
A superiora geral das Missionárias da Caridade, irmã Mary Prema (à esq.), no Vaticano, em 2016. Foto © Presidential office, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.
A superiora geral das Missionárias da Caridade, a irmã Mary Prema, disse que, ao contrário do que foi noticiado nos últimos dias, não houve suspensão ou cancelamento de fundos bancários estrangeiros enviados à congregação, mas sim um pedido de registo que não foi aprovado porque “não satisfazia as condições de elegibilidade”.
Naquela que é a primeira declaração das religiosas depois das notícias surgidas nos últimos dias, Mary Prema esclareceu: “O registo na Lei de Regulação das Contribuições Estrangeiras das Missionárias da Caridade não foi suspenso ou cancelado. Além disso, não há nenhuma ordem de congelamento do Ministério dos Assuntos Internos sobre nenhuma das nossas contas bancárias. Fomos informadas de que o pedido de renovação do nosso registo [para poder receber contribuições estrangeiras] não foi aprovado. Portanto, como medida para garantir que não há erros, pedimos aos nossos centros que não movimentem qualquer conta até que o assunto esteja resolvido.”
Citada pela agência católica italiana SIR, a declaração da irmã Prema inclui a reprodução da nota emitida pelo governo indiano, explicando que, no dia 25, dia de Natal, o pedido de renovação do registo ao abrigo da Lei de Regulamentação das Contribuições Estrangeiras foi rejeitado “por não satisfazer as condições de elegibilidade”, sem contudo especificar quais são as condições contestadas.
Na Índia, esclarece a agência SIR, é obrigatório haver um registo para poder receber doações estrangeiras, e a Congregação das Missionárias da Caridade depende em grande parte de doações estrangeiras para realizar o seu trabalho caritativo.
De acordo com a agência católica asiática UcaNews, a congregação recebeu cerca de 750 milhões de dólares do estrangeiro no ano financeiro de 2020-21. Há mais de 22.000 empregados e beneficiários directos nos seus centros em todo o país. As irmãs e irmãos da Congregação chegam a milhares de pessoas, entre as mais pobres e mais rejeitadas da sociedade.
A notícia sobre o problema com as contas bancárias chegou duas semanas depois de a polícia de Gujarat, o estado natal do primeiro-ministro Narendra Modi, ter começado a investigar um orfanato gerido pelas Missionárias da Caridade por alegadamente “converterem à força” os hindus ao cristianismo.
Esta acusação aparece periodicamente na Índia por parte de sectores hindus, a religião maioritária, e tem sido sistematicamente negada pelas irmãs seguidoras de Madre Teresa.










