
Papa Francisco na Penitenciária de Rebibbia, em Roma: “Corações abertos. É isso que a fraternidade faz. Corações fechados, duros, não ajudam a viver.” Foto retirada do vídeo. © Vatican News
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Ao abrir hoje, 26 de dezembro, a Porta Santa da Igreja do Pai Nosso, na prisão de Rebibbia (Itália) o Papa Francisco dirigiu-se aos presos, dizendo: “Corações abertos. É isso que a fraternidade faz. Corações fechados, duros, não ajudam a viver. É por isso que a graça de um Jubileu é escancarar, abrir. Acima de tudo, abrir os corações para a esperança. A esperança não engana, nunca! Pensem bem nisto. Nos momentos maus pensamos que tudo acabou, que nada se resolve. Mas a esperança nunca desilude.”
Na homília da missa que teve lugar após a abertura da Porta Santa, Francisco comparou a esperança à “âncora que está nas margens” e a que nos liga uma corda que nos dá segurança no meio do rio, ou do mar, e continuou: “Às vezes a corda torna-se dura e difícil e magoa as nossas mãos. Mas devemos manter a corda, viver sempre com a corda nas mãos, olhando para a margem, para a âncora. Há sempre algo bom, há sempre algo para fazer mais adiante”.
É a primeira vez que um Papa abre uma Porta Santa numa prisão. De acordo com a Vatican News de 26 de dezembro, os presos tinham interpelado o bispo auxiliar de Roma, Benoni Ambarus, dizendo-lhe: “Sim, ok, começa o Jubileu, mas que traz o Jubileu de especial para nós?”. Tendo tido conhecimento dessas interrogações, Francisco decidiu que após a abertura da Porta Santa do Jubileu 2025 na Basílica de São Pedro iria abrir a Porta Santa na igreja daquela prisão.
“Ancorados em Cristo, cruzamos o limiar deste templo santo e entramos no tempo da misericórdia e do perdão, para que a cada homem e a cada mulher se abra o caminho da esperança que não desilude”, rezou Francisco quando ao final tarde de dia 24 de dezembro abriu a Porta Santa da Basílica de São Pedro, inaugurando o 28º Jubileu da história da Igreja Católica. O Papa foi o primeiro a atravessá-la, seguido por ministros, 54 representantes do povo de Deus provenientes dos cinco continentes e alguns concelebrantes, que se dirigiram ao Altar da Confissão para celebrar a missa da noite de Ntal, enquanto se entoava o hino do Jubileu intitulado Peregrinos de Esperança.
Comentando a atitude dos pastores que se dirigirem apressadamente à gruta onde nascera o menino, Francisco afirmou na homilia: “Apressadamente, vamos ver o Senhor que nasceu para nós, para podermos então traduzir a esperança nas situações da nossa vida. Porque a esperança cristã não é um ‘final feliz de um filme’ que deve ser aguardado passivamente: é a promessa do Senhor a ser acolhida aqui e agora, nesta terra que sofre e geme. Não nos detenhamos na mediocridade e na preguiça. Devemo-nos indignar com as coisas que não estão bem e ter a coragem de as mudar; devemos ser ‘sonhadores que nunca se cansam’.”
De seguida, o Papa lembrou que a esperança cristã “não tolera a indolência dos sedentários e a preguiça dos que se acomodaram no seu próprio conforto; não admite a falsa prudência dos que não se arriscam por medo e o calculismo dos que só pensam em si próprios; é incompatível com a vida tranquila dos que não levantam a voz contra o mal e contra as injustiças cometidas diretamente sobre os mais pobres”. Pelo contrário, disse o Papa, a esperança cristã “exige a audácia de antecipar hoje essa promessa, através da nossa responsabilidade e compaixão”.
Para concretizar essa exigência, Francisco afirmou ser este “o tempo de transformação
para a nossa mãe Terra, desfigurada pela lógica do lucro; para os países mais pobres, sobrecarregados de dívidas injustas; para todos aqueles que são prisioneiros de antigas e novas escravidões; para os lugares profanados pela guerra e pela violência”.
Mensagem de Natal baseada no Jubileu

Papa Francisco na Penitenciária de Rebibbia, em Roma: “Às vezes a corda torna-se dura e difícil e magoa as nossas mãos. Mas devemos manter a corda, viver sempre com a corda nas mãos, olhando para a margem, para a âncora. Há sempre algo bom, há sempre algo para fazer mais adiante”. Foto retirada do vídeo.© Vatican News
Já ontem, dia 25 de dezembro, o Papa dirigiu a sua mensagem Urbi et Orbi à cidade de Roma e ao mundo por ocasião do Natal do Senhor e glosou por várias vezes o tema do Jubileu de 2025: “É este o significado da Porta Santa do Jubileu, que abri ontem à noite aqui em São Pedro: ela representa Jesus, a porta da salvação aberta para todos. Jesus é a porta que o Pai misericordioso abriu no meio do mundo, no meio da história, para que todos possamos voltar para Ele. Todos nós somos como ovelhas tresmalhadas e precisamos de um pastor e de uma porta para regressar à casa do Pai. Jesus é o pastor, Jesus é a porta.”
A tradição da abertura de uma Porta Santa para significar o início de um ano jubilar remonta a 1423, ano em que o Papa Martinho V abriu, pela primeira vez na História, uma Porta Santa na Basílica de São João de Latrão. Por sua vez, jubileu é o nome de um ano particular – sintetiza o sítio oficial do Jubileu 2025 – e é uma palavra que “parece derivar do instrumento que se usava para indicar o seu início; trata-se do yobel, o chifre do carneiro, cujo som anuncia o Dia da Expiação (Yom Kippur)” celebrado pelo povo hebraico. “Encontramos uma primeira referência na Bíblia: o ano jubilar tinha que ser convocado de 50 em anos (…) como ocasião para restabelecer uma correta relação com Deus, entre as pessoas e com a criação, e implicava a remissão de dívidas, a restituição de terrenos arrendados e o repouso da terra”.
Em 1300, o Papa Bonifácio VIII proclamou o primeiro Jubileu, também chamado de “Ano Santo”. A sua frequência mudou ao longo do tempo: no início era a cada 100 anos; passou para 50 anos em 1343 com Clemente VI e para 25 em 1470 com Paulo II. Em 2015, o Papa Francisco proclamou um Jubileu extraordinário, anunciando o Ano da Misericórdia.
Segundo a tradição, cada Jubileu é proclamado através da publicação de uma Bula papal de proclamação. Por “Bula” entende-se um documento oficial, geralmente escrito em latim, com o selo do Papa. João Paulo II proclamou o Grande Jubileu do Ano 2000 com a Bula Incarnationis mysterium (“O Mistério da Encarnação”), enquanto o Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2015-2016) com a Bula Misericordiae vultus (“O Rosto da Misericórdia”). A Bula Spes Non Confundit (“A Esperança não Dececiona), convocando o Jubileu de 2025, pode ser lida aqui: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/bulls/documents/20240509_spes-non-confundit_bolla-giubileo2025.html









