AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Catarina Salgueiro Maia

Catarina Salgueiro Maia não abandonou os velhotes do lar onde trabalha nem os desejos de um mundo mais justo

| 11/04/2020

Catarina Salgueiro Maia não abandonou os velhotes do lar onde trabalha nem os desejos de um mundo mais justo

| 11 Abr 20

Catarina Salgueiro Maia

Catarina Salgueiro Maia, filha do capitão Salgueiro Maia e trabalhadora de limpezas no Luxemburgo. Foto © António Pires, cedida pelo autor.

 

Esta mulher podia ter parado de trabalhar como tantas colegas, mas não o quis fazer, conta o jornalista Ricardo J. Rodrigues, no jornal português Contacto, do Luxemburgo. “O meu marido trabalha nas obras, que agora pararam, e então ele pode tomar conta da miudagem. E não é só isso. Num período destes temos de fazer a nossa parte para que o mundo seja mais justo, ou mais livre. Se as limpezas acabassem, os hospitais não podiam funcionar, os velhotes ficavam ao abandono. Nunca saberia viver com isso.”

A mulher que assim fala é Catarina Salgueiro Maia, 34 anos, filha do capitão Fernando Salgueiro Maia que, há quase 46 anos, dominou sem qualquer tiro e sem derramamento de sangue, as forças fiéis ao regime do Estado Novo, pondo fim à ditadura que dominou Portugal durante quase meio século.

Catarina vive desde 2011 em Esch-sur-Alzette, a segunda maior cidade do grão-ducado. Não deixou de trabalhar. Continua a ir ao lar de idosos, por conta da firma para a qual trabalha. Tem “muito orgulho” na sua profissão, lutando pela dignidade do trabalho que ela e as suas companheiras fazem.

Catarina Salgueiro Maia

Catarina Salgueiro Maia tem “muito orgulho” na sua profissão. Foto © António Pires, cedida pelo autor.

Mãe de quatro filhos – um dos quais com asma, o que cria problemas redobrados –, viu-se assim sindicalista, esclarecedora de dúvidas jurídicas, cozinheira, arrumadora de quartos, lavadoura de loiça, moça de recados e compras para a vizinha que está sozinha, professora e companheira de jogos para os filhos…

No lar onde trabalha, com mais de 200 pessoas, o número de funcionárias diminuiu, o trabalho redobrou por causa da pandemia. “E no meio disto tudo o que me dói mais é não poder dar um beijinho aos velhotes, que são aqueles que nos apreciam realmente. Não pode ser, eu sei. Mas custa.”

A sua luta, diz, é pela decência, uma lição que aprendeu do pai. “Penso muito no meu pai, por estes dias. De como seria estranho para ele, que combateu pela liberdade, ver como uma doença obrigou o mundo a cessar a democracia.”

Lembra-se do pai a cantar-lhe o fado A Samaritana, até morrer, quando ela tinha 6 anos, a 4 de Abril de 1992. E agora só se sente estranha quando, a 25 de Abril, não pode descer a Avenida da Liberdade. “Eu só espero que ele, esteja onde estiver, tenha orgulho da filha. Não estudei nem tenho nenhum cargo importante, mas decidi lutar por alguma coisa que considerava justa e acho que seria isso que realmente importaria para ele.”

Seria, sim, Catarina.

(A reportagem integral sobre Catarina Salgueiro Maia pode ser lida no Contacto)

Catarina Salgueiro Maia

“Decidi lutar por alguma coisa que considerava justa e acho que seria isso que realmente importaria para o meu pai.” Foto © António Pires, cedida pelo autor.

[related_posts_by_tax format=”thumbnails” image_size=”medium” posts_per_page=”3″ title=”Artigos relacionados” exclude_terms=”49,193,194″]

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Padres Contra o Genocídio levam a Roma os nomes de 300 crianças mortas

Rede internacional

Padres Contra o Genocídio levam a Roma os nomes de 300 crianças mortas novidade

Cerca de 100 padres vão reunir-se esta terça-feira, 22 de setembro, em Roma, para mais uma jornada de oração e uma marcha promovidas pela rede internacional Padres Contra o Genocídio. Os participantes levarão consigo um grande pano branco com os nomes de 300 crianças palestinianas e libanesas que, segundo os organizadores, foram mortas desde a declaração dos dois “cessar-fogos”.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This