mozart, em particular no seu itinerário de emancipação em relação à corte e ao poder eclesiástico, a emergência do indivíduo-compositor como ator social, que se afirma fora dos quadros institucionais que regulavam o seu ofício – é a emergência do “profissional independente”.

Isso reflete-se na própria música, na medida em que os novos contextos sociais vão permitir a afirmação do compositor, na sua individualidade. As formas musicais emancipam-se de maneira mais vincada do contexto ritual que lhes deu origem. Nesta linha, uma obra como a Missa Solemnis de Beethoven pode ser lida como o exemplo acabado desta transformação: ela não cabe na temporalidade própria dos rituais católicos, apresentando-se como um “objeto” emancipado que, dependendo do ângulo da sua receção, pode ser lido como a continuação da liturgia por outros meios.

 

7M – Ou seja, deixa de estar na tutela do poder religioso…

A.T. – Sim. Uma certa memória restauracionista pressupõe viável a reedição das condições que permitiram às Igrejas ter os meios para um amplo exercício de uma tutela artística. Para além da verificação de que essas condições não são reeditáveis, importa sublinhar que a arte de celebrar, promovida depois do Concílio Vaticano II, num movimento de regresso às fontes, redescobriu a assembleia como sujeito da liturgia, contexto pouco adequado à promoção de liturgias em que o canto seja, pura e simplesmente, entregue a profissionais. Nesta nova conceção, o próprio ministério do canto tem a assembleia como protagonista e, por isso, o coro é parte dela.

 

7M – O que leva ao risco da quebra da qualidade…

A.T. – Sim, mas esta nova situação eclesial e social não deveria ser impedimento para se contar, nas comunidades, com a participação de músicos profissionais, de forma benévola ou com a retribuição justa, no caso de haver condições para isso (como aliás acontece noutros setores da vida das comunidades, onde intervenção profissional e voluntariado se cruzam de forma complementar). Neste domínio, há muito por fazer.

O que a experiência de São Tomás de Aquino mostra é que é possível que uma comunidade cristã seja um lugar de hospitalidade para pessoas envolvidas profissionalmente com a música, sem que isso se torne um obstáculo ao aprofundamento de uma saudável experiência litúrgica comunitária, onde a voz, o canto, a leitura, o órgão, constituam um habitat favorável à participação, seja pela escuta, seja pela prática do canto.

O contributo da formação técnica e da experiência profissional devem ser lidos, numa lógica cristã, como um lugar ministerial – ou seja, ao serviço da comunidade e não como um projeto de arte pela arte. Trata-se da lógica da dádiva e não da lógica de conflito.

(a seguir, o vídeo com a peça Vimos do Mar e da Montanha, de Alfredo Teixeira, que dá título ao disco)

 

7M – Como tem sido a experiência do Ensemble São Tomás de Aquino (STA) na relação com a comunidade? Há alguma pedagogia na forma como “ensinam” a assembleia a participar e a cantar as peças que propõem?

JOÃO ANDRADE NUNES (J.A.N.) – Quando, em 2015, fui acolhido na paróquia de São Tomás de Aquino, o então pároco, padre Nélio Pita, lançou-me o repto de relançar o Coro de São Tomás de Aquino, cuja atividade, por vicissitudes várias, se encontrava suspensa. Ao assumir tal desiderato, apercebi-me de que talvez fosse o momento apropriado para dar corpo ao modelo litúrgico-musical que havia ensaiado, ao longo de vários anos, no coro da Igreja Matriz de São João Baptista, no Sabugal, minha terra natal.

Na verdade, se por um lado tinha o desejo de incrementar a participação da assembleia nas eucaristias, por outro, enquanto músico profissional, sentia que podia haver espaço para recuperar e trazer a lume repertório sacro que, recorrentemente, parecia apenas encontrar espaço em salas de concerto.

 

7M – E esse propósito foi conseguido?

J.A.N. – Na concretização desses objetivos erguiam-se duas questões capitais: que diálogo estabelecer entre cantores amadores e cantores profissionais, e que repertório usar como língua franca entre eles. Dois fatores foram determinantes para materializar este desafio: o conhecimento do trabalho musical de excelência das grandes catedrais da Europa – como são os casos da Maîtrise de Notre-Dame de Paris ou Westminster Choir College – e a oportunidade de estudar e privar com professores e compositores com capacidades pedagógicas singulares.

