No início da próxima semana?

Cardeal Tolentino “dentro de dias” o novo prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação

| 23 Set 2022

Cardeal José Tolentino Mendonça. Foto © António Marujo.

 

O cardeal português José Tolentino Mendonça, actual arquivista e bibliotecário da Santa Sé, será nomeado “dentro de dias” como novo responsável do novo Dicastério para a Cultura e a Educação, do Vaticano – soube o 7MARGENS junto de fontes eclesiásticas.

De acordo com alguns indicadores, a nomeação pode ocorrer já no início da próxima semana. Ela será uma das consequências da entrada em vigor da nova constituição Praedicate Evangelium (“Anunciai o Evangelho”), que regula e renova o funcionamento da Cúria Romana.

No novo cargo de prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação (DCE), que já se previa que poderia vir a ser ocupado pelo cardeal português, Tolentino Mendonça passará a reunir as responsabilidades que até agora estavam atribuídas à Congregação da Educação Católica e ao Conselho Pontifício para a Cultura. Ou seja, ficarão sob a sua tutela, conforme o 7MARGENS recordou em Junho, a rede escolar católica do mundo inteiro, com 1360 universidades católicas e 487 universidades e faculdades eclesiásticas com 11 milhões de alunos e outras 217 mil escolas com 62 milhões de crianças. No outro pelouro que passará a estar sob a sua tutela, o cardeal Tolentino coordenará o diálogo da Igreja universal com o mundo da cultura – não só a literatura ou as artes e o património, como também o desporto, a ciência e a Inteligência Artificial, como recordava, também em Junho, o semanário católico inglês The Tablet.

Neste novo cargo, Tolentino Mendonça substituirá, no ex-Conselho Pontifício para a Cultura, o cardeal Gianfranco Ravasi, que completa os 80 anos (idade limite para votar num eventual conclave) já em Outubro; e na ex-Congregação da Educação Católica, sai o cardeal Giuseppe Versaldi, que fez 79 anos no final de Julho.

 

Um passo mais na reforma da Cúria

No novo Dicastério para a Cultura e a Educação, Tolentino Mendonça irá encontrar o bispo Carlos Azevedo, até agora “delegado” do Conselho Pontifício para a Cultura, que era dirigido pelo cardeal Gianfranco Ravasi – que foi quem sugeriu ao Papa o nome de Tolentino para orientar os exercícios espirituais da Quaresma de 2018, que levaram depois à nomeação do actual prefeito da Biblioteca Apostólica do Vaticano para esse cargo, em Julho seguinte. Mas dificilmente poderão ficar dois portugueses em lugares tão destacados, a dirigir um Dicastério com esta importância. Por isso, é de prever que Carlos Azevedo seja nomeado para outro lugar.

Com esta nomeação, Tolentino Mendonça também regressa, de certo modo, à sua primeira “casa” na Cúria Romana: entre 2011 e 2018 o então padre foi consultor do Conselho da Cultura, participando em reuniões periódicas deste organismo. A partir de Fevereiro de 2020, passou a integrar o CPC como membro – ou seja, como um dos responsáveis, que reúnem mais frequentemente e estabelecem prioridades e a acções a desenvolver.

No novo cargo, o cardeal Tolentino, que completa 57 anos no final do ano, passará a reunir também várias das facetas do trabalho que já desempenhou em Portugal: além de ser poeta, teólogo e biblista, foi ele que dinamizou o Secretariado da Pastoral da Cultura, quando a Conferência Episcopal decidiu criar esse organismo; capelão e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), foi também ele que colocou a Igreja a reconhecer o trabalho de várias personalidades que, embora na órbita católica, não eram valorizadas pela instituição: o cineasta Manoel de Oliveira, o actor e encenador Luís Miguel Cintra, a artista Lourdes Castro, o padre e cientista Luís Archer, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, a classicista Maria Helena Rocha Pereira ou o poeta Fernando Echevarría, entre vários outros.

Esta nomeação é mais um passo na rearrumação que o Papa Francisco está a fazer dos cargos da Cúria Romana, tendo em conta a nova constituição Praedicate evangelium, que passou a regular o funcionamento da estrutura central da Igreja Católica. Esse documento entrou em vigor no início de Junho e, entre outras mudanças, prevê a possibilidade de qualquer baptizado (homem ou mulher) – e já não apenas cardeal – dirigir um dicastério, estabelece o limite de cinco anos para a generalidade dos mandatos, ao mesmo tempo que dá prioridade absoluta à evangelização.

 

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