O veleiro humanitário onde segue a ativista Greta Thunberg e mais 11 pessoas aproxima-se do destino e já sabe que se vai encontrar com o exército israelita antes de chegar a Gaza. Entretanto, está a ser preparado um movimento designado Global March to Gaza (marcha global para Gaza), que vai partir dentro de dias do Cairo em direção a Rafah, na Faixa de Gaza.
A embarcação, organizada pela Freedom Flotilla Coalision, partiu há cerca de uma semana, de um porto da Sicília com o objetivo de romper o bloqueio que Israel tem estado a fazer ao acesso ao território de Gaza, a fim de levar ajuda humanitária à população vítima da fome causada pelas autoridades de Israel.
Depois do surgimento de drones de vigilância ao longo do percurso, este domingo surgiu o aviso dos militares israelitas de que iriam intervir para intercetar o barco, sem especificar em que momento isso acontecerá.
Segundo informações prestadas numa mensagem-vídeo pela deputada francesa de origem palestiniana no Parlamento Europeu, Rima Hassan, os militares terão anunciado que irão cortar as comunicações pela internet, entrarão na embarcação confiscarão equipamentos audiovisuais e telemóveis e levarão as pessoas para o porto israelita de Ashdod, situado a 40 km ao sul de TelAviv. Aí serão submetidos a interrogatórios e detidos até serem expulsos do país.
Os ativistas continuaram a lançar apelos aos governos com interesse nesta viagem – o barco tem bandeira do Reino Unido e há ativistas de vários países europeus e um brasileiro – para que cumpram o direito internacional protegendo quem, de forma pacífica, pretende ajudar a minorar o sofrimento dos palestinianos de Gaza, em especial as crianças. Até agora, sem qualquer sinal de apoio.
Enquanto se assiste ao desfecho iminente deste gesto de apoiantes da causa do povo palestiniano – a exemplo do que Portugal já conheceu com a expedição “Paz em Timor-Leste”, com o Lusitânia Expresso, em 1992, também impedido de chegar pelos indonésios – está já em fase final de preparação uma outra iniciativa, a Marcha Global para Gaza.
Os participantes, oriundos de diferentes países da Europa, reunir-se-ão no Cairo, na próxima quinta-feira, 12 de junho, saindo de autocarro no dia seguinte até Al Arish , onde começará a marcha de 48 km .
A Marcha Global define-se como “um movimento cívico, apolítico e independente”, que se rege pelos valores da justiça, dignidade humana e paz. Tem inscritos mais de 2500 ativistas de mais de 50 países, entre os quais Portugal. A delegação portuguesa, de 30 pessoas, junta também ativistas da Galiza, e tem como porta-voz a professora e autora lisboeta Ana Rita Tereso.










