Escândalo das escolas residenciais

Francisco no Canadá para pedir perdão aos povos indígenas

| 27 Out 21

Canadá. Escolas Residenciais

Missão de Marieval, Escola Residencial índia de Cowesses, no Vale d’Elcapo Creek, em Saskatchewan, numa foto de 1923. Foto © Biblioteca Arquivos do Canadá

 

O Vaticano confirmou ontem que o Papa Francisco vai responder positivamente ao convite formulado pela Conferência Episcopal do Canadá para visitar o país no âmbito do “pedido de perdão às nações índias e do processo pastoral de reconciliação com os povos indígenas”, noticiou quarta-feira, 27 de outubro, o Catholic News Service.

A visita só terá lugar após os encontros que Francisco manterá em Roma, este mês de dezembro, com uma delegação de líderes indígenas que sobreviveram ao internamento nas escolas residenciais. Vários bispos canadianos acompanham a delegação que apresentará ao Papa as memórias que os seus povos guardam dos sofrimentos infringidos pelos católicos no Canadá, nomeadamente sobre o impacto das escolas residenciais, muitas das quais administradas por ordens religiosas católicas ou dioceses.

O historial de violência das escolas residenciais regista um enorme rol de maus-tratos, abusos sexuais e assassinatos que só começou a ser conhecido na última década graças à descoberta de mais de mil túmulos de crianças indígenas sem identificação encontrados nos terrenos próximos de algumas destas escolas.

A 24 de setembro de 2021 [ver 7MARGENS], a Conferência Episcopal do Canada emitiu um pedido formal de desculpas aos povos nativos pelo seu envolvimento nas escolas residenciais administradas pelo Governo, reconhecendo que “muitas comunidades religiosas e dioceses católicas participaram desse sistema, o que levou à supressão de línguas, cultura e espiritualidade indígenas, deixando de respeitar a rica história, tradições e sabedoria dos povos indígenas.” Em 2008, o Estado canadiano pediu formalmente perdão aos povos indígenas, mas a Igreja Católica manteve-se em silêncio até este ano.

Na sua nota de pedido de perdão, os bispos do Canadá reconheciam “os graves abusos cometidos por alguns membros da nossa comunidade católica; abusos físicos, psicológicos, emocionais, espirituais, culturais e sexuais. Também reconhecemos com pesar o trauma histórico e contínuo e o legado de sofrimento” deixados pelas escolas residenciais que assumiram como missão assimilar à força e usando métodos de violência recorrente os Povos Nativos à sociedade canadiana nos séculos XIX e XX.

”Juntamente com aquelas entidades católicas que estavam diretamente envolvidas no funcionamento das escolas e que já pediram suas sinceras desculpas, nós, bispos católicos do Canadá, expressamos o nosso profundo pesar e pedimos sinceramente desculpas” pelos factos ocorridos, terminava a nota de 24 de setembro último.

 

Mais de seis mil mortos

De acordo com notícia publicada pela BBC em julho deste ano, entre 1863 e 1998, existiram mais de 130 escolas residenciais financiadas pelo Governo canadiano e administradas por autoridades religiosas, sendo a Igreja Católica responsável por cerca de 70 por cento desses estabelecimentos. Mais de 150 mil crianças indígenas foram tiradas às suas famílias e internadas nessas escolas onde não tinham permissão para falar a sua língua nativa ou para viverem quaisquer gestos característicos da sua cultura. O internamento nestas instituições tornou-se obrigatório na década de 1920, passando os pais a enfrentar a ameaça de prisão caso não cumprissem essa obrigação.

Estimativas de várias fontes apontam para que mais seis mil crianças tivessem morrido durante o seu internamento forçado, em grande parte devido às péssimas condições de salubridade e aos maus-tratos infringidos.

 

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