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O padre Lazar Aslam é um ativista dos direitos humanos, apoiando cristãos perseguidos no Paquistão. Foto: Direitos reservados.
O padre Lazar Aslam (de branco, à esquerda) é um ativista dos direitos humanos, apoiando cristãos perseguidos no Paquistão. Foto: Direitos reservados.

Organizações e católicos preocupados

Casos alarmantes de abuso e perseguição aos cristãos paquistaneses

| 08/06/2025

Minorias religiosas no Paquistão – sobretudo cristãos, mas também hindus – enfrentam “um padrão consistente e alarmante de abuso e perseguição” no país, de acordo com um comunicado do Fórum de Direitos Humanos do Paquistão (HRFP, da sigla em inglês), que faz referência a trabalhos de investigação recentes sobre o tema.

Só nos primeiros três meses deste ano, o HRFP registou 16 casos de abusos contra minorias, sendo que a maioria não foi investigada de forma independente, com a justiça a continuar a ser necessária. A maioria desses casos envolveu sequestro, conversão forçada de meninas cristãs ao islão, casamento forçado e alegações de blasfémia contra homens e mulheres cristãos, com as vítimas a terem dificuldades para obterem justiça, devido aos seus “recursos limitados”.

Segundo o Fórum de Direitos Humanos, os autores dos ataques agem contra pessoas com base na sua religião e crenças, e contam com frequência com o apoio de figuras religiosas e políticas poderosas. Este organismo indica que devem ser tomadas medidas para lidar com a impunidade e a falta de justiça em relação a uma série de abusos contra membros de minorias religiosas.

Naveed Walter, presidente do HRFP, refere que “as minorias religiosas no Paquistão são alvos mais fáceis de ataques, assassinatos, acusações de blasfémia, sequestros, conversões forçadas e casamentos forçados”, e a “falta de atenção ao sofrimento e à negligência dessas comunidades é ainda mais dolorosa”. 

Masih, jovem cristão que foi falsamente acusado de roubo por muçulmanos. Foi submetido a violência física. Foto: Direitos reservados.

Masih, jovem cristão que foi falsamente acusado de roubo por muçulmanos. Foi submetido a violência física. Foto: Direitos reservados.

Entre os casos registados pelo HRFP, a revista Fátima Missionária faz referência a seis – Ariha Gulzar, uma menina cristã de 12 anos, e Shahnaz Bibi, uma jovem cristã de 24 anos, foram ambas sequestradas, convertidas à força ao islão e casadas com os seus sequestradores. Wasif Masih, um jovem cristão, foi falsamente acusado de roubo por muçulmanos. Foi submetido a violência física, cobriram-lhe o rosto com tinta e foi obrigado a percorrer as ruas como forma de humilhação. Javed Masih, um comerciante cristão de 30 anos, foi atacado por homens muçulmanos que o acusaram falsamente de falar contra o islão. Javed foi ameaçado e ficou gravemente ferido, permanecendo escondido com a sua família.

 

O cristão Farhan Masih foi falsamente acusado de blasfémia por um clérigo local. Viu-se obrigado a deixar o seu emprego, colocando a sua família com problemas financeiros e legais. O jovem cristão Akash Karamat esteve preso mais de 17 meses sob acusações de blasfémia, as quais negou. Para o HRFP, este caso é “um exemplo flagrante do uso indevido das leis de blasfémia do Paquistão”.

Lazar Aslam (ao centro, de branco), padre franciscano capuchinho de 39 anos, está ao serviço na arquidiocese de Lahore, no Paquistão. Foto: Direitos reservados.

Lazar Aslam (ao centro, de branco), padre franciscano capuchinho de 39 anos, está ao serviço na arquidiocese de Lahore, no Paquistão. Foto: Direitos reservados.

Perante estes casos, o 7MARGENS e a Fátima Missionária entraram em contacto com Lazar Aslam, um padre franciscano capuchinho de 39 anos e um ativista dos direitos humanos, que está ao serviço na arquidiocese de Lahore, no Paquistão, país onde nasceu. A partir do Paquistão, e através da troca de várias mensagens por correio eletrónico, o padre Aslam deu a conhecer outros casos de perseguição a cristãos ocorridos este ano.

[LEIA A ENTREVISTA A LAZAR ASLAM: “A Europa pode contribuir para o avanço dos direitos humanos no Paquistão”]

Um dos casos diz respeito a Waqas Masih, de 22 anos, que “foi brutalmente atacado pelo supervisor” da fábrica onde trabalhava, por se recusar a converter ao islão. A gravidade do ataque obrigou à sua hospitalização. Outro caso envolveu Kashif Masih, um jovem cristão sujeito a tortura extrema e a tratamentos desumanos, que provocaram a sua morte.

Lazar Aslam apresenta também o caso de Saba, uma menina cristã de 12 anos raptada e convertida à força ao islão por um homem já casado. Outro ataque envolveu o roubo e a violação coletiva de Shumaila Noor. “Os agressores levaram à força 800 rúpias em dinheiro e um telemóvel. Ao descobrirem a identidade cristã da família da vítima [Shumaila], começaram a usar linguagem ofensiva e o roubo transformou-se numa violação coletiva e perseguição.”

 

Outro caso envolveu Asma Saleem Masih, de 20 anos. A jovem foi “atraída por uma amiga muçulmana para entrar num ‘Toyota Corolla’ sob o pretexto de se encontrar com o seu primo”, e foi levada para uma residência onde “foi esbofeteada” e violada por “quatro homens”. O “ataque foi gravado em vídeo pelos agressores, que usaram as gravações para a chantagear”, refere o padre capuchinho, adiantando que “apesar dos repetidos apelos, as autoridades locais têm prestado pouca cooperação e não se têm registado progressos visíveis na investigação”. Segundo o padre Aslam, a jovem “é oriunda de uma minoria cristã e de uma família desfavorecida”, que agora “enfrenta graves traumas emocionais”. O sacerdote explica que este ataque “reflete um padrão mais amplo de discriminação e violência contra as minorias religiosas no Paquistão, especialmente contra mulheres”.

 

Texto publicado ao abrigo da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária.

 

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