
Os ataques do Hamas, do dia 7 de outubro, e a violenta retaliação de Israel contra o território palestiniano de Gaza, ajudou à “explosão” de atos antissemitas, nota o Conselho Representativo das Instituições Judaicas de França. Na imagem, homens caminham pelas ruas destruídas de Gaza. Foto © WHO.
O ano de 2023 registou quase o quadruplo de atos antissemitas registados no ano anterior em França, apontou o Conselho Representativo das Instituições Judaicas de França (CRIF, na sigla original), segundo noticiou o jornal Le Monde. Muitos destes atos foram registados em contexto escolar.
Um relatório do CRIF, divulgado na quarta-feira, 24 de janeiro, notou um total de 1 676 atos, com a organização a lamentar uma “explosão” de incidentes após o 7 de outubro de 2023 – dia dos ataques do Hamas contra Israel e que foi um “catalisador do ódio”.
“O 7 de outubro serviu de catalisador para o ódio, ativando o antissemitismo latente e desinibindo a ação [antissemita]”, disse o presidente do CRIF, Yonathan Arfi, para quem a visão de civis israelitas massacrados desempenhou um papel no que desencadeou este fenómeno.
“Nunca tinha sido atingido este número”, segundo Arfi: o número de atos antissemitas registados em França saltou de 436 no ano de 2022 para os 1 676 de 2023.
Recuando aos anos 1990, Yonathan Arfi enquadrou estes números à agência France-Presse: “Tivemos algumas dezenas de atos por ano na década de 1990, e algumas centenas no período de 2000-2022.”
Segundo o Monde, no ano passado, quase seis em cada dez casos (57,8%) foram ataques a pessoas (violência física, palavras e gestos ameaçadores, etc.) e não a bens, segundo este relatório que compila números recenseados pelo Ministério do Interior e pelo Serviço de Proteção à Comunidade Judaica (SPCJ). Estes números refletem “apenas uma parte” dos atos antissemitas, aqueles que foram objeto de queixa ou denúncia à polícia, lembra o CRIF.
Mais de 40% dos casos envolveram “palavras e gestos ameaçadores”, com um maior número de atos cometidos principalmente na esfera privada (32%) e na via pública (20,4%). Há 7,5% de casos registados através da Internet.
Outro ponto preocupante para o CRIF é que 12,7% dos atos ocorreram em escolas, a maioria delas em estabelecimentos do ensino superior. “Estamos a testemunhar um rejuvenescimento dos perpetradores de atos antissemitas. A escola já não é um santuário da República”, lamenta o responsável. “Pela primeira vez em muito tempo, as próximas gerações serão mais suscetíveis ao preconceito antissemita do que as gerações anteriores”, explica Yonathan Arfi, que identifica “três combustíveis” para este fenómeno: “O ódio a Israel, o islamismo e [teses de] conspiração.”









