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Promessas no santuário de S. Bento da Porta Aberta. Foto retirada do site do santuário.

Espaço religioso das promessas

Missivas a São Bento da Porta Aberta e súplicas a outros entes sagrados

A capa do livro Espaço Religioso das Promessas.

A capa do livro Espaço Religioso das Promessas.

“Este livro apresenta-nos um trabalho sociológico sobre a experiência espiritual e religiosa da promessa às entidades sagradas. Interpela-nos sobre as dimensões profundas da existência humana que colocam à prova o domínio, simultaneamente, do sentimento, do racional e do incompreensível. A partir do ponto de vista weberiano, desafia-nos a compreender de que forma homens e mulheres de diferentes idades e lugares sociais lidam com a adversidade e, em situações limite, de vida e morte, procuram o apoio e a intervenção celestes.” 

Ao ser abordado neste livro o fenómeno das promessas aos entes sagrados, a primeira coisa que podemos dizer é que, inscrevendo-se na memória do tempo, continua a ter impacto nas sociedades contemporâneas, apesar de impregnadas de racionalidade, ciência e tecnologia. São, também por isso, menos portadoras da influência da religião, mas sem que se possa dizer o mesmo em relação às crenças. 

Escusado será dizer, mas é bom lembrar, que as crenças, quer religiosas quer profanas, estão presentes desde o Homo Sapiens na nossa vida colectiva. A este propósito, Émile Durkheim afirma que a religião é o mais primitivo de todos os fenómenos sociais. Por sua vez, a espiritualidade humana, tão procurada nos nossos dias, sob formas variadas, assenta, acima de tudo, numa experiência íntima, a do sagrado, onde as promessas no espaço religioso se inscrevem. É o sentimento do sagrado que tem levado os humanos a edificar as crenças espirituais mais diversas, sendo que algumas se vieram a tornar em dogmas das grandes religiões monoteístas. 

Através dos tempos, o sagrado e o religioso são duas dimensões universais do fenómeno humano que trabalham de maneira latente ou activa, implícita ou explícita, toda a espessura da realidade social, cultural e psicológica, segundo as modalidades próprias de cada civilização, no seio das quais pode ser identificada a sua presença. Sabendo que o seu impacto é hoje menor do que noutros tempos, nem por isso as crenças de ordem sagrada deixam de estar presentes, como os dados estatísticos também o têm vindo a revelar, concretamente em Portugal (INE, 2021). O que se constata, isso sim, é que se a adesão religiosa católica institucional recua, nem por isso diminuem os crentes sem religião. Tenha-se presente que a modernidade na sua dimensão utópica de “imperativo da mudança”, se tem revelado incapaz de responder às incertezas a que o trabalho de sapa das religiões e das tradições dá origem. Não somente as religiões sobrevivem à modernidade e à secularização como apresentam um terreno favorável ao seu desenvolvimento. Mas não se pode, todavia, falar de um “regresso” na medida em que a paisagem religiosa contemporânea não é comparável à paisagem religiosa pré-moderna. 

Uma religião “em liberdade”

José Malhoa, A Promessa: Uma religião em liberdade, em que coexistem a religião oficial e a religião popular.

José Malhoa, A Promessa: Uma religião em liberdade, em que coexistem a religião oficial e a religião popular.

A modernidade “produz” o religioso e a religiosidade, mas à sua imagem, em sintonia com a cultura moderna do indivíduo, da experimentação: uma religião em “liberdade”, ousaremos dizer, cujo carácter desinstitucionalizado aparece como uma das caraterísticas mais correntemente sublinhadas pelos estudiosos destas questões. No mesmo sentido, observa-se que no espaço religioso se alarga a diversificação da paisagem que se tem vindo a operar com o surgimento de novos movimentos religiosos, tornando as sociedades hodiernas mais pluriculturais e mais plurirreligiosas. 

O que não é menos significativo é que nesta pluralidade religiosa também se inclui o que se passa no seio da própria religião católica, como acontece em Portugal, numa coexistência própria entre religião oficial e religião popular. Esta última continua a manifestar-se com bastante intensidade, não sendo os casos de muitas festas em honra de entes sagrados e das práticas votivas os menos relevantes. Aliás, se repararmos, hoje, é à volta das grandes peregrinações a santuários e basílicas, também eles de grande renome, que continua a reunir-se grande número de pessoas, onde não faltam crenças e rituais de cariz votivo e popular. O actual treinador da selecção nacional, Roberto Martinez, disse que pensava ir a Fátima se Portugal fosse campeão da Europa em futebol.   

