Maria da Conceição Moita (1937-2021): libertadora da nossa liberdade

| 31 Mar 21

Quando estava a ser torturada pela polícia política do Estado Novo, Conceição Moita reagiu: “Podem fazer o que quiserem que continuarei a lutar. Nem que tenha 80 anos quando sair daqui, vou continuar a lutar. E vocês hão-de cair!” Saiu de lá pouco depois, viveu até quase completar 84 anos, sempre a lutar. Pela liberdade, pela justiça, pela dignidade e pela paz.

Libertação de Maria da Conceição Moita, a 27 de Abril de 1974, da prisão de Caxias: “Liberta a nossa liberdade.” Foto: Direitos reservados.

 

Numa oração para ler na Rádio Renascença, em Novembro de 2005, Maria Vítor escrevia: “Faz, Senhor, que nos deixemos acolher por ti, no mais fundo que há em nós, confiadamente. Liberta a nossa liberdade.” Maria Vítor, que é como quem diz Maria da Conceição Moita, conhecida entre muitos amigos e vários círculos por Xexão, morreu na madrugada de terça-feira, 30, depois de alguns meses de luta contra uma doença oncológica. Completaria 84 anos na próxima segunda-feira, 5 de Abril.

A libertação e a liberdade foram motes maiores na sua vida. A 25 de Abril do ano passado, quando a amiga Marta Parada publicou, no Facebook, um texto sobre os 46 anos da revolução com a foto de Conceição Moita a ser libertada de Caxias, ela escreveu, sobre a liberdade: “…não a queremos só mais alguns anos. Ela veio para ficar e nós só temos de a defender sempre. É uma condição da democracia, que é o regime que permite viver em comum dignamente.”

Liberdade, democracia, e tudo à volta do que elas implicam ou aquilo de que são consequência: justiça, participação cívica, direitos humanos, ética, fraternidade… Essas opções fundamentais traduziram-se nos vários campos de vida por onde Conceição Moita passou – e entre cujos territórios é impossível marcar fronteiras: à intervenção política levava os seus valores cristãos; em grupos católicos usava os instrumentos profissionais da pedagogia e da sua formação em educação de infância; na profissão defendia a introdução de valores éticos e participativos; nas dinâmicas cidadãs que lançou ou nas quais se implicou confluía tudo isso.

Mulher inteira, portanto. Os seus vários empenhamentos fizeram dela militante pela liberdade e pela paz, antes da implantação da democracia em 1974 (e mais tarde, também quando se envolveria na luta contra a invasão do Iraque, em 2003, com Maria de Lourdes Pintasilgo ou o bispo Januário Torgal Ferreira, entre outros). Mas isso coincidia com a sua implicação em questões sociais como o apoio a vítimas de prostituição, através do seu trabalho n’O Ninho. Ou como a participação em várias dinâmicas de resistência católica ao regime fascista e de contestação à guerra, nos anos 1960-70.

Seria ela, por exemplo, uma das dinamizadoras da vigília de 48 horas pela paz na Capela do Rato e quem daria a voz, como já recordou Jorge Wemans no 7MARGENS. Dirigindo-se ao microfone no final da missa na capela, a 30 de Dezembro de 1972, Xexão Moita explicaria a acção: quem quisesse, poderia ficar dois dias em jejum (ou greve de fome), a rezar, cantar, reflectir e meditar, em sinal denúncia da guerra colonial, de solidariedade com as suas vítimas de ambos os lados e em protesto pela ausência de tomadas de posição da hierarquia católica contra a guerra que já ceifara inutilmente milhares de vidas em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Quase um ano depois, a 6 de Dezembro de 1973, Conceição seria presa quando se preparava para sair de casa e fugir para Paris. O cerco à sua volta apertava-se, depois de vários outros amigos e companheiros terem sido detidos, incluindo o seu irmão Luís. Nos últimos instantes, a PIDE, a polícia política do fascismo, aparece-lhe à porta: “Colaborei com as Brigadas Revolucionárias [BR] nalgumas acções; tinha uma casa em meu nome onde se refugiavam algumas pessoas que viviam na clandestinidade e colaborei com boleias para acções das BR”, contava ela à Ecclesia, em 2014, sobre a razão imediata da detenção.

 

“Tudo começa com um padre conservador…”

P. Gustavo de Almeida, o segundo a contar da esquerda (nas cadeiras, antes do cardeal Cerejeira), assistente espiritual da União Noelista. Foto: Direitos reservados

No livro Católicos e Socialistas em Portugal (1875-1975), Augusto José Matias resume a forma como Conceição Moita via a sua passagem da militância católica para a colaboração com um grupo defensor da acção armada – que ela pôs como condição não ser obrigada a fazer: “Tudo começa com um padre conservador [Gustavo de Almeida, assistente da União Noelista Portuguesa – já lá iremos], que encoraja a ir mais longe e a desenvolver sempre as capacidades. Depois vem a reflexão sobre as realidades sociais numa perspectiva caritativa. De seguida a passagem por um movimento como O Ninho – de recuperação de prostitutas – onde se vê que o problema é o sistema. E aí o confronto entre a compaixão e a acção nunca mais pára.”