Tudo junto, permitiu-me criar repertório acessível onde os cantores com escassa formação musical servem de suporte e condução da assembleia, ao mesmo tempo que os cantores profissionais o ornamentam através de variados artefactos. Na verdade, o modelo não era novo, apenas retomava a secular prática monódica, característica do centro da Europa, com recurso ao discantus – género de contra melodia efetuada pelas vozes mais agudas.

 

7M – Que acolhimento teve?

J.A.N. – A “novidade”, introduzida na paróquia pelo Coro e pelo Ensemble STA, ainda que prontamente bem acolhida – por permitir uma participação plena de todos os fiéis, sem nunca perder de vista um rigor musical e uma estética própria – levou o seu tempo a ser assimilada. Hoje, creio que o resultado se mostra totalmente satisfatório.

É importante, desde logo, conhecer as características das assembleias e dos coros onde queremos trabalhar determinado repertório. Ao final destes anos, estou convencido de que não há receitas milagrosas, mas tem de haver sempre bom senso. O trabalho feito com as assembleias é um trabalho moroso e persistente. Em geral, a sociedade perdeu o hábito de cantar. Há 80 anos cantava-se em todo o lado: nas escolas, nas atividades agrícolas, em ambientes conviviais, entre outros. Hoje, essa prática é quase inexistente, o que tem reflexo direto na participação eucarística. Parece que há uma certa timidez em cantar…

João Andrade Nunes, Alfredo Teixeira, música litúrgica, São Tomás de Aquino

O Ensemble São Tomás de Aquino numa foto de produção do disco: Há um “delicado compromisso” que tem de se fazer entre a presença de músicos profissionais e as assembleia litúrgicas, diz João Andrade Nunes. Foto: Direitos reservados. 

 

7M – E quando se canta nas missas, muito do que se ouve ainda é adaptado de músicas “profanas” ou com melodias simplistas (e Palestrina nunca foi o dominante, como recorda o Alfredo, na apresentação do disco). Como se pode mudar esse panorama, sabendo que não abundam compositores e maestros de qualidade?

J.A.N. – Creio que as instruções do Concílio Vaticano II foram, por vezes, mal-entendidas. É verdade que vivíamos numa época em que a esmagadora maioria dos fiéis não entendia uma boa parte da liturgia. Tratava-se de um rito que reclamava cumprimento, mas a participação comunitária era qualitativamente escassa. Havia, pois, que tornar a linguagem mais próxima, mais inteligível. Para isso, não só se recorreu ao uso do vernáculo como houve uma apressada e desajustada apropriação do profano pelo sacro. Em Portugal e no resto do mundo.

Para combater esta nova realidade foi necessário um trabalho árduo e sério que, por exemplo, o padre Manuel Luís, o cónego Ferreira dos Santos, os padres Joaquim dos Santos, António Cartageno, Miguel Carneiro e tantos outros, encetaram ao longo da segunda metade do século XX. Passado meio século, com a poeira mais assente, o clima é hoje mais favorável à revitalização da música litúrgica. Vários caminhos foram experimentados e conhecem-se os seus resultados. Há, já, alguma opção de escolha. Contudo, estas novas práticas demoram a sedimentar.

 

7M – Quais são as principais dificuldades?

J.A.N. – No que respeita ao papel dos agentes musicais na liturgia, receio que o problema não resida, hoje, na escassez de organistas, cantores e maestros profissionalizados, mas no delicado compromisso que a Igreja – mormente, no âmbito paroquial – tem de fazer quando pretende dinamizar a animação litúrgica. É certo que a ausência de músicos profissionais não seduz compositores. De igual modo, músicos de nível profissional também tendem a afastar-se de ambientes onde a prática musical é rudimentar.

Para complexificar o problema, há que ter em conta ainda dois fatores. Primo: se nos grandes centros metropolitanos há recursos que permitem nascer projetos consistentes, em meios mais despovoados, por vezes, torna-se tarefa hercúlea conseguir um organista, um cantor, ou um diretor de coro que tenha formação musical. Secundo: optar por uma total profissionalização da música litúrgica soluciona e acarreta problemas. Se o serviço litúrgico está sempre assegurado, concomitantemente transporta uma tendência de padronização de estilo musical com um afastamento da participação dos fiéis no exercício do ministério do canto. A dificuldade passa, então, por encontrar um ponto de equilíbrio onde a beleza da liturgia bem solenizada não coiba manifestações plurais. No fundo, poder-se-á caminhar sob o lema: “qualidade na diversidade”.

