
Foto: Kaya, a capital da região Centro-Norte do Burkina Faso. | Wikipedia
Théophile Nare, bispo da diocese de Kaya, Burkina Faso, convocou os fiéis para um dia de luto e três dias de oração pelas vítimas do ataque terrorista do passado sábado, 24 de agosto, na aldeia de Barsalogho, em que mais de 150 pessoas foram mortas, classificando-o como uma “tragédia sem precedentes”, noticia a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
Segundo relatos publicados na comunicação social, os residentes da comunidade de Barsalogho, situada a cerca de 30 quilómetros a norte de Kaya, capital da região Centro-Norte, estavam a cavar trincheiras defensivas para se protegerem de eventuais ataques terroristas quando, de súbito, mais de 100 jihadistas apareceram transportados em motorizadas, metralhando todas as pessoas que ali se encontravam, tanto civis como militares. Entre as vítimas encontram-se mulheres, crianças e idosos. Fontes locais disseram à Fundação AIS que o número de mortos é tão elevado que não foi possível enterrar todas as vítimas nos últimos três dias.
Este é o terceiro ataque ocorrido só neste mês de agosto e é já considerado como um dos mais sangrentos em toda a história deste país palco desde 2015 da ação de diversos grupos armados jihadistas [ver 7MARGENS].
O bispo da diocese de Kaya, Théophile Nare, descreveu o atentado como uma “tragédia de dimensões sem precedentes desde o início dos ataques terroristas”. Numa mensagem enviada aos fiéis no dia seguinte ao devastador ataque, o prelado expressou as suas condolências às famílias e apelou a um dia de luto pelos mortos a ser realizado nesta quarta-feira, 28 de agosto. Num comunicado enviado à Fundação AIS, o bispo apela também aos fiéis para três dias de oração como reparação por “todos os atentados contra a vida humana” em que tem sido derramado o sangue de inocentes.
Este último massacre volta a levantar sérias questões sobre a segurança no país. Segundo diversas testemunhas, o ataque prolongou-se durante várias horas. Os dois outros ocorridos em agosto tiveram lugar na província de Nayala, na região de Boucle du Mouhoun. Foi assim no dia 4 de agosto, quando homens armados entraram na aldeia de Nimina e raptaram mais de 100 homens de idades compreendidas entre os 16 e os 60 anos, cujo paradeiro permanece desconhecido. E foi assim também a 20 de agosto, quando os ataques às aldeias de Mogwentenga e Gnipiru provocaram mortos e a fuga de parte da população.









