
Alberto Vieira – FELIZ ⅃ATAN. Instalação. Braga, 2023. Foto © Eduardo Jorge Madureira
“Bom Natal e Feliz Ano Novo”. Os desejos amplamente formulados na quadra natalícia seriam interpretados literalmente há 50 anos e 1974 tornar-se-ia, de facto, um ano excepcionalmente feliz para o povo português. Foi mesmo um Feliz Ano Novo.
Mas isso não era certo no Natal de 1973. As celebrações de fachada abundavam. No dia 24 de Dezembro, como habitualmente, a Rádio Televisão Portuguesa dava voz a dezenas de soldados da guerra colonial. Em poucos segundos, cada um podia identificar-se, referir aqueles a quem se pretendia dirigir e formular um voto de felicidades. Antes de passar o microfone a outro camarada de armas, um ou outro podia dizer que estava bem, como era possível ver. Não estariam, realmente, bem, mas menos mal quando o podiam dizer.
No feliz Natal seguinte, a guerra colonial não era já o pesadelo que se vislumbrava no horizonte da juventude portuguesa. O 25 de Abril de 1974, cujo cinquentenário comemoraremos em breve, demonstrou que nem todos os males duram sempre. A força de vontade pode mudar o destino – não conforme sugerem os livros de auto-ajuda, mas enquanto projecto colectivo. Os tempos sombrios podem iluminar-se.
Uma outra guerra, a do Vietname, que mobilizou a atenção da opinião pública internacional e deu origem a obras-primas cinematográficas, também não tardaria a conhecer o derradeiro capítulo.
Hoje como ontem, em muitas latitudes, há guerras escandalosas e guerras que suscitam a indiferença da comunidade internacional. É preciso, como sempre, vozes que ajudem a construir uma paz global. O mundo, a Europa e Portugal têm problemas cuja resolução tarda: “A paz, o pão, habitação, saúde, educação”. Mas o Natal é portador de um convite cuja antítese é a resignação.
Talvez possamos, por isso, continuar a desejar Bom Natal e Feliz Ano Novo.
Esperança, pois. Entusiasmo, ainda. E força.