 

7M – Qual é a vossa experiência entre essas duas margens?

J.A.N. – A experiência vivenciada na paróquia de São Tomás de Aquino passa, por exemplo, por ensaios de repertório, pela existência de aulas semanais de técnica vocal, seminários sobre canto gregoriano, liturgia, história da música, entre outros. Tudo isto disponível aos elementos dos vários coros da paróquia. Na verdade, músicos profissionais e amadores procuram aprofundar os seus conhecimentos musicais e litúrgicos mantendo um diálogo e uma entreajuda permanente.

Se a Igreja quer continuar a prestar um serviço digno tem de prosseguir com um investimento na formação dos seus agentes, maioritariamente cantores e organistas. Há que cuidar do presente sem esquecer o passado e o futuro.

João Andrade Nunes, Alfredo Teixeira, música litúrgica, São Tomás de Aquino, disco Vimos do Mar e da Montanha

O Ensemble na Igreja de São Tomás de Aquino, em Lisboa: “e a Igreja quer continuar a prestar um serviço digno tem de prosseguir com um investimento na formação dos seus agentes, maioritariamente cantores e organistas”, diz o maestro e compositor João Andrade Nunes. Foto: Direitos reservados. 

 

7M – Entre a originalidade de cada pessoa e as influências que cada criador transporta, quer indicar criadores portugueses ou estrangeiros com os quais dialoga mais?

J.A.N. – Desde muito cedo que estabeleci um contacto próximo com a escola de composição francesa. Aos nove anos de idade comecei a estudar saxofone, com o professor Carlos Canhoto – ele próprio formado pelo Conservatoire National de Cergy-Pontoise, na classe de Jean-Yves Fourmeau –, entrando num mundo musical onde 90% do repertório e dos grandes mestres era oriundo de França.

Mais tarde, quando surgiu um maior interesse pela música coral, sobretudo no âmbito litúrgico, as influências estavam lá, não havia forma de as esconder. Por estes motivos, invoco aqui o nome de dois vultos da escola francesa que tanto admiro e com quem tanto tenho aprendido: num passado recente, Maurice Duruflé e, no presente, Yves Castagnet, organista de coro da Maîtrise de Notre-Dame de Paris.

No âmbito nacional, nutro uma especial admiração pelo trabalho coral que os professores Eurico Carrapatoso e Fernando Lapa têm desenvolvido. Naturalmente, são e serão sempre uma fonte de inspiração. Ainda assim, seria da maior injustiça não citar, nesta sede, o nome do padre António Cartageno, por todos os conselhos que, há uns bons anos, me transmitiu. Lembro-me, muitas vezes, de lhe enviar, por e-mail, pequenas experiências composicionais e de ele responder, simpática e pedagogicamente, a todos os e-mails enviados. Foi um diálogo, sem dúvida, motivador.

 

7M – E no seu caso, Alfredo?

A.T. – A minha relação com a criação musical litúrgica remonta a um tempo de quase adolescência. Remonta a esse período musical a minha descoberta do movimento francófono de música litúrgica, nos seus diversos circuitos. Mais tarde, conheci Lucien Deiss, em idade avançada e já com problemas de saúde. Conheci ainda alguns compositores relevantes, embora sem o mesmo grau de internacionalização. Recordo Claude Tassin, que pertencia a uma nova geração que, para além de influências monásticas, mostrava uma particular sensibilidade à expressividade própria da canção urbana. Nunca encontrei, em Portugal, música litúrgica que tivesse ensaiado, de forma tão eficaz, esse cruzamento de mundos.

Na verdade, este universo da minha criação musical permaneceu sempre periférico, associado sobretudo às minhas experiências de vivência comunitária e às minhas relações com alguns grupos eclesiais. Devo ao Ensemble São Tomás de Aquino e ao João Andrade Nunes a oportunidade de dar a conhecer esse arquivo.

Hoje, quando escrevo, transporto já experiências diferentes…

 

7M – Quer dizer quais?…

Miserere, de Arvo Pärt: descobrir a “complexidade do simples”. 

