
Shagufta Kiran, 40 anos, mãe de quatro filhos, cristã, encontra-se detida há mais de três anos e foi agora condenada à morte. Foto: Direitos reservados, via ACN
É mais um caso relacionado com a Lei da Blasfémia no Paquistão. Shagufta Kiran, 40 anos, mãe de quatro filhos, cristã, encontra-se detida há mais de três anos e foi agora condenada à morte por ter partilhado mensagens alegadamente desrespeitosos para com o Profeta Maomé num grupo de discussão no WhatsApp, avança esta terça-feira, 24 de setembro, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
O tribunal da Agência Federal de Investigação (FIA), em Islamabad, condenou-a ainda ao pagamento de uma multa no valor de 300 mil rupias, aproximadamente 950 euros. A sentença foi proferida mais de três anos depois de os agentes da FIA terem invadido a sua casa em Rawalpindi e de a terem detido na sequência da queixa do administrador do grupo onde ela teria partilhado a referida mensagem, explica a fundação pontifícia.
Shagufta foi condenada ao abrigo da secção 295-C da controversa lei que regula a questão da blasfémia, segundo a qual um insulto ao Profeta implica uma pena de morte. O caso está a ser acompanhado pela Comissão Nacional para a Justiça e a Paz (CNJP) do Paquistão. O director-executivo desta instituição, Naeem Yousaf Gill, disse à Fundação AIS que Shagufta Kiran vai recorrer da sentença.
O responsável da CNJP – organização que é parcialmente financiada pela Fundação AIS – explicou ainda que a sua instituição tem vindo a prestar apoio jurídico à família desta mulher cristã, nomeadamente suportando os custos dos honorários dos seus advogados, e apelou às autoridades para um maior rigor nos casos envolvendo a questão polémica da blasfémia. “O Estado tem de combater a radicalização crescente que desencadeia este tipo de incidentes”, disse, exortando o governo paquistanês a “atacar com rigor” os indivíduos que fabricam alegações “com intenções maliciosas”.
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