
Sinto-me envergonhado e impotente todas as vezes que passo a Ponte Vasco da Gama e os vejo ao longe, ali estão a mariscar… Perdoem-me meus irmãos, não sei como vos ajudar…”, escreveu Américo Aguiar. Foto © Isarescheewin
O bispo de Setúbal manifestou esta terça-feira, 9 de abril, a sua proximidade aos mariscadores que exercem a sua atividade, de forma ilegal, no rio Tejo. Na sequência da morte de um deles e do desaparecimento de outro, junto ao Cais do Seixalinho, na noite do passado sábado, Américo Aguiar escreveu uma nota em que se assume ” envergonhado e impotente”.
“Que podemos e devemos fazer? Como corresponder às expectativas de todos os envolvidos, quem marisca, quem vende, quem compra? Como fazer bem feito, sem explorar, sem desrespeitar, sem matar?”, questiona o bispo no texto escrito a partir de Fátima, onde se encontra a participar na assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa.
“Infelizmente não sei responder. – continua Américo Aguiar – Sinto-me envergonhado e impotente todas as vezes que passo a Ponte Vasco da Gama e os vejo ao longe, ali estão a mariscar… Perdoem-me meus irmãos, não sei como vos ajudar…”
Um dia depois de ter sido conhecida a declaração Dignitas Infinita (“Dignidade infinita”) publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, do Vaticano, sobre as violações da dignidade humana, o responsável pela diocese de Setúbal quis transmitir que esta mensagem “se pode alargar a todos os que vivem situações de exploração e pobreza”, às quais não podemos ficar indiferentes.