Os entes sagrados que são objecto de veneração e de súplica não se consideram menos solícitos, perante as necessidades que lhes são apresentadas por estes peregrinos. Tratando-se de práticas muito antigas, na Idade Média, sobretudo perante a incapacidade em relação à doença e à morte, as práticas sacrificiais, em forma de desagravo, perante as forças celestes, e as súplicas aos entes sagrados, no quadro da organização de peregrinações terapêuticas, eram não só recomendadas pela Igreja e pela própria medicina, como eram uma prática comum entre os fiéis. Atingidos pela doença, pode-se, do seu próprio leito, fazer uma oração ou uma promessa de, em caso de cura, ir em peregrinação de acção de graças aos locais onde são venerados entes sagrados terapeutas. 

Podemos interrogar-nos sobre o que resta hoje destas crenças e das práticas de cura ou de protecção sagrada que tiveram, em tempos passados, grande pujança. Apesar de algum recuo, também nos damos conta que continuam a ter o seu impacto, pelo menos no âmbito da designada “religião popular”. Bem mais dada a inscrever-se na continuidade dos costumes, fora das doutrinas e práticas da religião oficial, leva a acreditar em seres sobrenaturais, taumaturgos, locais sagrados, milagres e ritos mágicos, tendendo a valorizar as imagens e outros símbolos sagrados, ritos tradicionais, festas, mitos e aí por diante. Surge, espontaneamente, como uma resposta às necessidades (em grande parte emocionais) não satisfeitas pela religião oficial, apreendida como muito formal e menos calorosa. Tende, assim, a ser uma resposta bem mais afectiva, como o indica J. Delumeau, e como podemos, muito frequentemente, constatar na própria realidade. Concretamente neste trabalho, de forma escrita, a maneira ternurenta e amistosa como muitos peregrinos se dirigem a S. Bento da Porta Aberta, também abona neste sentido.  

Ultrapassar os males da vida

Santuário de S. Bento da Porta Aberta. Foto retirada do site do santuário.

Santuário de S. Bento da Porta Aberta. Foto reproduzida do site do santuário.

Compreende-se que num quadro problemático como este, as promessas tendam mais a surgir entre pessoas e famílias sensibilizadas para o efeito, quando os males da vida se afiguram difíceis de ultrapassar, através dos recursos humanos e materiais. Para o facto, também podem ter grande influência os processos de transmissão e socialização familiar e social, criando entre as gerações uma genealogia de santos protetores devocionais, cujas potencialidades já foram, anteriormente, asseveradas.

Frise-se, todavia, que o acto de prometer, com a esperança de vir a alcançar o solicitado, fundamentando-se na crença na capacidade da entidade supranatural, a quem se pede para intervir, implica um trabalho de relação continuada entre dois sujeitos: um humano e outro de índole sagrada, com quem se comunica apenas pela fé e pela confiança. Estes santos devocionais, normalmente inscritos numa longa tradição, tornando-se muito próximos, são considerados como conhecedores dos problemas da sua vida e do seu percurso. Deus, Nossa Senhora, o santo, são os garantes do bom desenvolvimento da vida, ainda que as atitudes e os comportamentos possam nem sempre ser adequados, quanto aos ensinamentos da religião. Para a pessoa doente ou confrontada com dificuldades de maior libertar-se dessas angústias é o mais importante. 

Sejam quais forem as circunstâncias e os sentimentos existentes, numa lógica de dom e contra-dom , dá-se uma garantia decorrente de uma afinidade relacional de confiança e de compromisso assumido pelo suplicante que, se esquecido, pode levar à ruptura da correspondência biunívoca entre o prometido e o realizado. No sentido religioso ou espiritual propriamente dito, sobretudo, a nível da religião popular, o não cumprimento das promessas poderá ser um mau prenúncio, uma vez que não só não se honram os compromissos, como poderá acarretar consequências funestas para os faltosos e até para os seus familiares, podendo atrair a vingança ou a ira dos entes sagrados em questão . Daí que, em geral, haja uma séria preocupação em não faltar à convenção assumida, inclusive, quando não se tem a certeza de ter sido por esta via que o solicitado foi alcançado. Entra aqui muito em linha de conta o valor daquilo em que se acredita e até algum receio.

Constatando que se trata de um fenómeno que pode ter vindo a ser objecto de algumas metamorfoses, em correlação com as mudanças sociais e culturais, as transformações dos modos de vida e o recuo da influência da religião nas sociedades contemporâneas, nem por isso deixa de se manifestar mais intensamente através das práticas dos devotos destas crenças. Outro tanto se diga quanto à frequência dos lugares sagrados, designadamente, santuários e basílicas, mas também algumas igrejas e capelas, onde se encontram imagens de santos com grande aura sacral miraculosa. 

É essencialmente destas problemáticas que nos propomos ocupar neste livro de que a seguir indicamos as principais componentes.

