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“Fratelli Tutti”: Comissão Justiça e Paz critica “nacionalismo de exclusão”

Fronteira EUA-México. Muro de Separação. Tijuana

O muro de separação entre os EUA e o México, em Tijuana, é uma fronteira que entra pelo mar dentro: não ao nacionalismo de exclusão, sugere a CNJP. Foto © Amnistia Internacional.

 

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, considera que o “apelo à abertura universal da fraternidade” se confronta “hoje com o reforço, um pouco por todo o lado, de correntes inspiradas num nacionalismo de exclusão”.

Esta afirmação surge numa nota de apresentação da nova encíclica do Papa Fratelli Tutti (“Todos irmãos”). O documento foi publicado pelo Vaticano neste domingo, 4 de Outubro, depois de ter sido, na véspera, assinada formalmente por Francisco em Assis, numa curta viagem à cidade do Poverello. A assinatura teve lugar junto do túmulo de São Francisco e não “junto de São Pedro”, como é tradição, nota a Ecclesia.

O texto da CNJP, organismo da Igreja dedicado à intervenção sobre questões sociais, nota que a encíclica papal aborda o tema dos nacionalismos “com alguma insistência, salientando, por um lado, o fundamento bíblico dessa abertura e, por outro lado, desfazendo receios de que ela leva à perda das identidades nacionais diante de uma globalização uniformizadora.”

Na nota da CNJP, enviada ao 7MARGENS, sublinha-se ainda o fundamento da fraternidade, na perspectiva da encíclica: a abertura a um Deus que é Pai de todos e que ama cada ser humano com amor infinito.

A nota realça a reflexão do Papa sobre o rumo que deveria seguir a globalização, rejeitando uma “única forma cultural imperante”, a questão das migrações e o “princípio do destino universal dos bens”.

É verdade que o ideal seria que a emigração não fosse necessária, mas enquanto não houver sérios progressos no sentido do desenvolvimento dos países pobres, há que reconhecer o direito de cada pessoa a encontrar um lugar onde não só possa satisfazer necessidades básicas”.

 

A dimensão política da caridade

A respeito do funcionamento da economia, observa a CNJP, “são criticadas as posições que do mercado esperam a solução de todos os problemas” e convida-se a superar a pobreza através da criação de emprego.

“Salienta-se, assim, a dimensão social e política da caridade, porque é caridade acompanhar a pessoa que sofre, mas também modificar as condições sociais que provocam o seu sofrimento”, refere o texto da CNJP.

“A missão do empresário é enaltecida na medida em que cria oportunidades de trabalho para outros (e assim contribui para o destino universal dos bens)”, acrescenta a Comissão, que é composta por leigos católicos e está na dependência directa da Conferência Episcopal, mas com funcionamento autónomo.

“A ética e a política não podem assemelhar-se à física, como se não existissem o bem e o mal em si mesmos, mas apenas cálculos de vantagens e desvantagens”, diz a nota da CNJP.

Sobre a questão da pena de morte, outro dos grandes temas da encíclica, a Comissão Justiça e Paz refere que “o cerne da oposição à pena de morte reside na distinção entre o crime e a dignidade pessoal do criminoso, que nunca se perde, nem num autor do crime mais grave, nem em qualquer outra pessoa”.

A Comissão Justiça e Paz considera que a nova encíclica do Papa Francisco é “um documento a estudar com afinco e a viver com coerência” pelos católicos. “Mas muitas outras pessoas, cristãos de outras denominações, fiéis de outras religiões e todos os que aderem a ideais de fraternidade, podem dela colher, de uma ou de outra forma, inspiração. Fazemos votos de que tenha, por isso ampla difusão”, deseja a CNJP.

 

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