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Daniel Palma e Cristiano Moreira foram ordenados na diocese de Vila Real. Foto © Diocese de Vila Real

Em Vila Real

Dois novos padres ordenados “para servir os outros”

| 13/07/2024

Daniel Palma e Cristiano Moreira foram ordenados na diocese de Vila Real. Foto © Diocese de Vila Real

Daniel Palma e Cristiano Moreira foram ordenados na diocese de Vila Real. Foto © Diocese de Vila Real

 

Daniel Palma e Cristiano Moreira foram ordenados padres da Diocese de Vila Real a 7 de julho. Um foi tocado pela música religiosa e por só se sentir feliz com a felicidade alheia. O outro ainda pensou em ser piloto da Força Aérea, mas depois decidiu-se pelo sacerdócio. Ambos entendem a sua vida presbiteral como um serviço aos outros.

A vocação surgiu, em cada um, em tempos diferentes. Daniel estava no 10º ano de escolaridade e frequentava a escola pública quando começou a pensar no futuro e na vida religiosa. “Foi nessa altura que comecei a pensar um pouco sobre a minha vocação. Estava em oração e comecei a pensar: porque não ser padre?”, recorda o diácono, que se aproximou do catolicismo através da música. “Andei na Banda de Música de Nogueira, na minha terra, e isso possibilitou-me o acesso à Igreja, porque íamos com frequência às eucaristias, tínhamos um reportório religioso e éramos ensaiados para tal”, refere.

Além disso, Daniel, natural de Nogueira, Vila Real, e hoje com 29 anos, andou no Conservatório de Vila Real, onde concluiu o 5º grau. De seguida, ingressou na Banda Filarmónica de São Mamede de Ribatua, onde conheceu “uma das grandes referências da música litúrgica, o padre António Cartageno”.

Ao 12º ano, “a escolha do sacerdócio já estava muito vincada”. “Ali, no final do secundário, pensei em parar um pouco, para refletir sobre a minha vida e no que verdadeiramente eu queria”. Começou então, uma aproximação ao seminário, “para ver como era a vida de sacerdote”. “Formei uma grande convicção de que era um caminho para mim”, adianta.

 

“A minha felicidade estava na felicidade dos outros”

Em Cristiano Moreira, o chamamento surgiu mais cedo, por altura do sexto ano de escolaridade: “foi aí que começou a despertar a minha vocação presbiteral”. “Costumava dizer a amigos e professores que gostava de ser padre. Também dizia que gostava da Força Aérea. No fundo eram dois voos bastante altos”, conta, entre risos. “Mais foi o caminho do sacerdócio que, por fim, escolhi”.

O diácono, oriundo do Barroso – tem hoje 26 anos e é natural de Covelo do Gerês, Montalegre –, concluiu o terceiro ciclo na escola pública do seu concelho e só depois ingressou no Seminário de Vila Real para seguir os estudos teológicos: “É uma vocação. É Deus que nos chama e há uma resposta. Resposta que, depois, precisa de ser trabalhada. E só agora é que penso mais nela”.

Defende que “ser sacerdote é estar ao serviço para os outros”, sendo, por isso, “um grande desafio”. “Há dois campos de trabalho a que um pastor tem que estar mais atento: devemos dar uma atenção especial aos jovens que estão a crescer na fé; e aos mais idosos, que são os que estão mais sozinhos e abandonados”.

Por sua vez, Daniel Palma conta, a propósito do chamamento de Deus, que a sua felicidade estava, de certa forma, “na felicidade dos outros”. “Só me sentia realizado a ajudar os outros. É algo que está em nós. É intrínseco”, refere.

Apesar de reconhecer que seguir a vocação e dedicar-se à vida pastoral “é uma escolha muito radical, por ser uma entrega total”, não se arrepende em nenhum momento. “Acabamos por ter um estilo de vida muito próprio”, diz.

Confessa que quando partilhou com família e amigos esta sua convicção “houve gargalhadas”. “Não pensariam que estava a falar a sério”, acrescenta. Já Cristiano partilha que o maior choque foi para a sua mãe e que os amigos “lidaram de forma diferente”. “Alguns confessaram que iam sentir a minha falta”, lembra.

Ambos, depois da passagem pelo Seminário de Vila Real, seguiram estudos no Seminário Maior do Porto, que acolhe jovens candidatos ao sacerdócio oriundos do Porto, Vila Real e Coimbra. Após concluírem o curso de teologia, estagiaram em paróquias da Diocese de Vila Real até serem ordenados diáconos, no final do ano passado.

O ministério do diaconado é o primeiro grau do sacramento da Ordem antes do presbiterado e é dedicado ao serviço da caridade, da liturgia e do anúncio do Evangelho em comunhão com o bispo diocesano e o presbitério.

Admitiram, por fim, que o Seminário de Vila Real, a primeira casa que os acolheu, “é mais do que uma casa formativa, é uma segunda família”.

 

Esta notícia foi originalmente publicada no 7MONTES.

 

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