A.T. – A minha prática de escrita musical acabou por se centrar noutros âmbitos, mas nunca deixou de incorporar as qualidades próprias da música ritual. Nesse sentido, mesmo se isso não se transcreve em formas de imitação, devo confessar a influência de compositores contemporâneos como: John Tavener, marcado por diversas tradições de música ortodoxa; Henryk Górecki  e os seus usos da homofonia; James MacMillan, em cuja música se cruzam o expressionismo modernista, a estética renascentista dos ritos romanos e a vocalidade tradicional da música gaélica escocesa; Gabriel Jackson, na  reinvenção contemporânea de uma arquitetura musical gótica; o Arvo Pärt da fase tintinnabulum, que me fez redescobrir a complexidade do simples (para mim, é sempre emocionante olhar o vinil ECM que tenho em casa, o álbum Miserere de 1991, que comprei com o dinheiro de um dos meus primeiros salários, numa altura em que estudava e trabalhava).

 

7M – De que modo esses nomes o influenciam?

A.T. – Não são influências necessariamente idiomáticas. São marcantes quando penso o que é a música em contexto ritual. Hoje é claro que, do ponto de vista da minha experiência, a criação para a música litúrgica exige a habitação de vários mundos. O trabalho de criação, neste terreno, em circuito fechado, parece-me uma resposta escassa aos desafios do presente. Como noutros contextos culturais se demonstra, é uma particular articulação entre o “dentro e o “fora” que facilita a expansão das energias de renovação.

 

7M – E nesse processo onde colocam música litúrgica mais local como a do Alentejo ou “universal” como Taizé? E que experiências desse género apontam ou sublinham?

J.A.N. – A historiografia sobre a prática litúrgica demonstra-nos que o território cristianizado conheceu vários ritos, que absorviam especificidades próprias, quer locais, quer regionais. Obviamente, a prática musical não ficou incólume a esta diversidade. Numa tentativa de impedir a desagregação da orbe cristã a Igreja entendeu que era necessário uniformizar; o rito litúrgico e o canto gregoriano deveriam ser, portanto, unitários. Claro que num território tão vasto e tão heterogéneo tornou-se impossível impedir o aparecimento ou ajustamento das diretivas da Santa Sé aos recursos locais.

O mundo hodierno mantém uma realidade idêntica, isto é, apesar de a Igreja disponibilizar e indicar um conjunto de fórmulas musicais universais, mormente baseadas em canto gregoriano, cada país, à luz de determinações oriundas de comissões eclesiais, produz música litúrgica com características próprias (compare-se, a título exemplificativo, o canto litúrgico europeu com o africano, asiático ou latino-americano). Foi neste sentido que, em Portugal, ao abrigo de práticas comparadas, apareceram os múltiplos cantorais e demais coletâneas do Secretariado Nacional da Liturgia.

Pese embora esta tentativa nacional de uniformização, as características regionais tenderam sempre a manifestar-se. É curioso o aparecimento de algumas formas de canto litúrgico ligadas ao estilo popular, com recurso à duplicação da melodia com intervalos de terceira ou, mais recentemente, experiências de canto litúrgico ligadas ao fado.

Um dos últimos discos de Taizé: um “desejo de universalidade” traduzido em fórmulas curtas e simples. 

A.T. – Taizé veicula um desejo de universalidade. No entanto, o veículo para esse ecumenismo não é a estética das diversidades. Trata-se de música para uma comunidade monástica que se quer abrir ao mundo, baseada em fórmulas musicais curtas e simples, com a capacidade de serem rapidamente apreendidas e adaptadas em várias línguas.

Não podemos perder de vista que a comunidade de Taizé chamou a si um compositor com uma forte inscrição na receção do Concílio Vaticano II, Jacques Berthier. Curiosamente, foi um dos fundadores da comunidade, o irmão Robert Giscard, que solicitou ao compositor a criação de pequenas composições, sob a forma de cânone, a partir de uma experiência de sucesso – um Jubilate Deo de Praetorius –, já em uso na comunidade. Assim, quando todos abandonavam o latim, Taizé estava a construir um reportório singular, em língua latina, a partir de processos musicais muito simples – o cânone, o ostinato, a litania, etc. Num mundo que se descobria numa nova fase de globalização, Taizé ensaiava uma nova linguagem que recorria a algumas das estruturas musicais mais universais: pulsação, periodicidade, harmonia, repetição, etc.

 

7M – A ideia da Missa Pro Pacem, neste disco, radica no papel que o cristianismo e as missas em música desempenham na cultura europeia que a concebeu?