Detida em Caxias, Xexão foi torturada com requintes de sadismo como era próprio da PIDE, incluindo oito dias de tortura do sono e uma cela de isolamento. A própria conta no livro Os Últimos Presos do Estado Novo, de Joana Pereira Bastos como por momentos se sentiu à beira da demência e do esgotamento, cansada “até ao fundo da alma”.

Ficaria em Caxias até à madrugada de 27 de Abril de 1974, quando os presos políticos ali encarcerados foram libertados, recorda Helena Pato, na página Fascismo Nunca Mais, no Facebook. Nas diversas imagens e reportagens da época, Conceição Moita aparece pelo menos em dois momentos: quando sai da cela acompanhada pelo advogado José Manuel Galvão Teles, que integrava a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, de que é exemplo um dos vídeos da RTP sobre a libertação; e já fora da prisão, levada em ombros, com outros companheiros, por muitas das pessoas que aguardavam a saída dos detidos.

“Foi uma libertação única. Era a minha libertação pessoal depois de uma situação de cativeiro; a libertação do meu país, que tanto desejava; o fim da ditadura e a conquista da palavra ‘liberdade’ que faltava; e depois a libertação dos povos das colónias, uma luta onde estava particularmente implicada”, dizia Conceição Moita, na entrevista à Ecclesia, já citada.

 

A fé como “respiração”

Maria da Conceição Moita no Encontro de Reflexão Teológica do Metanoia, no final de Julho 2013. Foto © António José Paulino

Nascida a 5 de Abril de 1937, Maria da Conceição Vítor Moita vinha de uma família da média/alta burguesia, como a própria dizia num testemunho oral para o projecto Mulheres de Abril, no portal Esquerda.net, do Bloco de Esquerda. Pai industrial em Alcanena, homem da “situação” numa região muito republicana e anticlerical, mãe “muito cristã” e “muito convicta e nada beata”, Conceição foi educada catolicamente com os outros quatro irmãos. Mas nunca se sentiu “pressionada”: a fé “era como uma respiração”.

Aos 10 anos, Conceição mudou para Lisboa, com a avó materna e o irmão mais velho, que entrara na universidade. Os outros acabariam por seguir os mesmos passos. Tornar-se-ia educadora de infância, num tempo em que a profissão era ainda rara. Trabalharia ainda na Casa Pia, onde chegou a ser directora pedagógica e, depois, também em educação de adultos e animação comunitária. As últimas duas décadas da sua actividade profissional seriam dedicadas, na Escola Superior de Educação, à formação de professores e educadores. Sempre com uma profunda adesão à democracia e ao pluralismo e uma enorme preocupação ética.

No livro Para Uma Ética Situada dos Profissionais de Educação de Infância (publicado em 2012), que escreveu no âmbito da Associação dos Profissionais de Educação de Infância (APEI), Conceição Moita explicava como entendia os objectivos da associação e da educação de infância: “um colectivo de profissionais eticamente responsáveis, capazes de responder às complexas situações em que estão envolvidos” para desenvolver uma cultura com a “capacidade fecunda de compreender e construir”.

Nesse livro, resultado de um processo de reflexão em que ela liderou vários grupos de educadoras, Conceição Moita reflectia sobre o processo que levara à elaboração de uma “Carta de princípios para uma ética profissional” da educação de infância. E na qual assumiam papel relevante a reflexão no domínio da ética e as declarações dos direitos humanos, dos direitos da criança e dos direitos das minorias.

 

As “bolsas de miséria”

Maria da Conceição Moita, Xexão. Foto © Cristina Brito.

Paralelamente à formação escolar e académica, Conceição Moita envolve-se, ainda na adolescência, na União Noelista. Criada em França no final do século XIX, o nome da organização remetia para o Noël (Natal) francês, e pretendia vincar o compromisso social e solidário das mulheres cristãs.

O movimento noelista chegaria a Portugal em 1925. No final dos anos 1930, o padre Gustavo de Almeida seria, enquanto assistente espiritual, um grande dinamizador da União Noelista. Homem do regime, conhecido pelos longos anos de direcção moral da Mocidade Portuguesa Feminina, e por essa via, olhado como um “conservador”, o padre Gustavo revelava-se, afinal, “um espírito complexo: no acompanhamento das noelistas, apresentava um outro percurso de formação feminina, aparentemente tão distante do estereótipo da ‘mulher do Estado Novo'”, como diz o padre António Pedro Monteiro, capelão hospitalar, autor de uma tese sobre Padre Gustavo de Almeida (1903-1965): Entre o catolicismo nacionalista e a renovação eclesial.

