
“Há que aproveitar ao máximo, quer na adoração, quer na caridade, quer na mera recordação de Deus e finalizar a leitura do Alcorão.” Foto © Levgenii Meyer
Já aqui falámos da importância que as noites assumem no calendário deste sagrado mês e, destas, as últimas dez noites são especialíssimas. Eu justifico: a cada dez dias, há um propósito específico, e se os primeiros são da Misericórdia e do Perdão, estes últimos têm como intento a procura do refúgio divino.
É como se desejássemos a proteção do Senhor dos Mundos durante todo o ano, selando assim o mês sagrado e ansiando pela vinda do próximo, que infelizmente nem todos terão o privilégio de presenciar.
A agenda intensifica-se. Há que aproveitar ao máximo, quer na adoração, quer na caridade, quer na mera recordação de Deus e finalizar a leitura do Alcorão (os muçulmanos têm por hábito recitar um dos 30 capítulos (Ajza) do Livro Sagrado por dia, perfazendo assim um Alcorão completo durante todo o mês).
Há que começar a pensar e a preparar as festas e tal também ocupa algum tempo na intensa rotina do mês do Ramadão.
Já ouvi dizer que o que mais cansa neste mês é a ausência ou privação do sono, o que talvez seja possível, pois se durante o dia estamos em modo “standby”, à noite procuramos enfatizar os rituais de adoração, através da oração facultativa e da leitura das escrituras.
Nestes últimos dez dias há também uma procura incessante e intrigante pela Noite do Poder, Lailatul Cadre, que é uma noite equivalente a 1000 meses e que marca o início da revelação.
Não há uma data exata para a mesma, embora muitos teimosamente queiram celebrá-la a 27 do mês e nós entendemos tal como um sinal divino para que a procuremos, nas últimas dez noites, havendo forte probabilidade da mesma ocorrer nas noites ímpares.
A adoração e vigília na noite de Cadre são um deleite para a alma. O coração tende a derreter-se em lágrimas de gratidão sincera e o corpo está em êxtase angelical.
A alma esforça-se para chegar mais perto de Deus Todo Poderoso. Neste sagrado mês do Ramadão, esforçamo-nos na procura do perdão e da bem-aventurança.
Que Deus nos recompense com a sua infinita abundância e nos permita estar cá para o ano!
Khalid Jamal é conselheiro da presidência da direcção da Comunidade Islâmica de Lisboa. Neste Ramadão, partilhou com os leitores do 7MARGENS algumas reflexões a propósito do mês sagrado do islão. As crónicas anteriores podem ser lidas aqui.




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