
‘A eliminação progressiva dos combustíveis fósseis deve estar concluída em 2040, o que, além de ter um impacto muito positivo no clima “favoreceria a paz e reforçaria a democracia, garantindo ao mesmo tempo o cumprimento das metas de Paris” ‘. Foto @ Germanwatch
Redução mais rápida das emissões de gases com efeitos de estufa, eliminação total do recurso aos combustíveis fósseis em 2040 e apoio aos esforços adicionais de mitigação climática noutras partes do mundo através de parcerias climáticas e financiamento multilateral, são os pontos que a organização ambientalista alemã Germanwatch quer que a Comissão Europeia (CE) inclua na declaração que fará na próxima terça-feira, dia 6 de fevereiro, sobre as metas climáticas da Europa para 2024.
Antecedendo as eleições europeias de junho e a posterior escolha de uma nova Comissão Europeia, a ambição que a atual CE coloque as metas e objetivos climáticos para os próximos anos ganha maior importância do que o habitual porque poderão condicionar o debate político e as escolhas dos cidadãos europeus nos próximos meses.
No que diz respeito às emissões de gases com efeito de estufa, a organização alemã sustenta que é necessário e possível reduzi-las em pelo menos 90 por cento (ou, de preferência, em 95 por cento) até 2040 (em comparação com os níveis de 1990, incluindo os ganhos proporcionados pelos sumidouros). Até 2035, a UE deverá, de acordo com a proposta da Germanwatch, reduzir as suas emissões líquidas em pelo menos 76 por cento (ou, de preferência, em 78 por cento). Para cada uma destas metas, deverá ser definido um máximo de três pontos percentuais como contribuição dos ecossistemas e sumidouros técnicos.
O compromisso atual a que chegaram os Estados-membros aponta para uma redução das emissões em 55 por cento até 2030, mas tal compromisso tem sido posto em causa por vários relatórios que dão conta de que as reduções reais conseguidas nos últimos anos são muito inferiores às que seriam precisas para se alcançar tal objetivo.
A eliminação progressiva dos combustíveis fósseis deve estar concluída em 2040, o que, além de ter um impacto muito positivo no clima “favoreceria a paz e reforçaria a democracia, garantindo ao mesmo tempo o cumprimento das metas de Paris”. Tal eliminação a realizar nos próximos 17 anos “deve ser concretizada de forma socialmente responsável”, compensando eventuais impactes sociais e económicos. Recorde-se que a União adotou legislação que a obriga a ser neutra do ponto de vista climático a partir de 2050.
Mas, como a catástrofe climática não se pode combater apenas num continente e existem nações com pouquíssimos recursos para combater os terríveis efeitos que as atingem apesar de quase nada contribuírem apara a crise climática, a União Europeia deve apoiá-las nesse combate. Assim, a Germanwatch defende que “a UE e a Alemanha devem desenvolver esforços adicionais de mitigação climática noutras partes do mundo através de parcerias climáticas e financiamento multilateral”.
A estes três grandes objetivos, é ainda solicitado à CE que “pense para além de 2040” e defina desde já “o rumo para garantir que após 2050 seja permanentemente removido da atmosfera mais CO2 do que o emitido pelos Estados-Membros”.









