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Graças a Deus pela criatividade: o Papa pede esmola à saída do metro, em Milão

| 06/06/2020

Graças a Deus pela criatividade: o Papa pede esmola à saída do metro, em Milão

by | 6 Jun 20

“O Papa encarna na perfeição o homem e a sua humanidade”, diz o artista AleXsandro Palombo. Foto: Direitos reservados

 

“O Senhor nos dê a todos a graça da criatividade”, rezou o Papa Francisco antes de iniciar uma das suas eucaristias matutinas transmitidas para todo o mundo durante o estado de emergência. E o Senhor deu, pelo menos a alguns. Um dos escolhidos foi claramente AleXsandro Palombo, um artista italiano que se inspirou no próprio Papa para algumas das suas últimas obras. Nas ruas de Milão, uma das cidades mais afetadas pela pandemia de covid-19, Palombo fez várias pinturas murais em que retratou Francisco como um mendigo a pedir esmola na rua. E não só: Maria de Nazaré, com o Menino Jesus ao colo, foi também representada como um dos novos pobres de Milão.

Deitado em cima de um pedaço de cartão, com a cabeça reclinada sobre a célebre e velhinha mala preta que leva consigo para todo o lado, de alva branca rasgada, assim está o Papa à saída de uma estação de metro, com um copo vermelho cujo desenho faz lembrar uma célebre marca de refrigerantes, mas onde pode ler-se “Caritas”. Na mão de Maria de Nazaré, que pede esmola com o filho ao colo no elegante bairro de Porta Venezzia, o mesmo copo.

Maria “aparece em toda a sua humanidade, mais próxima de uma dimensão terrena que divina”, diz o artista. Foto: Direitos reservados.

 

“Esta crise é a maior oportunidade que temos para redesenhar e humanizar a sociedade. Hoje, mais do que nunca, temos que dar atenção ao outro, a quem encontramos no nosso caminho e que está a viver um momento de necessidade extrema”, explicou o artista, em entrevista ao jornal argentino La Nación. “Cada um de nós pode fazer a diferença ao ajudar os mais frágeis e todas essas famílias que neste momento caíram na pobreza. Este é o momento de compreender que o futuro é a generosidade e solidariedade”, sublinhou.

AleXsandro, que nasceu na Puglia há 46 anos, e vive em Milão há trinta, não disfarça a sua admiração pelo Papa argentino. “O Papa encarna na perfeição o homem e a sua humanidade, não esconde as suas próprias fragilidades e a sua mensagem direta é algo revolucionário e visionário na igreja de hoje”, afirma. “Ele enfrenta uma missão muito difícil porque vivemos num mundo cada vez mais afastado da fé, em que as pessoas se encontram perdidas no seu próprio ego. A ele cabe-lhe uma grande responsabilidade: a árdua tarefa de modernizar a mensagem cristã e se conseguir fazê-lo poderá deter a hemorragia de fé que ensombra todo o mundo”, acrescenta.

Apesar de nunca ter tido a oportunidade de conhecer o Papa pessoalmente, Palombo explica que, ao retratá-lo, sentiu uma grande proximidade com ele. “É como se o tivesse tido comigo em todo o período criativo”, diz. “Com a minha obra, quis transformar a imagem do Papa Francisco num ícone contemporâneo, porque ele é o homem da caridade, e quis levá-lo para a rua com os últimos. Fiz o mesmo com a Virgem Maria, que aparece em toda a sua humanidade, mais próxima de uma dimensão terrena que divina”, esclarece.

AleXsandro não se assume como católico, mas recorda uma tia monja que influenciou muito a sua infância e que há dez anos teve um cancro raro, uma experiência dolorosa que o transformou. “Por isso, agora sou um cristão no sentido mais profundo da palavra, ou seja, uma pessoa que tenta ajudar o próximo, e faço-o através da arte.”

Palombo é conhecido pelas suas adaptações de imagens de desenhos animados como os Simpsons e as Princesas Disney para passar mensagens contra o racismo, a violência doméstica ou a discriminação de pessoas com deficiência.

“Sou um artista e penso que os artistas são pincéis nas mãos de Deus, refletem o melhor e o pior da humanidade, e tentam fazer da humanidade algo melhor”.

“Quis levar o Papa para a rua com os últimos”, afirma AleXsandro Palombo a propósito da sua obra. Foto: Direitos reservados.

 

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