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Metanoia debate implicações sociais e económicas das alterações climáticas

| 06/03/2020

Metanoia debate implicações sociais e económicas das alterações climáticas

by | 6 Mar 20

Construção de um furo de água para distribuição na aldeia de Bilibiza (Pemba, Cabo Delgado), Moçambique, Junho de 2008. “Será a água um bem para todos?” é uma das perguntas a que o encontro procura responder. Foto © António Marujo/Arquivo 7MARGENS

 

É com uma citação de Sophia de Mello Breyner Andresen que a iniciativa se apresenta: “Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo.”

A frase da autora de Contos Exemplares “põe em evidência a correlação intestina entre a criação e as criaturas, o ambiente e o social, a humanidade e a natureza” e por isso o Metanoia – Movimento Católico de profissionais organiza este sábado, 7 de Março, em São Domingos de Rana (Carcavelos, Oeiras) uma sessão de estudos sobre “Justiça Ambiental”, que procurará abordar “as implicações sociais e económicas das alterações climáticas”, bem como a relação com a justiça social e os direitos humanos.

O tema nasce não só da correlação referida por Sophia, no discurso citado, proferido na Sociedade Portuguesa de Escritores em Julho de 1964, como também das afirmações do Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado da casa comum.

Na apresentação do tema, o Metanoia recorda também o contexto actual: “O ambiente está na ordem do dia. Seja por necessidade ou oportunismo, as alterações climáticas e as suas consequências levaram várias instâncias do poder” a colocar na agenda política a “fragilidade do planeta”. Também a reflexão académica tem desenvolvido estudos sobre o tema, apesar de haver “quem procure iludir – iludindo-nos – com a negação”. Nos últimos tempos, os incêndios da Amazónia e da Austrália, as cheias nas Filipinas, a erosão costeira e o aumento do nível médio das águas do mar ou o aquecimento global “multiplicam as perguntas que fazemos uns aos outros e exigem de nós, enquanto indivíduos e comunidade, a responsabilidade de uma reflexão lúcida esclarecida em vista a uma acção transformadora”.

O encontro, que decorre entre as 10h e as 22h30, conta com a participação de uma especialista e associada da Zero; quatro jovens comprometidos em diferentes âmbitos e organizações ligadas às questões ambientais e dos refugiados; uma religiosa que já trabalhou em campos de refugiados; a responsável da Casa Velha (que liga espiritualidade e ecologia); e, à noite, um jornalista e membro da Amnistia Internacional, para comentar o filme Os Filhos de Gandhi, de Vishue Vasue.

Durante a jornada, os participantes procurarão responder a perguntas como: Será a água um bem para todos? Quais os caminhos de desenvolvimento sustentável para uma boa gestão dos recursos hídricos? Que implicações traz a justiça ambiental aos nossos estilos de vida? Como se equaciona a justiça climática a partir de situações limite e dos Direitos Humanos?

Informações mais completas sobre o programa e intervenientes podem ser encontradas na página digital do encontro.

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