
McElroy, perto de completar 71 anos, esteve desde 2015 como prelado da diocese de San Diego, na Califórnia. Foto © Diocese de San Diego
A arquidiocese e capital política dos Estados Unidos da América, Washington, passou a contar, a partir desta segunda-feira, dia 6, com um novo arcebispo, o cardeal Robert McElroy, que é conhecido pelas suas posições em sintonia com a reforma da Igreja desejada pelo Papa Francisco, o que não deixa de ter significado, se se tiver em conta que Donald Trump assume, no próximo dia 20, as funções de presidente do país, em segundo mandato.
McElroy, perto de completar 71 anos, esteve desde 2015 como prelado da diocese de San Diego, na Califórnia, e vai agora substituir o cardeal Wilton D. Gregory, o primeiro purpurado de origem afroamericana, que atingiu já há dois anos o limite de idade (75 anos).
Falando numa conferência de imprensa, juntamente com o arcebispo Gregory, McElroy foi claro quanto à anunciada intenção do presidente eleito de deportar milhões de imigrantes em situação ilegal. Assumindo a doutrina da Igreja sobre a legitimidade de um Estado controlar as suas fronteiras, o cardeal alertou que, “ao mesmo tempo, somos chamados sempre a ter um sentido da dignidade de cada pessoa humana”. E concretizou: “os planos que foram discutidos em alguns níveis de haver uma deportação massiva indiscriminada mais ampla, em todo o país… seria algo incompatível com a doutrina católica”.
O cardeal McElroy foi, entretanto, cauteloso, por entender ser necessário aguardar o que vai fazer de facto a administração. Ele deseja “sucesso ao novo governo” do presidente eleito e, ao mesmo tempo refere que “observará atentamente como Trump lida com os imigrantes que estão no país sem estatuto legal”.
McElroy foi objeto da atenção no seu país ao defender, no âmbito das consultas relacionadas com o Sínodo sobre a sinodalidade, o acesso das mulheres ao ministério ordenado e o acolhimento das pessoas LGBTQ+.
Especificamente sobre a bênção de pessoas que vivem relações com o mesmo sexo, disse valorizar a aceitação, por Roma, da recusa do episcopado africano de não aplicar o preconizado na instrução Fiducia Supplicans (2023), enaltecendo o facto de desse modo se respeitar os diferentes contextos em que a Igreja está presente.
O cardeal, que é também um académico, distinguiu-se por um ensaio publicado na revista America, da Companhia de Jesus, no qual fundamenta uma perspetiva mais inclusiva para a receção da comunhão na Eucaristia, indo, em alguns pontos, ao encontro do Papa Francisco que entende que, sendo a Igreja um hospital de campanha, a comunhão não deve ser um prémio para os perfeitos, mas medicina para os doentes (os pecadores).
Cardeal Dolan de novo na oração da posse de Trump
Entretanto, foi noticiado que será novamente o arcebispo de Nova Iorque, o cardeal Timothy Dolan, a conduzir a oração na cerimónia de posse do presidente eleito Donald Trump, em 20 de janeiro próximo. Foi o próprio arcebispo a dar conta do facto, na entrevista a um canal noticioso, na véspera de Natal.
O cardeal Dolan, citado pela Catholic News Agency (CNA), diz acreditar no presidente Trump, que se afirma cristão, ainda que não ligado a uma Igreja específica. Refere que a fé do futuro presidente “pode ter tido um pouco de reacendimento”, comentando, a propósito, não saber “como alguém pode ser presidente dos Estados Unidos sem uma fé profunda.”
O hierarca acredita que as duas tentativas de assassinato, na mais recente campanha eleitoral, “provavelmente tiveram algo a ver com o crescimento da fé” do presidente eleito.
Segundo a CNA, Trump também realizará um culto inter-religioso no domingo, 19 de janeiro, um dia antes da posse.
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