J.A.N. – A Missa Pro Pacem foi, claramente, uma consequência de novas experiências. No Verão de 2019, durante o período de férias, iniciei um ensaio composicional que já há muito andava a magicar: compor um Kyrie, para coro e órgão, com uma linguagem mais elaborada. Quando iniciei conversações com o professor Alfredo Teixeira sobre a gravação de um disco, com músicas de ambos, ele motivou-me a dar seguimento à obra iniciada, isto é, a compor um Sanctus e um Agnus Dei.

No fundo, é esta a justificação formal da missa que consta no disco. Do ponto de vista material, as motivações foram outras, naturalmente. Durante a minha adolescência, passei por uma fase em que estava completamente vidrado na obra sacra de Mozart. Como muitos jovens estudantes de música, comprava discos e partituras de forma quase compulsiva, e conhecia de uma ponta à outra todas as missas brevis que o génio austríaco havia composto (pelo menos as que se encontravam editadas).

 

7M – E isso teve efeitos no seu processo criativo?

J.A.N. – Esta audição exaustiva fez-me mergulhar no propósito e no arquétipo musical que estava subjacente às missas de Mozart, missas essas que, de resto, se projetavam na tradição eclesial da Respublica Christiana. A música enfatiza e veicula o texto, jamais o ofusca. Por outras palavras, a música deve estar sempre ao serviço da Palavra. Esta era a lição primeira que havíamos herdado da Contrarreforma e que Mozart tão sublimemente praticara. Logo a seguir, aparecia a regra funcional e pragmática do padre Giovanni Martini – mestre de Mozart. Segundo ele, a missa brevis deveria manter o seu propósito de serviço litúrgico, nunca devendo ultrapassar, por isso, os três quartos de hora. Entre outras, estas regras de ouro tenderam a cristalizar-se e servir de medida para os compositores futuros.

Naturalmente, procurando manter uma linguagem própria, foi nesta linha que concebi a Missa Pro Pacem. É certo que se trata de uma missa que também não permite uma participação ativa da assembleia, mas que pode ser para ela um veículo de meditação e de louvor. Escutando também se pode tocar o transcendente.

(No vídeo a seguir, Sanctus, da Missa Pro Pacem, de João Andrade Nunes)

 

7M – E é também como proposta de escuta para tocar o transcendente que recorreu à poesia de José Augusto Mourão que dá forma a este disco?

A.T. – Na minha trajetória pessoal, de vivência e estudo do habitat litúrgico, encontrei, a dado momento, a “teopoética” de Frei José Augusto Mourão. Essa descoberta e essa amizade motivaram-me a manter este interesse por pensar e praticar o que pode ser a música como arte de dizer Deus – essa era a grande questão de José Augusto Mourão. Aliás, um dos estudos que dediquei ao seu pensamento tem o título: “A dicção de Deus”. De facto, a sua poesia litúrgica renovou em mim esse interesse por “dizer Deus”, poeticamente, na liturgia cristã.

 

7M – Dizer Deus ao (des)abrigo do nome é, aliás, o título de um dos livros de poemas que ele publicou…

A.T. – Sim, e a música é parte dessa arte poética. Em grande medida, José Augusto Mourão transporta-nos para a tradição viva da hinologia cristã, mas num contexto literário de radical abertura à nossa contemporaneidade. Dizemos de uma língua que é morta, porque perdeu os seus falantes. Ou seja, perdeu a possibilidade de “empalavrar” novas experiências. O “dizer Deus”, na textualidade que ele nos deixou, tem uma frescura enraizada teologicamente e um forte pendor crítico-profético. Não compactua com a indiferença. Não nos deixa indiferentes A descoberta dos seus textos resgatou-me da linguagem litúrgica petrificada e da pobreza literária que tantas vezes nos adormece no rito.

Creio felizes as palavras de futuro, de José Tolentino Mendonça, num breve texto de introdução, que nos ofereceu, e se encontra neste artefacto discográfico: “A propósito de Frei José Augusto Mourão OP, apetece recordar que, como existem profetas no campo social, existem também no domínio da estética. E são tão indispensáveis uns como os outros. Não tenho dúvida que, no renovamento da linguagem litúrgica em Portugal, Mourão foi profético e que o seu contributo se entenderá sempre melhor.”

