Uma Aliança Lusófona pela Liberdade Religiosa (Allir) para promover, proteger e defender a liberdade de religião e crença em todos os países de língua portuguesa foi constituída por um grupo de cerca de duas dezenas de pessoas de Portugal, do Brasil, de Angola, de Moçambique, da Guiné e de Cabo Verde.
“Os casos de Angola, Moçambique e Guiné são centrais” entre os países da lusofonia em que é necessário proteger mais a liberdade religiosa, acrescenta o responsável, que é também professor de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona. Tal como o Brasil, onde “muitas confissões sofrem limitações a essa liberdade”, diz ao 7MARGENS Paulo Mendes Pinto, um dos dinamizadores da Allir.
No último caso, o crescimento evangélico, no Brasil, não pode deixar de “respeitar as tradições afro-brasileiras”, diz aquele responsável. “Esta é uma questão da máxima importância”, que se relaciona também com a dinâmica migratória: “A migração de populações brasileiras para Portugal, por exemplo, não pode colocar em causa a paz religiosa que existe. Por mais que muitos desses migrantes sejam neopentecostais, isso não lhes permite desenvolver uma hostilidade em relação aos terreiros das tradições afro-brasileiras”, acrescenta Mendes Pinto.
Esses imigrantes, diz ainda, “não podem colocar a igreja no centro da sua participação cívica – a cidadania é o local de encontro de todos os diferentes, crentes, ou não crentes”.
Académicos, advogados, membros de organizações não-governamentais, representantes de comunidades religiosas e outras pessoas para as quais a liberdade religiosa é importante, promoverão iniciativas com o foco na “luta pela liberdade religiosa onde ela não tem lugar” e na “consciencialização da liberdade religiosa como uma liberdade fundamental, que, por mais que pareça adquirida, tem de ser cimentada” serão preocupações no centro da nova organização.
A nova Aliança Lusófona pela Liberdade Religiosa apresenta-se como uma rede de pessoas, organizações da sociedade civil, líderes religiosos que se comprometam na promoção desta causa. A expectativa é que, “ao unir esses diferentes segmentos da sociedade, seja possível mobilizar a opinião pública e pressionar os governos para que a liberdade religiosa seja tratada como um direito inalienável e irrestrito, digno de protecção em todos os cantos do mundo lusófono”.
Entre as ideias propostas, estão as da publicação de relatórios anuais e estudos comparativos, bem como a organização de iniciativas e a atribuição de distinções a quem se destaque na defesa da liberdade religiosa.
Imagem de destaque: Sino do antigo mosteiro de São Bento, hoje Palácio de São Bento, sede do Parlamento português, início da exposição sobre os 20 anos da lei da Liberdade Religiosa em Portugal. Foto © João Cutileiro/Assembleia da República
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