Os telefones da Cáritas do Oregon (EUA) “não param de tocar”, confessa a sua diretora operacional, Rose Bak, por causa da preocupação dos bancos de alimentos de toda a região com a ameaça da Administração Trump de cortar as senhas do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) aos necessitados de todos os Estados que não enviaram ao Governo federal os dados dos beneficiários que este exigiu em maio deste ano.
A ordem foi cumprida por 29 Estados, mas outros 21 governados por democratas recusaram-se a entregar a Washington as requeridas informações — que incluem estatuto imigratório, declaração de rendimentos e outros dados de identificação — sobre os beneficiários do SNAP, alegando que tal constituiria uma violação de privacidade. Nesta base, levantaram processos contra a Administração Trump.
A situação é tão mais grave quanto a mesma Administração evocou a inexistência de orçamento para suspender durante duas semanas do mês de novembro os apoios alimentares do SNAP, só retomados depois do Congresso ter votado favoravelmente o Orçamento de Estado proposto pelo Presidente.
Rose Bak disse à Catholic News Agency que a Cáritas do Oregon “já esgotou a maior parte dos seus stocks” durante a crise de novembro e por causa do aumento das necessidades da população mais pobre que enfrenta o constante aumento dos preços dos alimentos.
Brooke Rollins, a ministra da Agricultura, afirmou no dia 2 de dezembro que uma análise inicial dos dados enviados pelos 29 estados mostrou que 186.000 pessoas receberam benefícios do SNAP usando números da segurança social de pessoas falecidas e que cerca de 500.000 de pessoas receberam apoios em duplicado. Porém, segundo a Catholic News Agency, o Ministério da Agricultura não divulgou tais dados.
Nessa mesma ocasião, Rollins prometeu que “a partir da próxima semana, será interrompida a transferência de fundos federais para os Estados que não respondam ao pedido e informação” feito em maio e que “não se disponham a erradicar as fraudes e proteger o contribuinte americano”.
Nos EUA, há atualmente mais de 44 milhões de pessoas que passam fome por não conseguirem obter rendimentos suficientes para comprarem comida. Em muitos dos Estados que poderão ser afetados, as Cáritas locais são as maiores provedoras de assistência alimentar, logo após o SNAP. Comparando a iminente suspensão de apoios do SNAP com ocorrida em novembro, Rose Bak disse que esta seria “definitivamente pior”.
Igual comentário foi transmitido à Catholic News Agency por Ashley Valis, diretora de operações da Cáritas de Baltimore: “Outra crise colocaria uma pressão imensa sobre as famílias que já estão em dificuldades, bem como sobre organizações como a Cáritas, que já enfrentam uma procura crescente por alimentos e assistência de emergência.”