 

7M – O Natal é um tema propício à criação de grandes músicas, litúrgicas ou não. Pode ser também um tema para ambos?

A.T. – Neste contexto, a liturgia católica pode dialogar com o riquíssimo arquivo dos cantos tradicionais da natividade, em Portugal. Um traço particular do cristianismo, a humanização de Deus, permitiu que as representações do divino facilmente se ancorassem na escala do humano, doméstico e social, abrindo o campo do simbólico entre a história santa e o drama humano, da dor à alegria mais expressiva. O presépio é o testemunho mais evidente desta transcrição miniatural da narrativa cristã.

Estas práticas tradicionais dão corpo a uma particular transação entre o lar (família), a rua e as casas (a comunidade social) e o espaço sagrado (o altar, a igreja). Fernando Lopes Graça, nas suas Cantatas de Natal, explorou esta íntima relação das diferentes dimensões dos ritos natalícios.

 

7M – Com uma dimensão narrativa…

A.T. – Na narrativa cristã, esta vinda de Deus ao mundo não acontece sob o signo do juízo – não vem para julgar e condenar –, mas sob o signo da hospitalidade. Deus, renunciando a encerrar-se no “unicamente” Deus, montou entre nós a sua tenda. O imaginário devocional português mostra-se muito sensível à poética do Deus que aceita a condição de recém-nascido. Desde modo, se canta a humanidade como berço de Deus – esse canto só pode ser um embalo.

O Natal transforma as linguagens sobre Deus. Das sentenças acerca do Deus absoluto, passamos à cantilena de um Deus frágil. A poética oral mostrou-se muito sensível a estas narrativas da humanização de Deus. Sou particularmente sensível a esse mundo expressivo. O Ensemble São Tomás de Aquino estreou em 2018 a minha Missa do Parto II que é uma pequena missa cantada que recria, para coro e órgão, cânticos devocionais da novena de Natal, recolhidos na Madeira – precisamente, o habitat das «missas do parto».

J.A.N. – O Natal é sempre um momento inspirador que traz ao de cima o que de melhor há na humanidade. Regra geral, sinto na sociedade uma ambiência benigna que me proporciona equilíbrio e vontade de celebrar o nascimento de Jesus através da composição. Ano após ano, acabo sempre por fazer novas harmonizações de cantos tradicionais natalícios ou por compor algo novo. Em 2015, por exemplo, compus uma peculiar Cantata de Natal – para coro, órgão e quinteto de sopros – que, através de pequenas passagens bíblicas e outras adaptações textuais por mim efetuadas, recria o nascimento de Cristo. Creio ter sido uma experiência feliz.

O livro-disco Vimos do Mar e da Montanha (ed. Paulus).

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O padre Sefer Bileçen, padre Aho no nome monástico, da Igreja Siríaca Ortodoxa, ofereceu comida a um grupo que bateu à porta do seu mosteiro. O Ministério Público turco disse que o grupo era do PKK e acusa-o de prestar auxílio a uma organização terrorista, como o Governo turco considera o PKK, que reivindica há décadas a independência do Curdistão.

Bênção de uniões homossexuais em debate na TSF

“Há portas que não devem ser fechadas, porque Deus é que está do outro lado dessas portas”, dizia, a terminar o debate, Jorge Teixeira da Cunha, padre e professor de Teologia Moral na Universidade Católica Portuguesa (UCP), no Porto. No programa Olhe Que Não, que passou nesta quarta-feira, 7 de abril, ao início da tarde, na TSF, com moderação do jornalista Pedro Pinheiro, discutiu-se o documento da Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, que respondia “negativo” a uma pergunta sobre se a Igreja não pode abençoar uniões homossexuais.

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Boas notícias

É notícia

Quebra de receitas da principal Igreja financiadora do Vaticano

A Igreja Católica alemã, que é líder no contributo que dá habitualmente para as despesas da Santa Sé (juntamente com a dos EUA), teve “um verdadeiro colapso” nas receitas, em 2020, segundo dados divulgados pelo jornal Rheinische Post, citados por Il Messaggero.

Francisco corta 10% nos salários dos cardeais

O Papa Francisco emitiu um decreto determinando um corte de 10% nos salários dos cardeais, bem como a redução de pagamento a outros religiosos que trabalham na Santa Sé, com efeitos a partir de 1 de abril, divulgou o Vaticano esta quarta-feira, 24 de março. A medida, que não afeta os funcionários com salários mais reduzidos, visa salvar os empregos no Vaticano, apesar da forte redução das receitas da Santa Sé, devido à pandemia de covid-19.