Por isso haverá noelistas na criação d’O Ninho em Portugal, em 1967, no apoio à reintegração dos refugiados e retornados das ex-colónias, em 1975, ou na já mais recente criação da Associação João 13, de apoio aos sem-abrigo, por exemplo. Às noelistas, o padre Gustavo “incentivava a leitura e o estudo de autores e obras que precederam e estiveram no centro das reformas conciliares no seio do catolicismo, incentivava-as a estudar no estrangeiro, particularmente, em Paris, idealizava e promovia uma autonomia feminina por via intelectual e académica”, acrescenta António Pedro Monteiro. E “não se inibia de provocá-las à acção social”, abrindo o conforto das origens de várias delas “às necessidades dos mais pobres”, numa síntese de “uma clara exigência intelectual e uma comprometida acção social” que talvez explique o número de professoras e assistentes sociais que se contam entre as suas filiadas, diz ainda.

Foi na adolescência que Xexão se integrou na União Noelista, onde havia “mulheres com muita qualidade humana”. “Foi por essa via que entrei na grande onda progressista católica. E foi também neste contexto que tive os primeiros contactos com as grandes bolsas de miséria que existiam em Lisboa”, recordava no testemunho do Esquerda.net.

N’O Ninho, Xexão envolveu-se também na transição entre as décadas de 1960-70. Chegou a participar em várias actividades pelo país, a falar da questão social da prostituição e da relação do fenómeno com um sistema económico que explora pessoas mais fragilizadas, como num dos debates, no Porto, recordado ao 7MARGENS pelo bispo emérito das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira. A então estagiária de serviço social, Luísa Costa, que com ela trabalhou vários meses e depois a substituiria, lembra também a sua passagem pela instituição e a forma como Conceição Moita a marcou. Mas depois de libertada após o 25 de Abril, Xexão já não voltou a’O Ninho.

 

O Evangelho como “aventura e esperança”

Conceição Moita no encontro dos Grupos Dinamizadores de Unidade Popular, em Lisboa. Foto: Direitos reservados.

O cruzamento entre a fé e a intervenção política continuariam depois do 25 de Abril de 1974. Nos primeiros anos, Conceição Moita dinamiza os Cristãos Pelo Socialismo (CPS), envolve-se nos Cristãos em Reflexão Permanente ou no grupo do jornal Libertar, e é uma das impulsionadoras das assembleias que desembocariam no Encontro Nacional de Cristãos. Neste último, havia pessoas marcantes do que viria a ser a intervenção ou a reflexão católica: frei Bento Domingues, padre João Resina Rodrigues, Manuela Silva, António Matos Ferreira ou Fernando Gomes da Silva, entre outros.

Num discurso no 1º encontro nacional dos grupos CPS, Conceição diria que estes manifestavam que a sua “adesão a Jesus Cristo e ao Evangelho” era “um desafio, uma aventura, uma exigência, uma fonte, uma esperança”.

A militância política mais directa arrefeceria depois, ao mesmo tempo que crescia o seu empenho na vida profissional, com a APEI (onde fundou os Cadernos de Educação de Infância, ainda hoje publicados), em grupos católicos de debate ou intervenção, bem como em iniciativas cívicas. Destas, é exemplo a Campo Vivo, uma dinâmica de moradores do bairro de Campo de Ourique, onde morava, preocupada com a criação de laços de vizinhança, apoio aos mais isolados e a animação sociocultural do bairro.

De novo, uma preocupação – com as redes de vizinhos – aliava-se a outras, como o que se fazer quando se envelhece: em Fevereiro do ano passado, Conceição Moita foi uma das pessoas que preparou, no Metanoia – Movimento Católico de Profissionais, um encontro sobre “a aventura do envelhecer”. Na convocatória, lia-se: “O nosso desafio é ultrapassarmos uma perspectiva demasiadamente centrada nas perdas, nas incapacidades (físicas e cognitivas) e no isolamento, para darmos antes relevo às dimensões positivas do envelhecimento, como a sabedoria, a maturidade emocional, a possibilidade de ajustamento às mudanças, e a capacidade de desenvolver estratégias na procura do sentido da vida. E depois, ser mais velho, também significa ter mais tempo disponível (esse bem tão precioso!), para poder usá-lo de modo a ter impacto na vida dos outros e na nossa própria vida. E que outros? A família, os vizinhos, a comunidade…”

No início dos anos 2000, Conceição Moita seria uma das coordenadoras de uma equipa que elaborou um dos projectos para novos catecismos para a infância – e que acabariam preteridos, enquanto catecismos oficiais. Mas o resultado do trabalho, ilustrado por Madalena Matoso, foi publicado em três livros que continuam a ser usados em muitas paróquias e vendidos pela Paulinas Editora: Onde Moras?, A Quem Iremos? e Nascer de Novo. Nos subtítulos, explicava-se o programa: “uma história de encontro”; “uma história de libertação”; “uma história com futuro”.

