
Um dos objetivos do inquérito será averiguar se os missionários recorrem às chamadas “atividades de conversão religiosa”, proibidas na Índia. Foto © Traveler 1116
Várias instituições religiosas cristãs do Estado indiano de Madhya Pradesh receberam recentemente questionários das polícias locais solicitando dados pessoais e profissionais dos missionários que as integram. Uma ação semelhante havia sido iniciada em julho de 2023 e interrompida assim que os questionários foram divulgados pela comunicação social. Os responsáveis pelas comunidades falam em “segundas intenções” da parte do Governo e receiam partilhar as informações pedidas.
De acordo com a UCA News, “a polícia está a fazer circular o questionário entre a comunidade cristã, procurando obter pormenores sobre os missionários que trabalham no Estado, as instituições por eles dirigidas e as suas fontes de financiamento”.
De entre os elementos solicitados, destacam-se o nome e a morada do missionário ou da instituição, as finalidades do trabalho, a conta bancária e as fontes de financiamento estrangeiro. “Também estão a pedir os nomes e números de telefone das pessoas que trabalham com o missionário, no caso de este dirigir uma organização não governamental (ONG)”, acrescenta a mesma notícia.
“Não sei por que razão se escolhem os cristãos e se recolhem estes pormenores. Vejo que há segundas intenções por trás disso”, afirma o bispo Gerald Almeida à UCA News. E acrescenta: “Vamos pedir um parecer jurídico antes de partilhar qualquer informação, uma vez que a polícia está a tentar recolher a informação de forma não oficial”.
Um dos objetivos do inquérito será averiguar se os missionários recorrem às chamadas “atividades de conversão religiosa”, proibidas por uma lei promulgada pelo executivo pró-hindu do partido Bharatiya Janata (BJP) há três anos.
Esta é já a segunda vez em menos de um ano que a polícia estatal tenta efetuar uma caraterização dos missionários cristãos. Em julho de 2023, procuraram obter informações semelhantes, mas a ação foi interrompida depois de o questionário ter sido divulgado aos meios de comunicação social.
Agora, os líderes da Igreja Cristã de pelo menos três dioceses – Jabalpur, Jhabua e Gwalior – confirmaram ter recebido “oficiosamente” o questionário, cujo envio não foi assumido pelas autoridades estatais.
“As instituições geridas pela Igreja não têm qualquer objeção a fornecer informações ao Governo, mas estas devem passar pelos canais adequados”, menciona o padre Rockey Shah, encarregado das relações públicas da diocese de Jhabua. “Não fazemos nada de ilegal, que possa ser contra os interesses da nação”, assegura o presbítero.
A perseguição aos cristãos “aumentou acentuadamente” na Índia com a chegada ao poder do partido pro-hindu de Narendra Modi, alertou no final do ano passado a organização de defesa dos direitos humanos United Christian Forum (UCF), com sede em Nova Delhi [ver 7MARGENS]. Só em 2023, foram registados 687 ataques a cristãos, os quais correspondem a apenas 2,4% da população do país, e a 0,29% dos 72 milhões de habitantes do Estado de Madhya Pradesh.