Estudar o fenómeno sócio-religioso das promessas

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Na imagem, mensagens do Correio de Nossa Senhora, no Santuário de Fátima. Também este livro estuda as missivas dirigidas a S. Bento da Porta Aberta, que permitiu abrir novos parâmetros de análise. Foto © António Marujo.

Fundamentado numa perspectiva teórico-empírica, eminentemente sociológica e pluridisciplinar, este livro tem como objectivo principal estudar o fenómeno sócio-religioso das promessas a entes sagrados que se consideram portentosos. A respectiva investigação permitiu-nos constatar, por um lado, que este facto tem muito a ver com processos de socialização e transmissão inscritos numa genealogia familiar e, por outro, que este impacto é maior junto de uma população que se pode considerar mais associada a uma certa cultura e religião populares, mas não exclusivamente. O que podemos, com efeito, dizer é que esta recolha alargada de dados, tanto em termos da diversidade das pessoas implicadas, como das regiões seleccionadas e, simultaneamente, do estudo de missivas dirigidas a S. Bento da Porta Aberta, permitiu abrir novos parâmetros de análise. Foram, ainda, aqui inseridas súplicas mais curtas inscritas em fotografias, designadamente, de crianças.

Das 216 cartas epistolares seleccionadas, dirigidas a São Bento da Porta Aberta – a grande maioria transcritas no livro – considerado taumaturgo pelos seus fiéis, bem como dos outros dados recolhidos, através de entrevistas junto de uma grande diversidade de pessoas e da observação participante, várias peculiaridades daqui se retiram. Exprimem-se pedidos e agradecimentos por algo bem concreto que se quer obter na vida através destes recursos. Algumas destas preces são mesmo um apelo ao socorro. Várias outras inscrevem-se mais nas circunstâncias da vida quotidiana, nas aspirações e desejos de protecção para conjurar a falta de sorte, ou continuar na harmonia. É também por isso que as orações, o teor das promessas e as expectativas passam por um vocabulário que faz apelo ao milagre, ao suporte moral, à força e à fé, para ultrapassar os problemas com que se deparam ou para alcançar o que mais se aspira. 

Entre as súplicas “explícitas”, ou seja, aquelas em que uma necessidade é claramente expressa, identificam-se seis motivações distintas, que numa ordem gradual decrescente vão das dificuldades, do bem-estar e felicidade familiar, à doença e à saúde, aos problemas materiais, ao sucesso escolar, profissional e social, aos temas da má sorte, da feitiçaria ou algo similar, às questões corporais de estética, à fé e à espiritualidade. Indique-se que estes últimos motivos têm muito pouca expressão. 

Do conjunto destas verificações, retiram-se duas componentes essenciais. Uma prende-se com o facto de numa ordem de prioridades, serem as questões à volta da família que ocupam um lugar cimeiro, seguido da saúde e das curas; a outra prende-se com o caso de serem as questões associadas à corporeidade, à materialidade da vida e às forças maleficentes a imporem-se sobre as demais.

De referir que uma tal verificação produz efeitos na organização deste trabalho quanto à escolha dos respectivos capítulos e a sua sequência. Começando pelos agradecimentos e a introdução, os primeiros três capítulos, praticamente como forma de enquadramento, integram a abordagem metodológica utilizada; uma síntese sobre as origens de São Bento, o contexto em que lhe foi dado viver e a situação sócio-histórica e religiosa que envolve o percurso da sua veneração, em terras do Gerês, recebendo nestas paragens o cognome de São Bento da Porta Aberta; de seguida, de forma mais extensa, procede-se a uma análise orientada para as questões cultuais e rituais em geral e em seu favor, no contexto da basílica que lhe é dedicada nesta região.

A eficácia material e sócio-psíquica da oração

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Desenhos e mensagens de crianças no Correio de Nossa Senhora, em Fátima. Também entre as missivas dirigidas a São Bento da Porta Aberta, em forma de oração, encontram-se súplicas mais curtas inscritas em fotografias, designadamente, de crianças. Foto © António Marujo.

Para apreender o alcance deste fenómeno e muito concretamente os elementos extraídos das entrevistas e das missivas dirigidas a São Bento da Porta Aberta, em forma de oração de súplica e, aqui e ali, de agradecimento, por conseguinte uma forma de comunicação com o sagrado, num primeiro tempo, debruçamo-nos sobre estas temáticas, procurando daí extrair um objectivo bem particular, concretizado na busca de eficácia material e sócio-psíquica da oração.

 Uma vez que estas preces, bem como vários extractos de entrevistas, não integram menos a forma e o conteúdo das promessas, no capítulo seguinte é este assunto que capta a nossa atenção. Para quem envereda por estas práticas, os entes sagrados a quem recorrem são os garantes do bom desenvolvimento da vida. Várias questões se levantam perante este agarrar à vida, ter sucesso na vida, ter medo da doença ou de algo pernicioso que possa vir a acontecer, a vontade de enriquecer, a libertação das suas angústias, ou a satisfação das suas aspirações, através destes recursos. 