No “caderno” sobre a libertação, lê-se: “A liberdade é o poder de dar um sentido às nossas acções e à nossa vida. (…) Jesus libertou-nos para a liberdade. Ele é o exemplo a seguir de uma pessoa inteiramente livre.”

Como escrevia no 7MARGENS o monge cisterciense Carlos Maria Antunes, do Mosteiro do Sobrado, na Galiza – onde Conceição Moita ia pelo menos uma vez por ano –, a sua vida estava “unificada em Jesus”: “Estava atenta ao acontecer da vida. Alegrava-se muito com o bem, com a liberdade, com a justiça e com a bondade. Amava a vida.”

Carlos Maria Antunes era um dos jovens que a conhecera enquanto mulher assistente dos grupos do Movimento Católico de Estudantes (MCE), tarefa para a qual foi convidada pelo padre José Manuel Pereira de Almeida, então assistente diocesano do MCE. A sua capacidade de escuta e dinamização das gerações mais novas também aí foi notória e muitos dos que por ela passaram ficaram seus amigos para a vida. Muito antes, nos primeiros tempos da sua vida profissional, já tinha dado aulas de Religião e Moral e também aulas informais a jovens de famílias operárias no Barreiro.

 

“Nem que tenha 80 anos, vou continuar a lutar!!

Maria da Conceição Moita, Xexão. Foto: Direitos reservados.

Já em 2014-2015, Conceição Moita seria ainda uma das dinamizadoras e organizadoras das seis sessões da dinâmica Escutar a Cidade, que pretendia ouvir não-crentes sobre o que esperavam dos cristãos, numa altura em que o Patriarcado promovia o sínodo diocesano.

Em 2013, num Encontro de Reflexão Teológica do Metanoia, Xexão voltava, a propósito da frase de Jesus “Bem-aventurados os pobres em espírito…”, a sintetizar o seu olhar transversal e holístico sobre a realidade e a fé: “Na verdade, ir às raízes das injustiças e destruir-lhes a fatalidade é dever da Igreja. Há realidades que fazem parte do ‘mal comum’ que é urgente denunciar. Hoje, há que reconhecer que o modelo de desenvolvimento capitalista e neoliberal faz perder a milhões dos nossos concidadãos os mais essenciais laços de pertença social e de cidadania, que os lançam na marginalidade, afastados das oportunidades de integração.”

Quando estava a ser torturada pela PIDE, conta ela n’Os Últimos Presos do Estado Novo, ainda reagiu a dizer: “Podem fazer o que quiserem que continuarei a lutar. Nem que tenha 80 anos quando sair daqui, vou continuar a lutar. E vocês hão-de cair!” E em 2014, num debate evocativo dos 40 anos do 25 de Abril de 1974 (transcrito nos Cadernos ISTA, dos padres dominicanos), afirmou: “Uma vida empenhada não prescreve. E nenhum de nós se pode dar ao luxo de considerar que já fez o que tinha a fazer. Resta o aqui e agora. O nosso tempo é este. A situação que vivemos é de tal gravidade que exige que o nosso velho compromisso com a justiça, a liberdade, a dignidade e a paz se reacenda e nos faça encontrados na luta.”

Outros caíram, mas a vida de Maria da Conceição Moita, a Xexão, não prescreveu. Muitas outras e outros a encontrarão na luta pela justiça, a liberdade, a dignidade e a paz.

 

(As exéquias de Maria da Conceição Moita, sujeitas a rigorosas medidas de limitação de acesso, decorrem na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, sexta-feira, 2 de Abril, entre as 10h30 e as 11h. Às 11h30, o corpo será cremado no Cemitério do Alto de São João, onde também haverá limitações em virtude da pandemia.)

Além dos nomes referidos, este texto é devedor também dos contributos e memórias de Ana Cordovil, António José Paulino, Cristina Brito, Inês Fontinha, Lucy Wainewright, Luísa Costa, Pedro Silva Rei e Teresa Vasconcelos, além do livro de João Miguel Almeida A Oposição Católica ao Estado Novo.

(A legenda da penúltima foto foi corrigida a 1 de Abril às 12h55.)

 

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