Espanha: Consignações do IRS entregam 300 milhões à Igreja Católica

Os contribuintes espanhóis entregaram 301,07 milhões de euros à Igreja Católica ao preencherem a seu favor a opção de doarem 0,7% do seu IRPF (equivalente espanhol ao IRS português). Este valor, relativo aos rendimentos de 2019, supera em 16,6 milhões o montante do ano anterior e constitui um novo máximo histórico.

Entre margens

Liberdade ou o valor das pequenas coisas novidade

Vivemos dezenas de anos cheios de momentos especiais e de benefícios que insistimos em banalizar porque estavam ao nosso alcance, diria mesmo garantidos. Era pelo menos o que pensávamos. Atualmente parece que começamos a conhecer o valor das pequenas coisas e, se assim é, estamos a aprender uma grande lição.Muitas pessoas perdem tempo (gostava de poder dizer – perdiam) com detalhes que as coisificam.

Persistência da desigualdade: O que Kuznets não viu novidade

A área das desigualdades tem um problema que muitas outras áreas da economia não têm: falta de dados. Esta situação deve-se não só ao facto de no passado não se ter registado da melhor forma, ou de todo, dados a nível de desigualdades, como também ao facto de não ser fácil aferir a realidade, por exemplo, dos rendimentos mais altos da sociedade, para chegar aos indicadores.

A necessidade de fricção na comunicação

A comunicação é a capacidade que o ser humano desenvolveu para sobreviver ao longo dos milénios da nossa existência sobre a Terra. Por isso, qualquer coisa que afecta a nossa capacidade de comunicar, afecta a nossa sobrevivência. Assim, é legítimo questionar o que os meios de comunicação estão a fazer ao nosso modo de comunicar. Não me refiro, propriamente, aos que protagonizam esses meios, como os jornalistas, mas aos meios em si, sobretudo, os mais recentes como os que encontramos nos nossos telemóveis.

Cultura e artes

A torrente musical de “Spem in Alium”, de Thomas Tallis

Uma “torrente musical verdadeiramente arrasadora”, de esperança pascal, diz o padre Arlindo Magalhães, comentador musical, padre da diocese do Porto e responsável da comunidade da Serra do Pilar (Gaia), a propósito da obra de Thomas Tallis Spem in Alium (algo que se pode traduzir como “esperança para lá de todas as ameaças”).

A Páscoa é sempre “pagã”

A Páscoa é sempre pagã / Porque nasce com a força da primavera / Entre as flores que nos cativam com promessas de frutos. / Porque cheira ao sol que brilha na chuva / E transforma a terra em páginas cultivadas / Donde nascem os grandes livros, os pensamentos / E as cidades que se firmam em pactos de paz.

50 Vozes para Daniel Faria

Daniel Faria o último grande poeta português do século XX, morreu há pouco mais de vinte anos. No sábado, dia 10, assinala-se o 50.º aniversário do seu nascimento. A Associação Casa Daniel assinala a efeméride com a iniciativa “50 Vozes para Daniel Faria” para evocar os poemas e a memória do poeta.

“Sequência da Páscoa: uma das mais belas histórias do mundo”

Sem poder ir ao cinema para poder falar de um novo filme que, entretanto, tivesse estreado, porque estamos em tempo de Páscoa e porque temos ainda viva diante dos olhos a profética peregrinação do Papa Francisco ao Iraque – que não pode ser esquecida, mas sempre lembrada e posta em prática – resolvi escrever (para mim, a primeira vez neste lugar) sobre um filme profundamente pascal e actual: Dos Homens e dos Deuses (é quase pecado não ter experimentado a comoção de vê-lo). E não fui o único a fazê-lo por estes dias.

Sete Partidas

É o vírus, estúpido!

No princípio da semana (22 março),  Angela Merkel reuniu com os ministros-presidentes dos estados alemães para tomar decisões sobre o que fazer perante o actual descontrolo da situação na Alemanha. As hesitações dos políticos e os truques que alguns responsáveis regionais arranjaram para iludir as regras combinadas por todos foram fatais para a luta contra a mutação inglesa. Esta terceira vaga está a ser ainda mais rápida e avassaladora do que já se temia.

Aquele que habita os céus sorri

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