Uma outra busca tem a ver com o facto, de na generalidade dos casos, a realização destes rituais impelir os autores das mesmas a dirigirem-se aos locais onde se encontram as imagens dos entes sagrados a quem recorrem. Daí que seja preciso partir e pôr-se a caminho. A análise que aqui apresentamos, articulando-se com os dados empíricos recolhidos – como de resto acontece com a grande maioria dos demais capítulos – incide sobre as peregrinações. Importa ter presente, como o considera Daniel Hervieu-Léger, que a religiosidade peregrina emerge, na actualidade, como uma figura típica do religioso em movimento, tanto ao nível da fluidez dos percursos espirituais individuais, como da procura de sociabilidades peregrinas. Mais ainda. Pelas suas dimensões festiva e excepcional extra quotidiana, a peregrinação não é nem eclesial nem laica, mas organicamente sacral. 

Em seguida, abordamos o teor das motivações mais explicitas e de maior abrangência, repertoriadas tanto pelas missivas dirigidas a S. Bento da Porta Aberta, como pelas entrevistas insertas nos últimos quatro capítulos. Começamos pelas questões relativas à família, fazendo emergir as características que tem vindo a assumir nas sociedades hodiernas mercê, identicamente, das grandes transformações de que tem vindo a ser alvo, desde há mais de meio século. Seja como for, a família continua a ser um valor fundamental das sociedades hodiernas, o que não está menos presente no sentir das pessoas que, neste trabalho, investem nesta dimensão da vida. 

Um outro domínio, aliás o segundo, com maior incidência a nível do trabalho empírico, recai sobre as mais variadas questões e preocupações acerca da doença que, sendo uma inquietação muito antiga, tem vindo a revelar ser uma inquietude maior dos indivíduos, das famílias e da sociedade em que vivemos. Os resultados mostram, antes de tudo, a diversidade das doenças pelas quais se implora a intercessão dos santos, muito particularmente de S. Bento da Porta Aberta e de Nossa Senhora. Podemos mesmo dizer que as súplicas ou os motivos apresentados sobre estas questões são praticamente o reflexo das doenças que mais preocupam na nossa época.  

A gestão religiosa da saúde

Promessas no santuário de S. Bento da Porta Aberta. Foto retirada do site do santuário.

Promessas no santuário de S. Bento da Porta Aberta. Foto reproduzida do site do santuário.

Uma outra razão, não desligada da anterior, leva-nos a abordar a maneira como estes peregrinos e entrevistada(o)s fazem a gestão religiosa da saúde. Para muita(o)s a promessa e a peregrinação afirmam a sua vocação terapêutica, tanto física como mental, até porque a saúde, para os nossos contemporâneos, também se define pela sua capacidade de dominar não apenas o seu estado físico e psíquico, mas também o social e o simbólico. Por conseguinte, a doença e a saúde definem-se em função das exigências e das expectativas associadas aos contextos sociais, às nossas inserções, às nossas relações familiares, profissionais e sociais e assumem um sentido muito próprio, por vezes, mesmo de índole sagrada. 

Por fim, um outro domínio tem a ver com o facto de vários peregrinos se dirigirem a São Bento da Porta Aberta para implorarem que os liberte dos efeitos das forças maleficentes, que são neste caso de diversa ordem. Fortemente enraizadas num certo imaginário colectivo de índole popular, podem produzir consequências muito funestas em quem se sente atingido(a) por elas. Para contrariar estas investidas, procura-se que a oração e a promessa a São Bento da Porta Aberta, seja eficaz, tanto mais que é considerado um santo muito portentoso, a este propósito. Outro tsnto acontece com a medalha que lhe é dedicada tida como muito assombrosa nesta matéria. 

Podemos, ainda, perguntar-nos por que ficaram de fora capítulos específicos sobre o sucesso social, profissional e escolar e sobre os apelos à conversão e à solidificação da fé. A resposta é simples, tendo a ver com a transversalidade da primeira problemática propícia a ser integrada noutros capítulos, com grande destaque para o que é reservado à família, uma vez que é neste âmbito que essas questões mais se colocam. Se é certo que as pessoas desejam ter sucesso na vida, também é importante que aprendam a construir uma vida bem conseguida. Já quanto aos últimos assuntos, têm tão pouca expressão que optámos por incluí-los em outros capítulos que se afiguravam mais conexos.

 

Maria Engrácia Leandro e Rui Pedro da Silva Leandro são autores do livro Espaço Religioso das Promessas – Missivas a São Bento da Porta Aberta e súplicas a outros entes sagrados. Subtítulos da responsabilidade do 7MARGENS. 

 

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