Índia

Governo congela contas bancárias das Missionárias da Caridade

| 27 Dez 2021

Missionárias da Caridade foram fundadas pela Madre Teresa de Calcutá. Foto © Jan Bockaert, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

 

O Governo indiano congelou as contas bancárias das Missionárias da Caridade, congregação fundada por Madre Teresa de Calcutá, depois de ter rejeitado a autorização para uma transferência de fundos vinda do estrangeiro. A decisão foi tomada no dia de Natal e foi difundida no dia 27 de dezembro por quase todos os media indianos, incluindo a IndianTV.

Várias vozes vieram a público protestar contra esta medida, chamando a atenção para a situação em que ficam os órfãos, idosos pobres e doentes que são apoiados pelas Missionárias da Caridade. O jornal Dhaka Tribune, do Bangladesh, noticiava que a primeira-ministra do Bengala Ocidental (Estado indiano em que a congregação tem a sua sede), Mamata Banerjee, escreveu num tweet: “Fiquei chocada ao saber que [no] Natal, o Ministério da União Indiana congelou todas as contas bancárias das Missionárias da Caridade de Madre Teresa na Índia!” e no tweet seguinte: “Os seus 22.000 pacientes [e] funcionários ficarão sem alimentos [e] medicamentos.”


A decisão do Governo presidido por Nerenda Modi culmina uma série de atos repressivos perpetrados pelas autoridades e por grupos de militantes hindus contra a minoria cristã, sobretudo as organizações católicas acusadas de infringirem a lei por supostamente quererem converter indianos ao catolicismo [ver 7MARGENS].

Em oito Estados indianos existe legislação que proíbe a conversão religiosa sob pena de prisão até 10 anos. A lei refere a conversão religiosa por aliciamento, força, coerção ou fraude, mas várias formas de pastoral cristã e obras de caridade têm sido julgadas como atrações ilegais para a conversão [ver 7MARGENS].

De acordo com notícia publicada pelo jornal australiano ABC, nesta segunda-feira, 27 de dezembro, “grupos radicais hindus afiliados ao partido de Modi e outros extremistas interromperam celebrações da missa de Natal em vários lugares da Índia”.

Citando jornais indianos, o ABC escreve que “a interrupção das celebrações de Natal incluíram a vandalização de uma estátua em tamanho real de Jesus Cristo em Ambala em Haryana, um estado do Norte governado pelo Partido Bharatiya Janata (BJP) de Modi” e recorda que “desde que Modi chegou ao poder em 2014, grupos de direita hindu consolidaram as suas posições em todos os Estados e lançaram ataques em pequena escala contra as minorias religiosas, dizendo que a sua ação procura impedir conversões religiosas”.

Maioritariamente hindu, a Índia tem sofrido nos últimos anos tensões religiosas que vários relatórios internacionais atribuem ao exacerbar do nacionalismo hindu, uma das marcas do Partido do Povo Indiano (BJP), liderado por Modi, que foi criado em 1980. Modi é primeiro-ministro desde 2014 e foi reeleito em 2019.

Com a sede da congregação no Estado de Bengala Ocidental, situado no leste da Índia (vizinho do Bangladesh), as Missionárias da Caridade são mais de 3.000 em todo o mundo (estão também presentes em Portugal) e administram hospícios, cozinhas comunitárias, escolas, colónias de leprosos e lares para crianças abandonadas.

 

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