AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) apareceu esta quarta-feira, 6, a dar sinais de vida na Península Ibérica, através de uma tomada de posição conjunta com a Conferência Episcopal (Católica) de Espanha (CEE), na qual se faz um apelo à paz…e ao presidente Putin. Na declaração conjunta da IOR em Espanha e Portugal e da CEE, refere-se que as respetivas igrejas “se unem perante a dor e o sofrimento provocado a tantos irmãos nossos, ortodoxos, católicos e pessoas de todas as crenças, devido à invasão da Ucrânia pela Rússia”.

Declaração conjunta em Espanha

Bispos católicos e ortodoxos russos unem-se contra a guerra

| 06/04/2022

catedral moscovo russia foto boon som

O documento apela “a todos aqueles que têm o poder de parar a violência e a barbárie a ouvir em sua consciência a voz de Deus. Foto © Boonsom.

 

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) apareceu esta quarta-feira, 6, a dar sinais de vida na Península Ibérica, através de uma tomada de posição conjunta com a Conferência Episcopal (Católica) de Espanha (CEE), na qual se faz um apelo à paz…e ao Presidente Putin. Na declaração conjunta da IOR em Espanha e Portugal e da CEE, refere-se que as respetivas igrejas “se unem perante a dor e o sofrimento provocado a tantos irmãos nossos, ortodoxos, católicos e pessoas de todas as crenças, devido à invasão da Ucrânia pela Rússia”.

“Desde a Segunda Guerra Mundial que a Europa não afrontou uma guerra de tal magnitude, como esta guerra repugnante [ênfase no texto original], que agrava a já difícil crise provocada pela pandemia de covid-19”, diz o comunicado das duas entidades.

Depois de apelar à oração pela paz na Ucrânia e de agradecer a partilha e solidariedade que se têm registado, o documento apela “a todos aqueles que têm o poder de parar a violência e a barbárie a ouvir em sua consciência a voz de Deus, que rejeita o mal e a guerra, e chama para reconstruir a fraternidade universal”.

Assinam esta posição o arcebispo de Madrid e de Lisboa, ligado ao Patriarcado de Moscovo, e o arcebispo de Granada, que é também presidente da Subcomissão Episcopal para as Relações Interconfessionais e Diálogo Inter-religioso, dos bispos católicos.

 

Responsável anglicano impiedoso com Patriarcado de Moscovo
Patriarca Cirilo usa argumentação do governo de Vladimir Putin. Foto © Ivars Kupcis/WCC-CMI.

“Convém a Putin ter uma instituição eclesiástica complacente, e, inversamente, a instituição eclesiástica dá-se muito bem com o regime de Putin”, afirma o ex-arcebispo de Cantuária, Rowan Williams. Foto © Ivars Kupcis/WCC-CMI.

 

“Quando uma Igreja está a apoiar ativamente uma guerra de agressão, evitando condenar violações óbvias de qualquer tipo de conduta ética em tempo de guerra, então outras Igrejas têm o direito de levantar a questão.”

Quem afirmou isto foi o ex-arcebispo de Cantuária e ex-responsável máximo da Igreja Anglicana Rowan Williams no programa Sunday (Domingo) da BBC (Radio 4), no qual defendeu que “existe aqui um forte argumento para expulsar a Igreja Ortodoxa Russa do Conselho Mundial de Igrejas”, ao estar a apoiar a invasão de um país e não fazer uma clara condenação das matanças de civis.

O ex-arcebispo falava também enquanto autor de diversos livros e autoridade reconhecida no cristianismo ortodoxo, tendo aprendido russo para estudar as obras de Dostoiévski. Publicou em 2021 Looking East in Winter: Contemporary Thought and the Eastern Christian Tradition (Bloomberg Continuum), para referir o seu mais recente estudo. No programa radiofónico, Williams discutia, de resto, a relação entre a Igreja e o Estado russo, fazendo comparações de natureza histórica com igrejas na África do Sul do apartheid e da Alemanha nazi.

Na conversa com o condutor do programa Sunday, o arcebispo observou que “ainda está à espera” de que alguma figura sénior da hierarquia ortodoxa [russa] diga que a matança de inocentes é inequivocamente condenada por todas as formas de cristianismo”. Entre a hierarquia não se registou sequer um pedido de cessar-fogo. “É o mínimo que espero ver”, acrescentou Williams.

“Convém a Putin ter uma instituição eclesiástica complacente, e, inversamente, a instituição eclesiástica dá-se muito bem com o regime de Putin: muitas igrejas caras construídas, muitos privilégios para a hierarquia que ainda está, de certa forma, a recuperar de todas aquelas décadas de perseguição feroz sob o regime comunista”, acentuou Rowan Williams.

 

Mundo ortodoxo em “convulsão”

Prosseguem, entretanto, as demarcações e críticas de igrejas ortodoxas, somando-se a muitas outras, em países ocidentais e orientais.

“Algumas igrejas estão tão zangadas com Cirilo por causa de sua posição sobre a guerra que estamos a enfrentar uma convulsão na ortodoxia mundial”, disse Tamara Grdzelidze, professora de Estudos Religiosos da Ilia State University, na Geórgia, e ex-embaixadora da Geórgia no Vaticano, em declarações à Reuters, citadas pelo site Ekathimerini.

O metropolita de Calcedónia, Emanuel, considerou, em entrevista a uma televisão grega, “ultrajante o silêncio do Patriarca Cirilo, de Moscovo. “Acredito que ele veja a realidade, mas pode não ser livre para falar e dizer o que pensa e sobre o qual qualquer pessoa razoável poderia opinar”.

Bem mais contundente para com o patriarca de Moscovo foi o arcebispo ortodoxo de Helsínquia, na vizinha Finlândia, quando com veemência, apelou: “Pelo amor de Deus, acorde e condene este mal”. “Lembre-se das promessas que fez diante de Deus, como bispo e patriarca. Elas serão tidas em conta perante o Todo-Poderoso”, avisou. E ainda: “Chegou a hora de a Igreja na Rússia perceber que se extraviou.”

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur

[Entre Margens]

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidade

Não sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This