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Maria Hammershoy, da Justiça e Paz Europa, entrega declaração ao Papa Leão, 10 dezembro 2025. Foto DR
Maria Hammershoy, copresidente da Justiça e Paz Europa, entrega a declaração ao Papa Leão, após a audiência desta quarta-feira. Foto: Direitos reservados

Dia dos Direitos Humanos

Justiça e Paz Europa em declaração entregue ao Papa: “Ajam em defesa do direito internacional”

| 10/12/2025

A organização católica Justiça e Paz Europa entregou ao Papa Leão nesta quarta-feira, 10 de dezembro, uma declaração em que insta a um “renovado compromisso com o sistema internacional de direitos humanos” e apela a todos os Estados e entidades relevantes a nível mundial para que “falem e ajam de forma consistente em defesa do direito internacional e das instituições de direitos humanos”.

O texto, assinado pelo comité executivo da organização, foi entregue em mãos pela copresidente, a dinamarquesa Maria Hammershoy, após a audiência geral, por ocasião do Dia Internacional dos Direitos Humanos. Integrou a delegação o português Pedro Vaz Patto, que pertence ao referido comité, e é Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz.

“Assegurem que as discussões sobre os direitos humanos se mantêm ancoradas numa compreensão da dignidade humana que seja intrínseca, universal e não sujeita a revisões políticas ou ideológicas”, pede a Justiça e Paz Europa.

O organismo apela ainda a um reforço da cooperação multilateral e a que se assegure “a credibilidade das instituições e dos mecanismos de direitos humanos, principalmente através do cumprimento das suas decisões”.

Para a Justiça e Paz Europa, é igualmente importante “apoiar instituições nacionais, regionais e internacionais independentes de defesa dos direitos humanos e iniciativas relevantes da sociedade civil”, e também assegurar que essas instituições “são adequadamente financiadas para que possam cumprir os seus mandatos, em particular a investigação de violações dos direitos humanos em todo o mundo”.

Alertando que “as instituições criadas para dar proteção universal à dignidade humana enfrentam desafios políticos sem precedentes”, a Justiça e Paz Europa aponta para o enfraquecimento deliberado dos mecanismos de escrutínio global e lamenta em particular a retirada dos EUA do processo de Revisão Periódica Universal da ONU, bem como o facto de a Rússia e a China trabalharem “sistematicamente” para cortar o financiamento ao sistema de direitos humanos.

O comunicado destaca ainda as ameaças ao Tribunal Penal Internacional (TPI), notando que, em 2025, países como o Burquina Faso, Mali, Níger e a Hungria anunciaram a saída do Estatuto de Roma, tratado que fundou esta instituição.

“Estas decisões enfraquecem a responsabilização pelos crimes mais graves, numa altura em que os conflitos se multiplicam e a impunidade aumenta”, advertem o organismo católico.

A declaração considera que “mesmo na Europa, o sistema de proteção está ameaçado”, e refere os apelos de vários governos para uma revisão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos que pode “corroer a autoridade” do Tribunal Europeu (TEDH).

Recordando violações graves ocorridas no último ano no Sudão, Ucrânia, Nicarágua e Irão, a Justiça e Paz sublinha nesta declaração que “não é possível viver em paz e dignidade se a comunidade internacional ficar de braços cruzados”.

E termina com um pedido para que se promova “uma cultura de respeito pela dignidade humana e pelos direitos humanos nas nossas sociedades através da educação e da sensibilização”.

 

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