Era grande a confusão esta sexta-feira, 13, nos postos de controlo policiais que abrem acesso para o Sinai, à medida que continuavam a aglomerar-se centenas ou mesmo milhares de ativistas que pretendem caminhar a pé até ao que resta da cidade palestiniana de Rafah, na Faixa de Gaza. O objetivo é mostrar solidariedade ao povo palestiniano e, sobretudo, pressionar os responsáveis para que obriguem Israel a parar o genocídio.
Enquanto que as delegações de países do Norte de África chegaram ao Egito em autocarros, outras, nomeadamente da Europa, chegaram através do aeroporto do Cairo. Muitos viram logo ali os seus passaportes apreendidos e uma parte deles foi ou está em vias de ser deportada para os países de origem.
O plano da Marcha Global para Gaza, que se define como um “movimento cívico, apolítico e independente”, era reunir todos os ativistas em Arish, já bem fora da capital egípcia, e iniciar a marcha a pé durante três dias, em direção ao sul da Faixa de Gaza. Porém, apesar de os organizadores dizerem ter negociado nos últimos dois meses com as autoridades egípcias, através das embaixadas nos respetivos países, e terem obtido autorização, as autoridades negam tê-la concedido e estão a reter quem ali chega.
Segundo um funcionário egípcio, que prestou declarações ao canal televisivo Euronews sob anonimato, os participantes na iniciativa de solidariedade “arriscavam-se a prisão por manifestações não autorizadas em áreas sensíveis como a Península do Sinai”.
Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os direitos humanos na Palestina, escreveu na rede social X estar preocupada com as notícias que chegam dos ativistas que se encontram no Egito a caminho de Gaza. “Peço às autoridades egípcias que façam o máximo para garantir a chegada e a passagem seguras desses transportadores de Humanidade, vindos de todos os lugares”, disse ela.
“Espero que as autoridades egípcias não aceitem ordens dos genocidas e facilitem a rápida passagem dos seres humanos que deixaram tudo para trás tentando romper o cerco [de Gaza] por terra e mar”, acrescentou.
A Euronews noticiou que o Egito havia alertado anteriormente que somente aqueles que recebessem autorização poderiam viajar pela rota planeada da marcha, reconhecendo ter recebido “inúmeros pedidos e consultas”.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, referiu-se esta quarta-feira aos ativistas como jihadistas e pediu ao Egito que os impeça de chegar à fronteira com Gaza.
Numa situação de bloqueamento, largas centenas de participantes impedidos de passar através dos postos de controlo de Ismailia preparavam-se para passar a noite ali mesmo, na esperança de que, entretanto, a autorização chegue.










