
“Uma aldeia do Douro a morrer de saudades de dois rapazes de Cabo Verde.” Imagem © Helena Araújo
Nos confins do Douro. Fui a casa da vizinha buscar a sopa que ela fez para nós. Pediu desculpa pela desarrumação, os dois rapazes das Jornadas Mundiais da Juventude que eles tinham acolhido durante alguns dias tinham saído nessa manhã. Durante o dia tinham actividades com outros em São João da Pesqueira, à noite regressavam à casa deles. Eram de Cabo Verde, chamavam-lhe “mãe” – e “pai” ao marido.
O marido estava a jantar. Disse “nem vou falar”, e engoliu uma lágrima. Depois mostrou-me fotos dos dois rapazes, e as mensagens “Adeus, mãezinha, adeus paizinho. Havemos de voltar!”
Comovidos, ambos.
As JMJ também são isto: jovens do mundo inteiro a conhecer e a criar laços com pessoas dos cantos mais recônditos de Portugal.
E um casal de uma aldeia do Douro a morrer de saudades de dois rapazes de Cabo Verde. Dois filhos que lá têm agora.
Helena Araújo é autora do blogue Dois Dedos de Conversa, de onde este texto é reproduzido. Sobre o grupo de cabo-verdianos que esteve em São João da Pesqueira pode ler-se outro texto no 7MARGENS.










