
“O amor não é semelhante a uma língua que se precisa de aprender a falar, mas pode ser entendido de forma mais adequada como uma dieta equilibrada em que as pessoas precisam de uma gama completa de nutrientes essenciais para cultivar um amor duradouro”. Foto © Everton Vila / Unsplash
Os conselhos sobre as diferentes linguagens em que o amor se pode manifestar num casal não podem ser assumidos como receitas para a boa comunicação, mas antes como pontos que o casal pode ter em consideração, na vivência e reflexão sobre a vida a dois.
Esta ideia genérica decorre de estudos científicos que foram feitos a propósito do livro com mais de 30 anos e mais de 20 milhões de exemplares vendidos, “As cinco linguagens do amor”, de Gary Chapman.
Essas linguagens que constituem outros tantos capítulos da obra, são as palavras afirmativas (saudação, apreço, estímulo, agradecimento); contacto corporal; qualidade do tempo (dar à outra pessoa tempos de atenção exclusiva); atos de serviço (fazer o que o/a parceiro/a gosta que lhe façam); e receber presentes (como símbolos do amor). Ainda que, para o autor do livro, existam cinco linguagens do amor, cada pessoa pode ter uma linguagem como primária, aquela em que é mais fluente, que pode ou não ser a mesma que a do parceiro.
Um novo artigo publicado na revista Current Directions in Psychological Science, da autoria de uma equipa liderada por Emily Impett, professora de psicologia e diretora do Laboratório de Relações e Bem-Estar da Universidade de Toronto Mississauga, sugere que alguns dos princípios de Chapman não se verificam, ainda que, em geral, quando inquiridas individualmente, as pessoas deem importância elevada às cinco linguagens.
“O amor não é semelhante a uma língua que se precisa de aprender a falar, mas pode ser entendido de forma mais adequada como uma dieta equilibrada em que as pessoas precisam de uma gama completa de nutrientes essenciais para cultivar um amor duradouro”, escreveram Impett e os seus colegas, nesse artigo, citado num trabalho que o Religion News Service acaba de publicar.
O livro de Gary Chapman preencheu uma necessidade para os casais, pois “oferece aos parceiros uma oportunidade de refletir, discutir e responder às necessidades um do outro”, concluiu a equipa de investigadores de Impett.
Chapman, atualmente com 86 anos, disse-se surpreendido com os resultados da pesquisa, mas valorizou o facto de essa e outras pesquisas estarem a ser feitas e sublinhou que “todas as linguagens do amor são importantes”, acrescentando que “aquilo que faz com que uma pessoa se sinta amada não faz necessariamente com que outra pessoa se sinta amada”.
O autor, antropólogo por formação, começou a interessar-se por esta matéria ao ter de aconselhar casais da sua comunidade da Igreja Batista do Calvário em Winston-Salem, Carolina do Norte (EUA), que serviu como pastor ao longo de 50 anos e de que se reformou recentemente.









