A escritora britânica J.K. Rowling, mundialmente conhecida como autora da série de livros Harry Potter, tem vindo a partilhar na sua conta na rede social X as sus buscas sobre a fé, revelando que sente, desde a adolescência, um “vácuo em forma de Deus”.
“Luto com a fé religiosa desde os meus 15/16 anos. Parece que tenho um vazio em forma de Deus dentro de mim, mas nunca consigo decidir-me sobre o que fazer acerca disso”, escreveu ela, num post do último dia 12.
Este desabafo surgiu de um diálogo que ela vinha travando com pessoas da comunidade LGBT, criticando pessoas de “crenças fixas” que não mudam mesmo que as evidências as contradigam. Até que, a dada altura, alguém a confrontou, de forma intempestiva com a pergunta: “‘Crenças fixas’…que crenças é que você deixou, JK Rowling?”
E ela desfia um rol de áreas e problemáticas em que sentiu dever mudar de posição, acrescentando, a dada altura “Provavelmente poderia listar pelo menos mais 20 coisas sobre as quais mudei de opinião. Atualmente, não tenho uma única crença que não pudesse ser alterada por evidências claras e concretas e, à exceção de um caso, sei quais teriam de ser essas evidências. A exceção é o dilema [conundrum] de Deus, porque não sei o que teria de ver que me fizesse decidir firmemente por um lado ou por outro”.
“Suponho – sublinha ainda a escritora – que esse seja o significado da fé, acreditar sem ver provas, e é por isso que provavelmente irei para a tumba com esse assunto pessoal em particular por resolver”.
Logo nos dias imediatos às palavras da autora, não faltou, nas redes sociais e entre instituições cristãs, quem interpretasse a sua partilha como um pedido de ajuda e se apressasse a dar-lhe conselhos.
Além de que a obra mestra de Rowling trabalha temas cristãos, a escritora confessa frequentar a Igreja (anglicana), ainda que não com muito interesse nas normas e nas instituições, mas considera-se mais do que uma pessoa de prática dominical. Em mais de uma circunstância assumiu a sua busca.
Em declarações à MTV, citadas no site Get Religion, afirmava: “A verdade é que, tal como Graham Greene, a minha fé vai e vem. É algo com que luto muito. Se me perguntasse em qualquer momento se acredito na vida após a morte, acho que se me fizesse essa pergunta regularmente ao longo da semana, eu acabaria por responder que sim [Mas] é algo com que luto muito. Preocupa-me muito, e acho que isso é muito óbvio nos livros.” [Mais informação sobre este aspeto no site Hogwarts Professor.]
Quando Rowling diz, no seu post de 12 de setembro, que “poderia listar pelo menos mais 20 coisas” sobre as quais “mudou de opinião”, já tinha enunciado uma mão-cheia delas. Antigamente, diz, “acreditava que a educação era tudo e que a natureza não era importante”. A experiência de vida e a leitura de estudos sobre herança genética fizeram-na mudar de posição. As mesmas razões levaram-ma a deixar de acreditar que “a diferença entre os sexos [é] inteiramente devido à socialização”. Deixei de acreditar nisso (pelas mesmas razões acima referidas).
Sem enunciar as razões, refere que já não acredita, como antes, no desarmamento nuclear unilateral. E também deixou de acreditar que a cannabis é “essencialmente inofensiva”, por ter testemunhado “os estragos que causou na saúde mental” de alguém de quem gosta.
Também acreditou na morte assistida, algo em que já não acredita. Explica que tal mudança aconteceu, “em grande parte”, porque ser casada com um médico que lhe “abriu os olhos para as possibilidades de coação sobre pessoas doentes ou vulneráveis”.










