
Rui Valério, patriarca de Lisboa. Foto © Patriarcado de Lisboa
O patriarca de Lisboa considera que “os fenómenos de violência são estranhos e esdrúxulos em relação ao que Portugal foi, é e quer ser”. Numa nota divulgada nesta quinta-feira à noite, Rui Valério reagiu deste modo às três noites de episódios violentos que ocorreram em vários bairros da periferia de Lisboa, na sequência da morte de Odair Moniz, vítima de tiros disparados por um agente da PSP.
O patriarca refere que Portugal é “profundamente marcado pela experiência da emigração e que isso fez com que seja um país perito na arte de acolher com humanismo todas as pessoas”.
No texto de quatro parágrafos, Rui Valério “convida a que se encetem caminhos de serenidade e de paz, fundados no diálogo e no respeito mútuo” e apela “para que se busque sempre o bem comum, que visa também a segurança – um bem muito precioso –, para o bom desenvolvimento da sociedade”.
O patriarca escreve que está a acompanhar “com consternação” a situação “de violência e conflito” nas periferias de Lisboa. E diz que assegura “a oração por todos os envolvidos nestes acontecimentos”, lamentando “profundamente a perda de uma vida e vários feridos que deles resultaram”.
No comunicado, o patriarca Rui Valério recorda as palavras de Jesus no evangelho de São João: “Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz.” E por isso “convida todos a acolher a paz e a gravar no coração que a violência nunca é o caminho para uma sociedade justa e feliz”. O projeto de sociedade que Jesus inaugura, acrescenta, “funda-se no reconhecimento da dignidade do outro, o que implica necessariamente o acolhimento”. E conclui: “Neste sentido, somos todos constituídos construtores da civilização do amor.”









